Faleceu ontem líder do povo Akuntsú, em Rondônia

 

Em 1986, com objetivo de proteger os grupos indígenas isolados e remanescentes dos massacres, Sydney Possuelo, então Assessor da Presidência da Funai, encaminhou proposta de interdição da "Área Indígena Igarapé Omerê", que culminou na publicação da Portaria nº 2.030/E/1986, de 11 de abril de 1986, assinada pelo então Presidente da FUNAI José Apoena Soares de Meirelles.

 

Esse ato administrativo interditou uma área de cerca de 63.900 ha, incidente em terras ocupadas pelas fazendas Yvypytã e Guarajus, para fins de estudos, definição e atração dos índios, vedando o ingresso de não-indígenas na área interditada sem expressa autorização da FUNAI e determinando "a imediata retirada de pessoas não-índias e estranhas aos grupos indígenas, especialmente aquelas que exploram a área".

 

Entretanto, mesmo com a publicação da Portaria de Interdição a FUNAI continuou enfrentando sérios problemas para atuar na região, sendo impedida, inclusive, de entrar na área para realizar os estudos necessários de localização dos índios isolados e apurar as denúncias. A retirada de madeira foi intensificada e as ações para demarcação dos lotes do Incra só aumentavam o fluxo de pessoas na região. A inoperância do Estado na proteção dos isolados culminou na consolidação da ocupação de grandes fazendas e do avanço do desmatamento no território totalmente ocupados pelos índios isolados, reduzindo a pequenos trechos de mata nativa os refúgios dos grupos sobreviventes.

 

Apesar desse fato, os indigenistas Marcelo dos Santos e Altair Algayer, este hoje Coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental Guaporé, e o primeiro aposentado, não desanimaram e mantiveram as expedições de localização dos isolados.

 

Após enfrentar diversos impedimentos impostos pelos fazendeiros, sem apoio político ou financeiro, a equipe da Frente de Contato Guaporé liderada por Marcelo, finalmente entrou em contato com dois grupos indígenas isolados na região do vale do Rio Omerê: em setembro de 1995, foram contatados quatro indígenas da etnia Canoê (duas mulheres e dois homens), falantes da língua Canoê, que não encontra parentesco genético com nenhuma outra. Em outubro do mesmo ano, a apenas 10 km do aldeamento Canoê, foi encontrado outro grupo indígena denominado Akuntsú, composto por sete indivíduos (dois homens e cinco mulheres) falantes de uma língua derivada da família Tupari.

 

O contato com os índios Akuntsú e Canoê, na região do Omerê, devastada por frentes de colonização nacional e a exploração desenfreada perpetuada por não-índios, demonstra a persistência desses grupos em sobreviver diante da opressão a eles imposta, sobretudo ao longo da década de 1980. De acordo com os dados levantados à época do contato, os índios se refugiavam entre manchas de florestas, que restavam do enorme desmatamento e da degradação ambiental empreendida pelos proprietários rurais e madeireiros em todo o vale do Corumbiara.

 

Colaboração: Leila Burger

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