Nota de pesar pelo falecimento da liderança indígena Santxiê Tapuya

A Fundação Nacional do Índio lamenta a morte da liderança indígena Santxiê Tapuya, no último sábado, 07 de junho de 2014. Fulni-ô, Santxiê nasceu em uma aldeia na região de Águas Belas, Pernambuco, e chegou em Brasília em 1970, aos 13 anos de idade, acompanhado de sua família. Santixê lutou em defesa dos direitos indígenas, destacando-se pela resistência no Santuário dos Pajés, no Distrito Federal.

 

O corpo será trasladado na tarde desta segunda-feira, 09, para Águas Belas (PE), onde será realizado o ritual fúnebre.


Nota Funai - Miss Brasil Indígena

A Fundação Nacional do Índio, na sua missão de promover e proteger os direitos dos povos indígenas no Brasil, vem a público informar que não promove nem apoia iniciativas como o "Miss Brasil Indígena" ou concursos regionais, estaduais ou locais de beleza.

De acordo com o posicionamento institucional, tais iniciativas não contribuem para a divulgação da sociodiversidade brasileira, mas, antes, reforçam visões preconceituosas sobre as mulheres, desconstruindo os conhecimentos indígenas e desvalorizando o simbolismo das mulheres nas distintas sociedades indígenas.


Parte Dom Tomás, ficam seus ensinamentos

Dom Tomás Balduino, bispo emérito de Goiás, faleceu às 23h30 do último dia 02 de maio, aos 91 anos. Fielmente comprometido com a luta em favor dos Povos Indígenas, Dom Tomás dedicou sua vida à construção de uma sociedade justa e democrática, militando no campo das grandes causas humanas e sociais, e atuando incansavelmente na defesa dos direitos das populações excluídas, dos pobres, dos trabalhadores sem terra, e dos indígenas. Foi um dos fundadores da Comissão Pastoral da Terra – CPT e do Conselho Indigenista Missionário – CIMI. A trajetória de Dom Tomás deixa ao país um vasto legado de ensinamentos. Que seu exemplo de doação e persistência, permaneça vivo dentro de nós, seja capaz de conquistar muitas mentes e corações, e possa reascender a cada dia nossa coragem de lutar e atuar por uma sociedade justa, fraterna e solidária.

 

Fundação Nacional do Índio.



A Fundação Nacional do Índio lamenta o falecimento do guerreiro indígena Hõprỳre Ronore Jõpìkti Payaré

A Fundação Nacional do Índio lamenta o falecimento do guerreiro indígena Hõprỳre Ronore Jõpìkti Payaré, no último sábado, dia 29 de março.
Professor de língua Jê-Timbira há quase 20 anos, Payaré foi também um lutador incansável para que os mais jovens aprendessem as histórias e tradições de seu povo.
Na manhã do domingo, dia 30 de março, com a mesma simplicidade com que tantas vezes na varanda de sua casa se podia ouvir suas histórias e projetos para o futuro, Payaré foi enterrado na aldeia do povo Akrãtikatêjê.


Nota Funai - Terra Indígena Kampa

Ante a divulgação pela imprensa na tarde de hoje da realização de sobrevoo na Terra Indígena Kampa e Isolados na região da Bacia do Rio Envira, com captação de imagens de grupo indígena isolado confirmado, a Fundação Nacional do Índio repudia a ação realizada, tendo em vista que:

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Destaques

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Na aldeia de Amambai, no Mato Grosso do Sul, mulheres Kaiowá e Guarani organizaram a VI Kuñague Aty Guasu ou Grande Assembleia das Mulheres, espaço de protagonismo e discussão de temas de alta relevância para as comunidades indígenas. 

 

class=Imagine passar 22 anos observando uma só pessoa. Planejando ações de vigilância do território onde vive, garantindo sua proteção contra ameaças externas. Nenhuma palavra trocada. Todo contato consistindo em fornecer alguns objetos que poderiam ser úteis para a sua sobrevivência. É esse o trabalho realizado pela Funai na Terra Indígena (TI) Tanaru, onde vive o indígena isolado popularmente conhecido como o "índio do buraco".

 

A Frente de Proteção Etnoambiental Guaporé (FPE Guaporé) é a unidade da Funai responsável pelo monitoramento dos seus processos de ocupação e pela proteção da TI Tanaru. Esse trabalho é realizado constantemente. Periodicamente a FPE Guaporé alterna ações de monitoramento da TI Tanaru com ações de vigilância do entorno de seu território, garantindo sua proteção.

