Funai comemora empoderamento das mulheres indígenas e inovação com coordenação específica de gênero

 

LeticiaLetícia Yawanawa, assim como Telma, ressalta o caráter colaborativo do movimento de mulheres indígenas. Coordenadora da Organização das Mulheres Indígenas do Acre, Sul da Amazônia e Noroeste de Rondônia – SITOAKORE, é enfática ao declarar: "A gente, como movimento de mulheres, não quer competir. A gente quer fazer parte em todos os sentidos em qualquer posição. A gente se capacita cada vez mais para ocupar o nosso espaço. Queremos estar junto e somando com nossa luta, com nossas ideias, não competindo com nossos líderes ou tomando seu espaço, mas estando junto com eles".

 

Ao falar sobre o desafio mais marcante que já enfrentou por ser mulher indígena, Yawanawa se lembra dos 500 anos de resistência dos povos indígenas, em Santa Cruz Cabrália/BA, no ano 2000. Junto às lideranças, de mãos dadas e cantando, ela, uma das poucas mulheres que estavam no local, diz se lembrar do grande número de policiais e saber que, naquela ocasião, poderiam ter que enfrentar alguma situação hostil. Mas a partir de então, ela começou a participar das mobilizações e retomadas em prol das causas indígenas.

 

Ao definir o que é ser mulher indígena em posição de liderança, Letícia faz sua definição a partir de um olhar acolhedor e de responsabilidade com a comunidade e com os povos indígenas com os quais tem contato: "Ser mulher indígena em posição de liderança é estar lidando com várias situações. Aí você passa a conhecer um pouco a situação dos homens e das mulheres. A gente como mulher, quando vai para as aldeias, vê que muitas esperam pela gente, esperam pelo pouco que a gente faz. Tem tantos parentes, mesmo de outros povos, mas tem tanto carinho, tem tanto respeito, então aquilo faz com que a gente saia um pouco desse costume e tradição de mulher só cuidar de filho e tudo. Você quer cada vez mais ajudar, quer resolver. Então é isso: uma situação de liderança é você acolher um pouco de várias situações".

 

Letícia também levanta a característica inspiradora da mulher Yawanawa: a vontade de tomar posição em suas lutas e liderar. Ressalta que foi o primeiro povo a ter uma pajé (Raimunda Putani Yawanawá), uma mulher que pisou pela primeira vez em um terreno sagrado em que, anteriormente, não podia pisar. Ela aponta a importância de compartilhar esse caráter de liderança das Yawanawá com outras mulheres indígenas: "Isso a gente leva com muita humildade pra outras mulheres pra dizer: Eu sou mãe, eu sou vó, eu sou esposa, mas eu também estou aqui, junto com o homem. Então isso pra nós faz muita diferença: a gente mostrar isso para as outras mulheres".

 

 

Elas para Elas

 

mulheres XavanteAs histórias de luta das mulheres indígenas também inspiram as indigenistas da Funai que trabalham com a pauta. O tempo de atuação na área é diferente para Maíra Ribeiro e Léia Rodrigues, mas as diferentes experiências levam as duas a uma só conclusão: é um privilégio trabalhar junto às mulheres indígenas.

 

Maíra Ribeiro, que atua há dois anos na coordenação das atividades que a Coordenação Regional Xavante desenvolve junto às mulheres desse povo, tem prazer ao mencionar os encontros que a Funai apoia junto à comunidade. Desde 2014, 10 encontros foram realizados nas terras indígenas promovendo um espaço de diálogo e interação com até 80 mulheres em cada um. A indigenista ressalta que as atividades para as mulheres Xavantes tem que ser dinâmicas, porque "elas são de ação", como se refere Maíra.

 

"Ao trabalhar com mulheres, é o nosso espaço e o espaço delas, no qual podemos ter a cumplicidade de trabalhar e nos entender. Tem sido muito bom ter contato com elas. Sendo mulher e tendo a oportunidade, diria até o privilégio, de trabalhar com mulheres, já é muito enriquecedor, porque você tem que pensar para o seu trabalho, a sua própria condição de mulher enquanto trabalhadora e pessoa", aponta a indigenista ao se referir ao seu trabalho com as Xavante.

 

A servidora carrega em sua memória momentos marcantes das experiências que vivenciou: "As mulheres são muito tímidas e, em geral, têm muita vergonha de falar. Mas elas encontram outras formas de se expressar, e isso é muito especial. Uma vez, no encerramento do Encontro na TI Pimentel Barbosa, enquanto entregava o certificado de participação para uma jovem, ela deixou na minha mão um colar de tiririca, virou e sentou-se no meio das demais. Não consegui nem agradecer e, na verdade, no meio de tantas pessoas, mal consegui ver quem foi que me deu, mas esses pequenos gestos, além de serem gratificantes para mim, considero como uma forma de avaliação positiva do evento por aquelas que não costumam falar muito".

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