Resposta à Carta Capital

 

A orientação da Frente de Proteção Envira é respeitar a soberania e a segurança alimentar do povo indígena de recente contato, fortalecendo os roçados, a caça, a coleta e a pesca, e evitando, sobretudo, que seja estabelecida uma relação de dependência dos indígenas com a Base da Funai.

 

Em outubro de 2015, um grupo composto por sete indígenas deslocou-se para a Base de Proteção Etnoambiental do Douro (BAPE Douro), na Terra Indígena Alto Tarauacá, no município de Jordão (AC). Caracterizados por elevada mobilidade e acostumados a percorrer longos trechos de caminhada na floresta, especialmente no período de verão, não causa estranhamento que os indígenas tenham se deslocado para essa outra base. Além disso, a região do rio Jordão, onde se encontra a Base do Douro, é área de ocupação tradicional desses indígenas, já ocupada pelos mesmos, inclusive antes do contato. Assim, ao contrário do que foi divulgado, a mudança voluntária dos sete indígenas não aconteceu em função da falta de alimentação, mas sim em função da dinâmica das famílias que compõem este povo. Observa-se que 28 indígenas continuam vivendo em seus roçados, próximos à BAPE Xinane, em cupixawas construídos pelos indígenas com o auxílio da FPE Envira.

 

Também, cabe ressaltar que a despeito de toda a complexidade e adversidades enfrentadas em uma situação de pós-contato, o prognóstico usual de disseminação de epidemias ou conflitos mais graves não tem se confirmado nesse caso, onde não há, até o momento, registro de óbito provocado pelo contato. Ao contrário, conta-se com o registro de um novo nascimento, já na BAPE Xinane, no mês de fevereiro.

 

Sobre a suposta crise na Coordenação Geral de Índios Isolados, destacada pelo jornalista, que teria advindo, segundo a reportagem, da manifestação de alguns sertanistas e indigenistas, a respeito desse ponto a Funai declara que respeita e compreende a preocupação de profissionais que dedicaram suas vidas à defesa dos direitos indígenas. Com eles serão sempre mantidos os canais de diálogo. A respeito dos sertanistas foi publicada outra informação inverídica, no trecho "os dois grupos foram recebidos pelo presidente da Funai João Pedro da Costa, em reunião que também estava presente Gilberto Azanha, do CTI e Conrado Otavio, coordenadores do projeto de cooperação". Informamos que essa reunião conjunta nunca ocorreu.

 

Sobre as supostas denúncias de parceria da Funai com o Centro de Trabalho Indigenista (CTI), queremos reafirmar que esta entidade tem décadas de contribuições à defesa dos povos indígenas no Brasil. A tentativa de criminalização das contribuições de entidades da sociedade civil para a defesa dos povos indígenas tem sido recorrente e sempre marcada por informações distorcidas e superficiais. Ainda, que a parceria firmada com o CTI ocorreu dentro de Acordo de Cooperação Técnica, seguindo todos os trâmites normativos vigentes e está sujeita ao acompanhamento dos órgãos de controle competentes.

 

Além do já exposto, ressalta-se o caráter falacioso da informação de que o Coordenador Geral Carlos Travassos "ordenou" que servidores experientes se deslocassem para acompanhar uma equipe de documentaristas na TI Piripkura. A Frente de Proteção Etnoambiental Madeirinha Juruena, localizada no Mato Grosso, é coordenada pelo Sr. Jair Candor, que é realmente um dos "mais experientes sertanistas da Funai" em atividade. A equipe do documentário "Terra Rasgada" solicitou, desde outubro de 2014, uma permissão para gravar o trabalho de campo do Sr. Jair Candor, a fim de documentar a história dos três últimos sobreviventes do grupo Piripkura. Após a tramitação do processo administrativo legal, a equipe foi à região e nenhum servidor foi deslocado para acompanhar os documentaristas. Ao contrário, foram os documentaristas que acompanharam o trabalho já realizado pela Frente da Funai.

 

É lamentável e irresponsável mencionar um conflito ocorrido em dezembro de 2014, a 1.200 quilômetros de distância, para atacar a gravação de um documentário que certamente contribuirá para a conscientização da questão indígena. É importante destacar que o Sr. Jair, que estava desenvolvendo com responsabilidade suas atividades, jamais esteve no Vale do Javari. Após o contato ocorrido em 2015, a Funai deslocou para a Terra Indígena Vale do Javari, o servidor Fabricio Amorim, Coordenador de Proteção e Localização de Índios Isolados, que coordenou e atuou naquela unidade por mais de seis anos, além de outros profissionais e equipe médica, como mencionamos.

 

Destacamos ainda que ações de comunicação da Funai têm procurado parcerias para documentar e dar visibilidade à existência dos índios isolados e ao trabalho realizado pela instituição. Dessa forma, acompanhou o trabalho realizado por Miriam Leitão e Sebastião Salgado sobre os Awá Guajá no Maranhão, assim como inúmeros outros, incluindo o trabalho de fotógrafos, parceiros e colaboradores. O Coordenador Geral Carlos Travassos não conhece e jamais teve contato com o fotógrafo Lunaé Parracho, citado na reportagem. O jornalista Felipe Milanez também já foi autorizado a entrar em terras indígenas, inclusive manifestou no passado o interesse em fazer um documentário sobre a temática dos Piripikura, mas nunca chegou a concretizar esta intenção até a sua transferência para Coimbra, em Portugal, onde se encontra. Ressaltamos que esta política de documentação é sempre criteriosa e contribui para o trabalho de sensibilização da sociedade brasileira em relação à riqueza das culturas indígenas e à necessidade imperiosa de sua proteção.

 

Gostaríamos de esclarecer, ainda, que a Funai só agora se manifestou sobre a matéria porque o coordenador Carlos Travassos e o Presidente João Pedro da Costa encontravam-se em agenda no Maranhão, na Terra Indígena Arariboia, que sofreu um grave incêndio, destruindo mais de 200 mil hectares, o que exigiu o deslocamento dos dirigentes até a área.

 

Por fim, informamos que, em nenhum momento, a Funai se negou a conceder entrevista para a matéria. No entanto, ao procurar esta Fundação para que se pronunciasse, o repórter não concedeu prazo razoável. O jornalista entrou em contato com a Assessoria de Comunicação da Funai ao final do expediente de sexta-feira (13 de novembro). A assessoria retornou respondendo que o Presidente da Funai, Sr. João Pedro Gonçalves, atenderia ao pedido de entrevista ao repórter na quinta-feira (19 de novembro), e que não teria agenda antes disso, pois estaria viajando para fora do Brasil. No entanto, o repórter, sem primar pela apuração das informações, respondeu que não esperaria a entrevista da Funai, uma vez que deveria publicar o artigo na quarta-feira (18 de novembro).

 

Esperávamos que uma reportagem como a proposta pelo Felipe Milanez devesse prezar pela apuração acurada e pela diversidade de pontos de vista, diante de um assunto tão complexo. Ainda, o repórter deveria estar produzindo tal reportagem há bastante tempo e por que nos procurou, com posições já bem formuladas mesmo sem ouvir a Funai, apenas há tão poucos dias antes de fechar a matéria? O que ocorreu foi que ele não esperou para confirmar as informações/opiniões que já tinha com a Funai e publicou uma matéria cheia de equívocos, atentando contra um princípio básico do jornalismo, a checagem dos dados, colocando em xeque, inclusive, a credibilidade do veículo Carta Capital.

 

Fundação Nacional do Índio

Brasília, 26 de novembro de 2015

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