Povo Krenak desocupa Estrada de Ferro Vitória a Minas

Foto 2Após reunião realizada na tarde de ontem, 16/11, com a presença de representantes da Funai e da Procuradoria Federal Especializada da Advocacia Geral da União (PFE/AGU), os indígenas Krenak decidiram liberar o trecho da Estrada de Ferro Vitória a Minas que ocupavam desde a última sexta-feira, no município de Resplendor – MG.

 

A VALE se comprometeu a apoiar emergencialmente as 126 famílias indígenas prejudicadas pela contaminação do Rio Doce, com o fornecimento de água para consumo humano e animal de forma imediata e ininterrupta, suplementação alimentar para os animais, apoio financeiro às famílias indígenas, destinação de recursos para ações de saúde, além da aquisição de duas embarcações de pequeno porte. A empresa também se comprometeu a realizar a instalação de 120 cisternas, nos moldes dos programas governamentais, e de uma cerca ao longo da margem do rio no interior da Terra Indígena.

 

O apoio emergencial, contudo, não exime a empresa da responsabilização pelos danos ambientais e sociais causados, que terão ainda sua extensão apurada.

 

 

Ocupação

 

Desde sexta-feira, indígenas Krenak ocuparam os trilhos de um trecho da Estrada de Ferro Vitória a Minas, localizado no município de Resplendor, no vale do Rio Doce, em Minas Gerais. O movimento foi uma resposta à contaminação do rio que, agora atingido pela lama espessa de rejeitos da Mineradora Samarco, atravessa a área indígena e compromete a sobrevivência de 126 famílias.

 

Lideranças Krenak tentaram negociar exaustivamente com representantes da Vale e da Samarco desde o rompimento da barragem em Mariana – MG, ocorrida no dia 05 de novembro, sem sucesso.

 

A Funai, por meio de sua Coordenação Regional em Minas Gerais e Espírito Santo, esteve no local juntamente com representante da Procuradoria Federal Especializada, para verificar as demandas dos indígenas e realizar os encaminhamentos emergenciais junto à empresa, em especial quanto à necessidade imediata de fornecimento de água.

 

O Coordenador Regional da Funai em Minas Gerais e Espírito Santo esteve em contato, desde a última quinta-feira, com representantes da Samarco e da Vale, cobrando o envio de água mineral e potável. Na sexta-feira, entretanto, um caminhão pipa vazio foi enviado à aldeia, aumentando a revolta dos indígenas, que decidiram ocupar os trilhos da ferrovia. No dia seguinte, um caminhão sem certificação foi enviado à Companhia de Saneamento de Minas Gerais (COPASA), que se recusou a abastecê-lo devido ao risco de contaminação.

 

Mesmo com todos os esforços das lideranças indígenas, representantes da Funai e da Procuradoria Federal Especializada, somente na noite de sábado foram disponibilizados alguns galões de água mineral. Um caminhão pipa com água potável só chegou à aldeia no domingo, juntamente com caixas d'água para realizar o armazenamento. As caixas foram disponibilizadas em um único ponto da terra indígena, que possui seis aldeias distantes umas das outras. A empresa não se responsabilizou pelo transporte interno das caixas d'água e dos galões de água mineral, que foi realizado por motorista em veículo da Funai, em conjunto com os indígenas.

 

 

Ações da Funai

 

Foto 3A Funai reafirma seu compromisso na defesa dos direitos do povo Krenak à justa compensação, de forma imediata e permanente, frente aos danos materiais e imateriais causados pela ação da mineradora.

 

A Diretoria de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável, por meio de suas Coordenações Gerais de Gestão Ambiental, Promoção ao Etnodesenvolvimento e Promoção dos Direitos Sociais fará uma visita técnica com profissionais de diferentes áreas à Terra Indígena, a partir da qual serão avaliados os impactos sofridos pelo povo Krenak. O relatório técnico subsidiará o acompanhamento da situação atual, do cumprimento dos termos do acordo firmado e das ações de compensação a serem realizadas pela mineradora.

 

Texto: Mônica Carneiro/ASCOM

Colaboração e Foto: Thiago Fiorott

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