Resposta à Carta Capital

 

ii) Durante 14 dias, essa equipe composta por 12 pessoas, entre servidores da SESAI e da Funai, realizou reuniões junto aos Matis das aldeias Bukuwak e Tawaya, e entre os grupos Korubo então contatados, com o objetivo de pacificar a atual relação de disputa política e territorial entre os dois povos indígenas. Os servidores da Funai destacaram, a todo momento, o dever institucional da autarquia em assumir o contato estabelecido, e o compromisso de dar autonomia aos grupos Korubo sobre as decisões relativas ao pós-contato. A equipe, após identificar os pensamentos divergentes e avaliar os riscos, traçou como primeiro passo da estratégia de atuação montar um acampamento independente para os servidores, fora da aldeia Tawaya, de onde pudessem passar a protagonizar a relação de confiança com o grupo Korubo recém-contatado.

 

iii) No primeiro momento da expedição, foi confirmada a presença de 10 Korubo no acampamento, sendo três homens adultos, duas mulheres adultas, um jovem e quatro crianças. Foi iniciado o atendimento dos indígenas, com a avaliação das condições de saúde e coleta de sangue para análise de malária, o isolamento e o tratamento aos que apresentavam sintomas de gripe e de conjuntivite.

 

iv) Na tarde do dia 7/10, a equipe foi informada pela radiofonia do Tawaya sobre o contato com um segundo grupo Korubo, de onze pessoas, sendo um idoso, uma idosa, um adulto jovem, duas mulheres – com duas crianças em fase de amamentação, estando uma delas grávida – e outras quatro crianças, sendo um menino e três meninas. O segundo grupo foi levado ao mesmo acampamento onde se encontravam os demais Korubo.

 

v) Os trabalhos que se seguiram concentraram-se na estabilização da saúde dos Korubo, nas entrevistas e consultas aos membros do grupo e no planejamento dos próximos passos do contato. A atuação da equipe se pautou na iniciativa em assumir o comando das ações nesse contato após a atuação dos Matis e em consultar os Korubo sobre os seus interesses após essa situação de contato e conflito. Para tanto, foram estabelecidas metodologias que possibilitassem à equipe de saúde uma atuação sem interferências e que conseguisse cumprir o isolamento para o tratamento dos indígenas. Em seguida, o foco foi deslocado à escuta dos Korubo, na intenção de que sua voz fosse considerada nas decisões subsequentes.

 

vi) Com relação às informações que relatam uma "guerra tribal" mencionada superficialmente no texto em referência, a Funai esclarece que está levantando informações junto aos Korubo sobre o motivo do ataque aos Matis na roça da aldeia Todowak, ocorrido no final de 2014, e a confirmação se houve revide ou não por parte dos Matis. Em dois momentos, os Korubo confirmaram o ataque aos Matis que, segundo eles, foi motivado pela morte de uma criança recém-nascida por doença e por recusa dos Matis na entrega de bens. Noutro momento, relataram como foi o revide dos Matis e informaram pelo menos oito mortes. Há sobreviventes do ataque no grupo.

 

vii) Ressalte-se que o conflito entre os grupos ocorreu no final de 2014, entretanto, muito antes disso, desde 2009, a Funai vem priorizando o acompanhamento das questões vinculadas às relações interétnicas, assim como ao compartilhamento ou contiguidade de territórios entre esses grupos, tendo essa questão como prioridade nos planejamentos dos últimos cinco anos da Frente de Proteção Etnoambiental Vale do Javari (FPEVJ). A Frente vem executando inúmeros projetos e atividades voltados à proteção dos grupos indígenas isolados da região.

 

viii) Diante do exposto, consideramos que a equipe composta por servidores da Funai e da Sesai, trabalhando de forma coordenada, conseguiu concretizar o isolamento epidemiológico e o efetivo acompanhamento indigenista do grupo Korubo, constituído por 21 pessoas. Foram adotados procedimentos metodológicos de pós-contato desenvolvidos a partir da experiência acumulada dos contatos anteriores. Assim sendo, a Funai considera que, mais uma vez, sua equipe desempenhou com competência as funções de proteção dos índios isolados.

 

Sobre o grupo indígena recém-contatado próximo ao Igarapé Xinane, no rio Envira, estado do Acre, denominado pelo jornalista por "sapanawa", que estabeleceu contato com o grupo indígena Ashaninka em 2014, a Funai esclarece que os desafios da política de pós-contato são complexos, mas por suas ações busca superar as heranças tutelares e assistencialistas de outrora.

 

Desde o início do contato, com o inestimável apoio do povo Jaminawa e Ashaninka, a equipe da Frente Proteção Etnoambiental Envira tem se pautado por uma política de respeito à autonomia do grupo indígena, e, por consequência, sobre a escolha da localidade de suas novas cupixawas (casas coletivas). Não obstante, a unidade reativou a Base Avançada de Proteção Etnoambiental Xinane, e foram abertos roçados voltados para a alimentação da equipe. Ao contrário do que foi divulgado, não foi confirmado pela Sesai o caso de pneumonia no indígena Kama, que se encontra nesse momento em bom estado de saúde.

 

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