Resposta à Carta Capital

Em resposta às matérias "Guerra e omissão na Amazônia" e "Omissão da Funai pode ter levado a conflito violento no Vale do Javari", de autoria do jornalista Felipe Milanez, publicadas pela revista e site da Carta Capital no dia 19 de novembro, a Funai esclarece que:

 

A Coordenação Geral de Índios Isolados e Recém Contatados (CGIIRC) atua em 12 frentes, protegendo 26 grupos, em área de aproximadamente 31 milhões de hectares, onde trabalham 140 profissionais. Hoje, no Brasil, há 97 registros de grupos indígenas isolados, como são chamados aqueles que não estabeleceram contatos frequentes ou intensos com a sociedade nacional, sendo que, destes, 26 foram localizados. Além do trabalho de proteção destes grupos, a equipe atua na localização das referências das demais populações isoladas não localizadas. É de conhecimento do Ministério da Justiça, do Congresso Nacional e da opinião pública que acompanha a questão indígena que a Coordenação Geral de Índios Isolados e Recém Contatados da Funai possui severas limitações orçamentárias e de recursos humanos. Apesar disso, o profundo compromisso, a dedicação e a competência dos servidores envolvidos em tais tarefas têm permitido uma proteção efetiva das populações isoladas.

 

Um dos principais alicerces da política de proteção aos povos indígenas isolados consiste na proteção de seus territórios, o principal elemento necessário à reprodução física e cultural dessas populações. É para garantir esse direito que a Funai conta com 12 Frentes de Proteção Etnoambiental que trabalham exclusivamente com indígenas isolados e recém-contatados. Essas frentes estão localizadas nos estados do Mato Grosso, Maranhão, Pará, Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima. As equipes lotadas nessas unidades realizam atividades de pesquisa de campo e levantamentos etno-históricos para dimensionar e identificar o território, além de ações de proteção, vigilância e fiscalização das terras indígenas.

 

Terra Indígena Vale do Javari e conflitos interétnicos

 

A Terra Indígena do Vale do Javari, no estado do Amazonas, possui área de 8,4 milhões de hectares, com cerca de 4,5 mil índios de contato permanente e dois grupos de recente contato, além de 16 grupos de índios isolados. O Coordenador Geral de Índios Isolados e Recém Contatados, Carlos Travassos, trabalhou nesta área por dois anos e conhece bem a região. Por este envolvimento e a própria política adotada por esta instituição, é inaceitável a suposta acusação de omissão com relação ao contato ocorrido com o grupo Korubo.

 

O citado conflito entre os grupos Matis e Korubo ocorreu ao final de 2014, no mês de dezembro. Na época, a Funai agiu prontamente, e apoiou a mudança de aldeia dos Matis após o conflito. A Funai intensificou os diálogos com o povo Matis e pactuou cinco atividades de trabalho com eles.

 

Entre as atividades realizadas pela Funai, destacam-se: o apoio para a formação de uma nova aldeia Matis, oficinas sobre o mapeamento dos territórios Korubo e sobrevoos para identificar a área ocupada por grupos Korubo. Além disso, visando à produção e qualificação da informação, foi contratada consultoria da antropóloga Dra. Beatriz Matos, com o objetivo fornecer mais subsídios à CGIIRC.

 

Ao término da quarta atividade, referente ao sobrevoo da aérea, foi estabelecido o contato pelos Matis com o grupo Korubo isolado, em setembro de 2015. Sobre esta questão, informamos que esta Fundação respondeu rapidamente àquela situação de emergência, deslocando e mantendo de imediato uma equipe de 12 pessoas no local onde ocorreu.

 

Com relação especificamente ao contato ocorrido no final de setembro de 2015, provocado por indígenas Matis na TI Vale do Javari, detalhamos que:

 

i) Ao final do dia 26/9, o Coordenador Regional da CR Vale do Javari, em contato com o Coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental, foi informado do contato de 10 indígenas Korubo, provocado por indivíduos Matis nos arredores da aldeia Tawaya, às margens do rio Branco. Após ajustes logísticos e de comunicação junto ao DSEI – Javari (SESAI) e à Funai Sede, foi dado início à execução do Plano de Contingência para Situações de Contato, e uma equipe foi deslocada à região, onde chegou no dia 29.

 

Destaques

class=Preocupados com as perdas culturais sofridas durante os 47 anos de contato com os não índígenas, os Paiter Suruí criaram o Museu Paiter A Soe (coisas de Paiter). O museu foi inaugurado no último dia 19/7, na aldeia Gapgir,...

class=Foi realizada, na noite de terça-feira (20), a ação de reintegração de posse do Museu do Índio, que estava ocupado por manifestantes desde a quarta-feira, 13. A reintegração foi determinada pela Justiça Federal segundo a...

class=Falar de Patrimônio Cultural é falar de voz, de representação, de identidade, de busca por reafirmar um lugar no mundo. São 63 anos de existência do Museu do Índio. 

 
 
 

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