Entrevista com a presidente da Associação Yamurikumã das Mulheres Xinguanas

Yamurikuma07 KaiuluComo forma de homenagear, agradecer e valorizar o trabalho das mulheres xinguanas no fortalecimento da cultura dos povos do Xingu, a Coordenação Regional da Funai do Xingu realizou uma entrevista com a presidente da Associação Yamurikumã das Mulheres Xinguanas, Kaiulu Yawalapiti Kamaiurá (foto), recentemente convidada para palestrar no Ciclo Encontro com Mulheres Indígenas, a ser realizado pelo Centro de Pesquisa e Formação do SESC de São Paulo/SP, nos dias 20 e 21 de março de 2015.

 

CR Xingu: Como surgiu a ideia de reunir as mulheres xinguanas e fundar a Associação Yamurikumã?

 

Kaiulu: Surgiu da percepção da demanda de vários convites para indígenas xinguanas participarem de eventos e seminários realizados por ONGs e órgãos do governo, para discutir assuntos de interesse das mulheres indígenas. Os convites eram efetuados sem nenhum critério, endereçados a mulheres sem nenhuma preparação e conhecimento das comunidades. Assim, as informações não chegavam nas comunidades após as indígenas participarem de eventos e reuniões. As informações não chegavam às comunidades indígenas xinguanas também por motivo de não haver recursos financeiros para realizar reuniões nas aldeias para repassar o assunto discutido nos eventos. Devido a isso, as mulheres xinguanas sentiram a necessidade de criar uma associação para organizar a participação das lideranças mulheres de cada etnia do Parque do Xingu nas reuniões externas e internas, buscando defender nossos direitos e planejar ações e projetos de interesse das mulheres xinguanas.

 

CR Xingu: Quais os principais objetivos da Associação Yamurikumã?

 

Kaiulu: O principal objetivo da associação é fortalecer politicamente as lideranças femininas das aldeias para que estejam preparadas para representar as comunidades xinguanas nas reuniões dentro e fora do Parque do Xingu. Não queremos mais que intermediadores não-indígenas falem pela gente, captando recursos e executando projetos em nosso nome. Queremos dialogar diretamente com instituições, apoiadores e financiadores, sem intermediários. A atuação da Associação Yamurikumã abrange diversas áreas estratégicas para o desenvolvimento sustentável do Parque do Xingu, focando especialmente no papel das mulheres xinguanas nesse desenvolvimento. Entre as áreas em que trabalhamos, destacam-se saúde, educação, meio ambiente, alimentação tradicional, atividades agrícolas e ações de resgate e fortalecimento cultural.

 

CR Xingu: Como foram as "expedições fluviais" da Associação Yamurikumã pelo Parque do Xingu, no final de 2014?

 

Kaiulu: O resultado foi magnífico! A Associação Yamurikumã percorreu diversas aldeias buscando esclarecer às indígenas que não participaram de sua criação, sobre objetivo da associação. Com a realização das rodadas de conversa de mulheres nas aldeias, buscamos fortalecer os vínculos entre as lideranças mulheres de várias etnias do Xingu. Discutimos diversos assuntos referentes à organização e ao funcionamento da associação e distribuímos cópias do DVD sobre os trabalhos já realizados pela Associação Yamurikumã, filmado pelas próprias cineastas xinguanas e lançado em cinco versões: nas línguas Kamaiurá, Mehinako (e Waurá), Kawaiwete, Kuikuro (Kalapalo, Matipu e Nafukuá), além de uma versão em Língua Portuguesa. Além disso, foi ótimo perceber que temos apoio dos caciques do Parque do Xingu para mobilizar e organizar as mulheres xinguanas por meio da Associação Yamurikumã. Como resultado do grande sucesso das rodas de conversa de mulheres nas aldeias do Parque do Xingu, nossa associação está recebendo convites para falar em vários eventos sobre esta experiência exitosa na busca do protagonismo das mulheres xinguanas e na luta por espaço no cenário atual da política indígena e indigenista.

 

CR Xingu: Quais são os projetos e ações planejados para serem desenvolvidos pela Associação Yamurikumã nos próximos anos?

 

Kaiulu: Nossos projetos futuros são: fortalecimento e estruturação da sede da associação, formação de novas lideranças femininas do Parque do Xingu, produção e comercialização de artesanato, polvilho e farinha de mandioca, realização de oficina de audiovisual, realização de eventos culturais e de novas rodas de conversas nas aldeias, além de capacitações nas áreas de interesse das mulheres xinguanas. 

 

 
 
 

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