Dia do Cinema Xavante: aprendizagem e troca em Nova Xavantina

diadocinemaxavante1Na última quarta-feira, 18, a equipe da Funai em Nova Xavantina - MT organizou o Dia do Cinema Xavante. Durante o evento, realizado no auditório da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), foram exibidos três filmes curta-metragem, seguidos de debate com os seus realizadores. O Dia do Cinema Xavante foi uma primeira experiência de mostra audiovisual sobre os povos indígenas na cidade de Nova Xavantina, e faz parte do projeto Cinema nas Aldeias Xavante: ver, ouvir e debater.

 

O projeto, que vem realizando exibições de documentários com temática indígena em aldeias das Terras Indígenas Parabubure, em Campinápolis/MT e Ubawawe, em Santo Antônio do Leste/MT, é executado pelas Coordenações Técnicas Locais da Funai em Nova Xavantina e Campinápolis. Apoiado pelo Museu do Índio, prevê, ainda, a produção de uma caixa com os filmes exibidos para distribuição em todas as escolas indígenas das terras Xavante.

 

O público presente no auditório da Universidade era composto principalmente por estudantes e professores universitários e por estudantes Xavante do ensino fundamental e médio. Para o deslocamento dos indígenas, a Secretaria Municipal de Educação, parceira no projeto, disponibilizou ônibus escolar. Segundo os realizadores, os jovens Xavante estavam animados não só pela participação em evento sobre seu povo, mas também porque, para muitos deles, era a primeira vez em que entravam no campus daquela universidade.

 

O primeiro filme exibido foi "Índios no Poder", de Rodrigo Siqueira, que estava presente no evento. "Índios no Poder", recém lançado, aborda a questão da representatividade política dos povos indígenas no Congresso Nacional. O diretor acrescentou, durante o debate, que a crise de representatividade no Congresso não é só dos povos indígenas, mas de toda a população brasileira.

 

O cineasta estava curioso para saber a reação do povo Xavante ao assistir, no filme, a homenagem ao único deputado federal indígena eleito, o Xavante Mário Juruna. Renhinimá, mulher Xavante presente no evento, disse que foi o filme que mais gostou na noite e que gostaria de passar o filme em sua aldeia para que seus familiares soubessem mais sobre a história do parlamentar.

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Em seguida, foi exibido o filme "Uma Casa Uma Vida", do coletivo Raiz das Imagens, representado no evento por Alexandre Lemos, que produziu não só o filme, mas também a experiência com bio-construção em aldeias Xavante que o filme registrou, em 2013. A exibição do curta deixou claro que a luta pela autodeterminação e valorização cultural dos povos indígenas vai além da manutenção da língua materna e dos rituais, e perpassa por todas as relações sociais e de produções da vida, como a própria habitação. Nesse sentido, Alexandre Lemos contou que um dos objetivos do filme foi promover um debate crítico nas comunidades Xavante sobre as políticas públicas governamentais, quando aplicadas de forma generalizante. Como exemplo, destacou o programa Minha Casa, Minha Vida, estendido aos povos indígenas muitas vezes sem considerar de fato suas especificidades.

 

Por fim, foi exibido o filme "Tsõ'rehipãri – Sangradouro", de 2009, que conta a história do povo Xavante da aldeia Sangradouro, desde o contato até os dias atuais, e os desafios da nova geração para o futuro. O diretor Divino Tserewahu, um dos mais experientes cineastas Xavante, apresentou o filme comovido, pois seria a primeira vez em que o assistiria após a morte de sua mãe, que aparece na película. No curta, a mãe deixa a mensagem: "A minha imagem nunca vai acabar depois que eu morrer".

 

A preocupação dos anciãos da aldeia Sangradouro sobre a continuidade de aspectos da cultura Xavante, retratada no filme, gerou debate entre os participantes ao final das exibições. Divino mencionou que sua maior preocupação é registrar o que está vendo, ter o poder de contar uma história, e dar voz à palavra dos anciãos através do cinema.

 

 

Na televisão

 

Antes do Dia do Cinema Xavante, os diretores participaram do programa televisivo Alô Xavantina, transmitido pelo SBT local. Na televisão, os diretores tiveram a oportunidade de narrar suas trajetórias e a temática dos filmes exibidos. "A televisão atinge mais pessoas do que o próprio evento e pudemos divulgar a produção audiovisual indígena para além do Dia do Cinema. Tivemos, na cidade, a presença de cineastas comprometidos, como o Divino Tserewahu, que é um cineasta Xavante que participa de festivais dentro e fora do Brasil, enquanto na sua própria região não é reconhecido" contou Maíra Ribeiro, servidora da Funai que organizou o evento.

 

Colaboração: Maíra Ribeiro


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