 

Quando há a presença confirmada ou possível de povos indígenas isolados fora de limites de terras indígenas, a Funai se utiliza do dispositivo legal de Restrição de Uso (interdição de área), amparando-se no artigo 7.º do Decreto 1775/96; no artigo 231 da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988; e no artigo 1.º, inciso VII da Lei nº 5371/67, visando a integridade física desses povos em situação de isolamento, enquanto se realizam outras ações de proteção e tramitam processos de demarcação de terra indígena.

 

A atual delimitação da TI Tanaru foi estabelecida em 2015, por meio da Portaria do Presidente da Funai de número 1040 de 16 de outubro, que prorrogou a interdição de área por mais 10 anos. A área demarcada possui 8.070 hectares. Não obstante, as primeiras interdições de área ocorreram já na década de 1990, logo após a confirmação da existência do índio isolado da TI Tanaru.

 

É bastante traumático o histórico do povo indígena ao qual pertence. Na década de 80, a colonização desordenada, a instalação de fazendas e a exploração ilegal de madeira em Rondônia, provocaram sucessivos ataques aos povos indígenas isolados que até então viviam nessas regiões, num constante processo de expulsão de suas terras e de morte.

 

Após o último ataque de fazendeiros ocorrido nos finais de 1995, o grupo que provavelmente já era pequeno (a partir de relatos, a equipe local acreditava serem seis pessoas) tornou-se uma pessoa só. Os culpados jamais foram punidos. Em junho de 1996, a Funai teve finalmente o conhecimento da existência e da traumática história deste povo, a partir da localização de acampamento e outros vestígios de sua presença. Quando a Funai finalmente confirmou sua presença, já havia apenas uma pessoa. No entanto, outros indícios anteriores levaram os servidores a crer que ali residia um grupo maior.

 

Nos últimos 10 anos, a Funai realizou 57 incursões de monitoramento do indígena e cerca de 40 viagens para ações de vigilância e proteção da TI Tanaru. Até a presente data a FPE Guaporé localizou 48 moradias, documentadas conforme a metodologia da Funai. Ao longo do tempo, foram registradas várias imagens suas, obtidas por acaso, durante as ações da FPE Guaporé no interior da TI Tanaru. Mesmo com uma equipe reduzida, a Funai não mediu esforços para estar presente, vigiando o entorno e monitorando suas condições de vida. "A gente sempre sabe mais ou menos em qual igarapé e em qual parte da terra indígena ele se encontra. Monitoramos ele de longe", afirma Altair Algayer, Coordenador da FPE Guaporé. Há mais de 5 anos não se observam invasões de madeireiros, desmatamentos e nenhuma outra presença de pessoas estranhas dentro dos limites da área.

 

A partir da confirmação da presença dele, em 1996, a Funai realizou algumas tentativas de contato, mas logo recuou ao perceber que não era da vontade dele. A última tentativa ocorreu em 2005. Deste então, os servidores que o acompanham deixam apenas algumas ferramentas e sementes para plantio em locais que ele passa frequentemente. Por volta de 2012, a Funai registrou algumas roças de milho, batata, cará, banana e mamão plantadas pelo indígena, que vive basicamente desses alimentos e da caça.

 

O que surpreende os servidores que acompanham a trajetória do indígena isolado da TI Tanaru é a sua vontade de viver. Para Altair, "Esse homem, que a gente desconhece, mesmo perdendo tudo, como o seu povo e uma série de práticas culturais, provou que, mesmo assim, sozinho no meio do mato, é possível sobreviver e resistir a se aliar com a sociedade majoritária. Eu acredito que ele esteja muito melhor do que se, lá atrás, tivesse feito contato".

 

Compete à Funai, por meio CGIIRC e das CFPEs, garantir aos povos isolados o pleno exercício de sua liberdade e das suas atividades tradicionais, disciplinando o ingresso e trânsito de terceiros em áreas em que se constate a presença de indígenas como Tanaru, tomando as providências necessárias à proteção desses povos.

 

Assista ao vídeo registrado pela FPE Guaporé.

 

 

Ana Carolina Aleixo Vilela - ASCOM/FUNAI

Com informações da CGIIRC e FPE Guaporé

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