Nota de Pesar pela morte do professor Marcondes Namblá

É com imenso pesar que a Funai lamenta o violento assassinato do professor Xokleng Marcondes Namblá, de 38 anos, espancado em Penha, no Litoral Norte de Santa Catarina, na madrugada do dia 1º de janeiro. Ao ser atacado diversas vezes de forma brutal, o professor faleceu dia dois no hospital Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí.

 

Namblá era egresso do curso de Licenciatura Indígena da Universidade Federal de Santa Catarina e lecionava na Escola Indígena de Educação Básica Laklãnõ. Exercia forte liderança junto à comunidade indígena e era juiz na organização política do povo Xokleng. O professor pretendia ingressar no Mestrado em Antropologia e continuar suas pesquisas e projetos sobre a infância e as implicações sociolinguísticas e identitárias de seu povo.

 

A perda de Marcondes Namblá representa falta irreparável não só à esposa, aos cinco filhos que deixa e ao seu povo, mas a todo o país, que perde um importante pesquisador e compartilhador da riqueza cultural Xokleng.

 

Mobilizados em prol da solução do caso, os servidores da Funai da Coordenação Regional Litoral Sul, juntamente com a Coordenação Técnica Local em José Boiteaux, fizeram o levantamento das informações junto ao Corpo de Bombeiros e a Sesai e buscaram pelos relatos das testemunhas. Após informarem o fato às autoridades policiais federais, acompanham a investigação já aberta pela Polícia Civil de Piçarra, dispondo-se a prestarem o apoio necessário. Houve, ainda, contato com a Procuradoria Federal Especializada da Funai em Chapecó solicitando intervenção formal cabível junto às instâncias policiais e judiciais competentes.

 

O falecimento de Namblá, que viajou de sua aldeia para o litoral com o objetivo de vender picolés e complementar o salário que ganhava como professor, provocou, ainda, o desabafo dos servidores, que expressaram a difícil realidade da população indígena local na luta pelo compartilhamento do espaço urbano na região.

 

Diante disso, a Coordenação Regional tem trabalhado arduamente pela promoção do direito à permanência digna dos indígenas nesses espaços, conscientizando a população e autoridades locais por meio de cartilhas e rodas de conversa, representando os interesses dos povos indígenas junto às prefeituras para que haja acolhimento digno aos que se deslocam às cidades, entre outras ações, visando à valorização e ao respeito à presença dos povos Guarani, Xokleng e Kaingang nos espaços públicos.

 

Namblá se vai, mas deixa a força para a continuação do fazer indigenista na busca pela garantia dos direitos dos povos originários.

 

Contribuição: Jairo Almeida (CTL em José Boiteaux), Marlinda Telles, Luis Felipe Bueno e Juliano Aberladino (CR Litoral Sul)

Destaques

class=Próximo ao Parque Nacional do Araguaia e a cerca de 300 km da capital do Tocantins, Palmas, vive o Povo Krahô-Kanela, que tem realizado um importante trabalho de proteção dos rios Formoso e Javaés, em seu território. Para coibir a recorrente exploração ilegal da água feita por empreendimentos agrícolas, os Krahô realizam a fiscalização permanente da Terra Indígena Mata Alagada. (Imagem da capa: exploração ilegal de água no território indígena. Foto: Wagner Krahô-Kanela/Associação Apoinkk)

class=A Funai vem a público se posicionar em relação às informações veiculadas na mídia sobre um suposto conflito em que indígenas da região de Brasnorte teriam recebido o exército com flechas.

class=Com o objetivo de garantir a participação dos indígenas no projeto PREVBarco e qualificar o atendimento de acordo com as especificidades dessa população, a Fundação Nacional do Índio (Funai) e o Instituto Nacional do...

 
 
 

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