Seminário de Mulheres Indígenas e Segurança Alimentar e Nutricional

Seminario Mulheres Indígenas - Mario Vilela

Cerca de 50 mulheres indígenas de todas as regiões do país estão reunidas esta semana, entre os dias 12 e 13 de novembro, em Brasília (DF), para participarem do 1º Seminário de Mulheres Indígenas e Segurança Alimentar e Nutricional.

 

O encontro tem entre os objetivos promover o diálogo entre as indígenas sobre saberes e práticas alimentares para subsidiar o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) no monitoramento das ações do Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Plansan) 2012/2015.

Para a coordenadora de gênero assuntos geracionais e mobilização social da Funai, Lea Rodrigues, “o evento busca fortalecer o papel das mulheres no promoção do bem viver de acordo com a diversidade e especificidade dos povos indígenas, bem como refletir sobre suas práticas alimentares, considerando fatores climáticos, ambientais, territoriais, sociais, políticos e culturais”.

Alimentação e acesso à terra

O problema da falta de acesso à terra foi a questão mais pontuada pelas participantes durante a mesa de diálogos sobre o protagonismo da mulher indígena na segurança alimentar e nutricional. De acordo com a presidenta do Consea, Maria Emília Pacheco, “falar de alimentação indígena é falar de acesso à terra e ao território, do direito de ter e cultivar sementes, do acesso à água limpa e de qualidade”.

Maria Emília apresentou dados do 1º Inquérito Nacional de Saúde e Nutrição dos Povos Indígenas, que revelou que 32,7% das mulheres indígenas não-grávidas apresentam anemia, o  maior número está concentrado na região Norte, onde o percentual aumenta para 46,9%. “A realização desse encontro é importante para que possamos reverter esse quadro. Sabemos que 51,3% das crianças indígenas também sofrem com anemia, e a prevalência de má nutrição atinge uma em cada três crianças menores de 5 anos”, ressaltou a presidenta.

De acordo com a representante das mulheres indígenas da região Norte, Iranilde Barbosa, com a falta de terra para plantar e o contato com a sociedade não-indígena, deu-se a introdução de alimentos industrializados nas aldeias. “Antigamente, tínhamos uma alimentação natural, com fartura de caça, pesca e frutas. Hoje, não há terra suficiente para plantar e criar, e isso transformou nossos hábitos alimentares, com o crescente consumo de açúcar e, consequentemente, com o surgimento de doenças como diabetes e obesidade”, alertou Barbosa. “Precisamos ter soberania alimentar, poder comer e viver com segurança, evitar doenças com uma alimentação saudável”, afirmou.

“Não se pensa em segurança alimentar sem pensar na terra”, foi enfática a representante da região Nordeste, Maria da Conceição Feitosa. Para ela, a alimentação disponível na atualidade não se compara ao tipo de alimentação que seus antepassados praticavam. “Não temos território suficiente para fazer uma gestão do plantio, para plantar em uma área enquanto outras descansam e assim variar os tipos de alimento”, disse Feitosa.

Ao falar dos problemas enfrentados na região Centro-Oeste, a indígena Léia Aquino, se emocionou e lembrou que a falta de terra causa impacto direto na saúde das famílias. “Não produzimos pois não há espaço para produção. Perdemos as sementes de milho e de feijão, muitas vezes as famílias precisam comprar comida totalmente diferente da tradicional pois não podem mais plantar. Assim, é impossível viver com saúde. Há mães perdendo seus filhos por isso”.

 
 
 

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