Funai publica estudo da Terra Indígena Kaxuyana-Tunayana

katxuyana1Nessa terça-feira (20), mais um estudo de identificação e delimitação de Terra Indígena foi publicado no Diário Oficial da União. Dessa vez, referente à Terra Indígena (TI) Kaxuyana-Tunayana.

A área, de cerca de 2 milhões de hectares, localiza-se nos municípios Nhamundá (AM), Oriximiná (PA) e Faro (PA), e é de ocupação tradicional dos povos indígenas Kaxuyana, Tunayana, Kahyana, Katuena, Mawayana, Tikiyana, Xereu-Hixkaryana, Xereu-Katuena, entre outros, além de índios isolados que, segundo dados colhidos pela Frente de Proteção Etnoambiental Cuminapanema, constituem três diferentes grupos, que precisam ter suas áreas de perambulação e moradia garantidas.

 

 

População

 

Segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, realizado em 2010, a população indígena contatada totalizava 575 pessoas e, atualmente, distribui-se em 17 aldeias. É interessante destacar que o local onde se situa cada aldeia define, de certa maneira, o pertencimento de um indivíduo a um grupo étnico. Assim, por exemplo, os moradores do rio Cachorro são classificados como Kaxuyana, enquanto os do rio Turuni são classificados como Tunayana ou Katuena.

 

Há, também, uma intensa circulação de pessoas entre essas diversas aldeias, motivada tanto pela rede de alianças matrimoniais como pela realização de festas e rituais. Dessa forma, na Terra Indígena Kaxuyana-Tunayana, há uma unidade cultural muito ligada a uma unidade territorial.

 

 

Retirada forçada

 

De acordo com registros históricos, esses povos indígenas estão presentes na região pelo menos desde o século XVIII, embora tenha havido um período de esvaziamento demográfico forçado no final da década de 1960, fato que foi recentemente publicado no II Relatório da Comissão Nacional da Verdade (CNV - 10/12/2014). O Estudo comprova que os índios no Brasil também foram vítimas de violações dos direitos humanos dos mais diversos tipos na época da ditadura militar, dentre as quais, as remoções forçadas de suas terras, visando à implementação de projetos considerados de segurança nacional e 'desenvolvimentistas' para a Amazônia. Essas violações representaram, para as populações, mudanças na cultura, língua, modo de vida e base territorial, além de tê-las forçado a abrir mão destes seus patrimônios materiais e imateriais.

 

Outros fatos históricos também afetaram o modo de vida tradicional desses povos. No início da década de 1960, missionários evangélicos americanos levaram boa parte dos índios Tunayana para uma missão no Suriname. Enquanto isso, muitos Kaxuyana morreram devido a uma grande epidemia de varíola e sarampo e, após esse incidente, parte deles foi levada para uma Missão Tiriyó, no Parque do Tumucumaque, reunindo-se aos índios Tiriyó.

 

Separados e vivendo junto a povos que não falavam sua língua, numa região de savana (e não de floresta, na qual estavam habituados), os Kaxuyana nunca abandonaram o desejo de um dia regressar ao seu lugar de habitação tradicional e, no final da década de 1990, começaram a regressar. Já os Tunayana, que tinham sido levados para o Suriname, também voltaram para o lado brasileiro.

 

 

Papel fundamental na preservação ambiental

 

Protetores do meio ambiente, esses grupos desenvolveram uma complexa forma de relação com a natureza, manejando seus recursos de forma a garantir os itens necessários à sua sustentabilidade. Um exemplo disso é que sua área total constitui, junto a outras áreas de conservação, o maior mosaico de Áreas Protegidas do mundo.

 

Os indígenas utilizam, fundamentalmente, os rios da região, Nhamundá, Mapuera, Cachorro, Trombetas, Turuni, Kuhá e Kaspakuro, como local do qual obtêm seus principais recursos de sobrevivência por meio da caça, pesca, coleta, obtenção de material para construção de casas e cestarias, além de usar suas águas como caminho para se locomoverem.

 

A TI Kaxuyana-Tunayana é, hoje, muito preservada, havendo pouca ação humana que altere o equilíbrio do meio ambiente. A forma de ocupação tradicional dos índios e suas atividades produtivas foi a grande responsável pela manutenção desse ecossistema equilibrado. A demarcação da TI tem importância crucial para o bem-estar e satisfação das necessidades de reprodução física e cultural dos povos que nela residem.


Destaques

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Há menos de 20 dias do início de 2019 e algumas instituições de ensino superior do país já estão envolvidas em diferentes fases dos processos seletivos específicos para admissão de alunos indígenas. Encerram hoje (18) as inscrições para o Vestibular 2019 do curso de Licenciatura Intercultural Indígena - Teko Arandu da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).

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Nomeado pelo Diário Oficial da União (DOU) nessa quarta-feira (16), o presidente da Fundação Nacional do Índio, Franklimberg de Freitas, tomou posse hoje (17) no Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. A ministra Damares Alves fez questão de ressaltar que a nomeação de Freitas não se deve a nenhuma indicação política, mas ao seu perfil técnico e sua paixão pela causa indígena.

class=O general do Exército Brasileiro Franklimberg de Freitas reassumiu a presidência da Fundação Nacional do Índio nessa quarta-feira (16). A nomeação foi publicada na edição extra do Diário Oficial da União (DOU). Freitas, que toma posse hoje, pediu exoneração do cargo em abril de 2018, após presidir o órgão por quase um ano.(Acompanhe aqui parte do trabalho desenvolvido por ele durante o período em que presidiu a Funai).

 
 
 

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