Estudantes indígenas ganham as universidades

awaEm menos de sete anos, a quantidade de indígenas matriculados nas universidades cresceu mais de cinco vezes. O aumento na procura por formação acadêmica entre os povos indígenas deve-se a necessidade de formar profissionais qualificados e inseridos em contextos políticos e socioculturais e que ainda colaborem com a luta pela conquista da autonomia e da sustentabilidade de seu povo.

 

Em 1997, quando entrou para o curso de Filosofia, na Universidade de Brasília (UnB), Awámirm Tupinambá, 42, era um dos poucos estudantes indígenas que frequentava a instituição. Ele lembra como era raro encontrar um "parente" circulando pelos corredores. Hoje, mais de 20 anos depois, essa realidade mudou. Aluno de pós-graduação em Antropologia Social, na mesma universidade em que se graduou como filósofo, ele constata que a presença de indígenas passou a ser frequente. "Aumentou, sim. É visível. Abrimos espaço e conquistamos as universidades. As ações afirmativas realmente surtiram efeito", avalia.

 

A mudança no tecido social das universidades brasileiras está nos relatórios do último Censo da Educação Superior, divulgado pelo Ministério da Educação em 2017. A pesquisa mostra que o número de indígenas matriculados em instituições públicas e privadas cresceu 52,5% de 2015 para 2016, passando de 32.147 para 49.026.

 

O dado é mais representativo se levado em conta o histórico do Censo, que passou a contabilizar a presença de estudantes por raça/cor a partir de 2009. Em menos de 7 anos, a quantidade de indígenas matriculados anualmente nas universidades cresceu mais de cinco vezes. No início da contagem eram apenas 7.960. Importante ressaltar que somente a partir de 2015 passou a ser obrigatório declarar a raça, o que possibilitou um retrato mais fiel da presença dos indígenas nas universidades.mapa

 

A Fundação Nacional do Índio (Funai), órgão vinculado ao Ministério da Justiça, informou que até o final dos anos 1980, a instituição era a única responsável pela oferta da educação escolar indígena. Na época, a demanda era de apenas 200 estudantes em todo Brasil. Mensalidade, material didático, hospedagem e alimentação eram por conta da própria Funai.

 

Caminho difícil

 

A partir de 1990 o quadro mudou. Hoje, várias universidades públicas e privadas possuem convênios com a Funai para garantir o acesso desses estudantes ao Ensino Superior. A UnB foi uma das primeiras a firmar convênio com a Fundação e o Ministério da Educação (MEC).

 

A prática teve início em 2004, e funciona da seguinte forma: um teste seleciona aqueles que demonstrem vínculo com suas comunidades indígenas para vagas adicionais em diversos cursos. As provas são aplicadas em diferentes lugares do Brasil, para facilitar o acesso da comunidade indígena. Só no ano de 2017 foram ofertadas 72 vagas, em 17 cursos.

 

Atualmente, existem na UnB 51 estudantes indígenas nos cursos de graduação e 21 na pós-graduação (Mestrado e Doutorado). Em 2017 entraram 16 novos alunos na UnB por meio do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e no vestibular de 2017, os cursos com maior procura foram Medicina, Psicologia, Direito e Enfermagem.

 

Luta por direitos

 

Um desses alunos de graduação é Poran Potiguara, que veio da Paraíba estudar Engenharia Florestal. Aos 28 anos e no último semestre do curso, ele conta que o caminho que um indígena tem que percorrer para se formar costuma ser bem mais difícil. "Quando chegamos à universidade, precisamos nos adaptar. É um choque cultural", explica Poran.

 

Ele também reclama do método de ensino, que é muito teórico. "Nossa vida e os ensinamentos que recebemos ao longo dela não são assim. Na aldeia a vivência é prática. Então acabamos tendo que estudar muito mais para poder dar conta do conteúdo", acrescenta.

 

poranPara ele, o que traz enorme responsabilidade é a necessidade de "fazer política" dentro da universidade. "Não estamos aqui apenas para estudar. É necessário valorizar e mostrar a nossa luta, pois se não tivéssemos pedido respeito e exigido nossos direitos, não estaríamos aqui. As vagas que temos hoje foram conquistadas com muita luta. Apenas entrar e não levantar bandeira, não debater, não se mostrar, seria injusto. Nós temos um compromisso com a comunidade que deixamos e para onde regressaremos", destaca.

 

Destaques

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A Terra Indígena (TI) Kaxuyana/Tunayana é de posse permanente dos povos originários. A portaria publicada pelo Ministério da Justiça na última quinta-feira (20) declara posse permanente da área, localizada entre o estados do Pará e Amazonas, aos povos Kaxuyana, Tunayana, Kahyana, Katuena, Mawayana, Tikiyana, Xereu-Hixkarayana, Xereu-Katuena e três grupos de indígenas isolados que vivem na região.

class=Ocorreu, nesta segunda (17) e terça-feira (18), no Palácio do Itamaraty em Brasília/DF, o Seminário Internacional sobre Metodologias e Instrumentos de Mensuração da Cooperação Internacional, organizado pela Agência...

Posto Ikpeng - Foto: Mário Vilelaclass=Começou ontem (17), na Sede da Funai, em Brasília, a I Oficina sobre o Papel da Funai na Saúde dos Povos Indígenas, que tem como prioridade a elaboração de uma Instrução Normativa (IN) sobre o tema.

 
 
 

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