Funai comemora empoderamento das mulheres indígenas e inovação com coordenação específica de gênero

 

Maíra ressalta, ainda, que a postura reservada das Xavante não pode ser confundida com passividade: "Elas se levantam para colocar sua posição quando é necessário e são trabalhadoras incansáveis", define a indigenista.

 

 

LeiaLéia Rodrigues, Coordenadora-Geral de Promoção da Cidadania na sede da Funai em Brasília, trabalha com a pauta das mulheres há 10 anos. Indígena Wapichana, ela conta que as características que mais admira nas mulheres indígenas é o fato de escutarem mais, terem paciência, firmeza, delicadeza, coragem e pensarem no coletivo.

 

"A Funai é uma universidade, através dela vivenciei experiências que arrisco dizer que jamais vou vivenciar por meio de outra instituição. Atuar junto aos diversos povos indígenas do Brasil é gratificante, me moldou no pessoal, profissional, na minha religiosidade; amadureci, aprimorei os meus conceitos e percepções, me tornei mais sensível e humana frente às diversas realidades, passei a escutar mais e falar menos, a me desdobrar para entender mais. Acessar o mundo de outras mulheres indígenas é um desafio gratificante, me sinto mais mulher indígena. Penso que para trabalhar com os povos indígenas precisa se despir por completo", declarou Léia.

 

 

Cogen: apoiando o protagonismo das mulheres indígenas

 

Atenta ao crescimento da participação feminina no movimento indígena, a Funai apresenta inovação em políticas públicas para mulheres ao ser o primeiro órgão a criar uma coordenação específica voltada aos assuntos de gênero dentro de um recorte, o indígena. Após a Oficina de Capacitação e Discussão sobre Direitos Humanos, Gênero e Políticas Públicas, em 2002, com a participação de 41 mulheres de diferentes povos, a pauta de gênero se intensificou na Funai.

 

A Coordenação de Gênero, Assuntos Geracionais e Participação Social (Cogen) surgiu primeiramente como Coordenação das Mulheres Indígenas vinculada à presidência da Funai, em 2007, e hoje se trata de uma divisão da Coordenação-Geral de Promoção à Cidadania – CGPC. Fortalecer as organizações de mulheres indígenas, apoiar a participação de lideranças indígenas femininas em instâncias de decisão do governo federal acerca de políticas públicas, apoiar eventos de mulheres sobre troca de saberes e o papel da mulher indígena na vida de sua comunidade, com enfoque intergeracional, estão no escopo de atuação da Coordenação.

 

A Cogen tem em seu histórico diversas atuações em eventos de suma importância às questões da mulher indígena ao longo desses anos, entre eles os 13 Seminários participativos sobre a Lei Maria da Penha, envolvendo 457 mulheres indígenas, de 2008 a 2010, que gerou como resultado a elaboração de documento com as propostas das mulheres para serem incluídas no Estatuto dos Povos Indígenas e a realização de seminários com os homens indígenas sobre as leis estatais e principalmente a Lei Maria da Penha.

 

Para o alcance dos objetivos e metas da Coordenação foi necessária a construção de conceitos de gênero e geracional com os povos indígenas, que são úteis para nortear de forma geral a atuação da Funai, mas não suficientes para a realização do trabalho com as mulheres, crianças, jovens e anciões indígenas, pois não contemplam as especificidades, as diferenças e a diversidade desses segmentos. Deste modo, a Funai tem atuado sob a perspectiva de gênero a partir das experiências adquiridas junto às mulheres indígenas, através de diversas atividades desenvolvidas ao longo dos anos.

 

O trabalho da Funai passou a considerar que gênero pode ser identificado no conjunto de relações, atitudes, papéis, ações e representações que envolvem homens e mulheres; dizem respeito a como o feminino e o masculino são construídos, como organizam, classificam e se fazem presentes nas relações sociais, envolvendo pessoas, grupos e sociedade de modos diversos. Gênero é construído social e culturalmente, portanto, o gênero é variável segundo diferentes sociedades, grupos, tempos históricos; seus sentidos podem variar e se transformar.

 

Apoiando financeira e tecnicamente as iniciativas e eventos de mulheres indígenas, a Cogen tem fortalecido essas organizações e dado visibilidade e voz às mulheres indígenas para lutarem pelos seus direitos, promovendo encontros de formação e informação, com o objetivo de capacitá-las para tal.

 

 

Em 2018: II Encontro do Espaço Nacional de Diálogo das Mulheres Indígenas – ENDMI

 

Entre os eventos realizados pela Cogen está o II Encontro Nacional de Diálogo das Mulheres Indígenas, uma parceria com a ONU Mulheres, Secretaria de Políticas para Mulheres - SPM e Embaixada da Noruega.

 

Este ano, o evento acontecerá entre os dias 2 e 6 de abril, em Lábrea-AM, e estarão reunidas representantes de diversos organizações indígenas, algumas compostas somente por mulheres.

 

Destaques

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A Terra Indígena (TI) Kaxuyana/Tunayana é de posse permanente dos povos originários. A portaria publicada pelo Ministério da Justiça na última quinta-feira (20) declara posse permanente da área, localizada entre o estados do Pará e Amazonas, aos povos Kaxuyana, Tunayana, Kahyana, Katuena, Mawayana, Tikiyana, Xereu-Hixkarayana, Xereu-Katuena e três grupos de indígenas isolados que vivem na região.

class=Ocorreu, nesta segunda (17) e terça-feira (18), no Palácio do Itamaraty em Brasília/DF, o Seminário Internacional sobre Metodologias e Instrumentos de Mensuração da Cooperação Internacional, organizado pela Agência...

Posto Ikpeng - Foto: Mário Vilelaclass=Começou ontem (17), na Sede da Funai, em Brasília, a I Oficina sobre o Papel da Funai na Saúde dos Povos Indígenas, que tem como prioridade a elaboração de uma Instrução Normativa (IN) sobre o tema.

 
 
 

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