IV Encontro Nacional de Agroecologia promove compartilhamento de experiências em comunidades indígenas

ENA2Servidores da Funai e mais de 100 indígenas de 35 povos diferentes participaram do IV Encontro Nacional de Agroecologia – ENA, na cidade de Belo Horizonte-MG, entre os dias 31 de maio a 3 de junho.

 

Sob tema Agroecologia e Democracia: unindo campo e cidade, a 4ª edição do ENA contou com plenárias, debates, feiras de temas diversos, vivências, mutirões e intervenções e reuniu trabalhadores do campo e representantes das comunidades tradicionais para discutir e trocar experiências sobre desafios e avanços do campo agroecológico brasileiro.

A Funai, em articulação com diversos povos indígenas entre Guarani, Apurinã, Kaingang, Terena e outros, participou ativamente do evento, tendo em vista a relação intrínseca existente entre práticas tradicionais indígenas e agroecologia.ENAultima

A ocasião também foi propícia a reflexões sobre os rumos atuais da política indigenista no Brasil e a importância da demarcação de territórios.

Jairã Santos, um dos participantes do evento e morador da Terra Indígena Tingui Botó, acredita que o ENA evidenciou ainda mais as potencialiades produtivas dos povos indígenas e abriu espaço para o compartilhamento de experiências que, segundo ele, "retratam apenas uma pequena parte do que está acontecendo nas comunidades e que não temos a oportunidade de socializar."

 

Para Jairã, os povos indígenas são precursores do que hoje se convenciona chamar de agroecologia. "Precisamos protagonizar de forma mais organizada todos os espaços que envolverem essa tematica", completou. 

 

Plenária Indígena

Durante a Plenária do dia 2, cuja pauta foi construída de maneira coletiva entre servidores e indígenas, houve exposição de dez experiências agroecológicas nos territórios, norteadas pela cosmovisão indígena para construção do bem social. Práticas tradicionais que reforçam a tradição milenar de uso, produção e consumo de alimentos orgânicos foram apresentadas por meio de experiências diversas entre produção de pequi e extração de óleo, conservação, multiplicação e circulação de sementes tradicionais; recuperação de áreas degradadas; implantação de agroflorestas; apicultura e meliponicultura; instalação de viveiros; cultivo de medicinais; experiências agroecológicas no ambiente escolar; fortalecimento das relações sociais por meio da troca de sementes entre a comunidade; monitoramento territorial por meio do resgate dos cultivos tradicionais e outras.

Posteriormente, propôs-se debate sobre política indigenista e o papel da Funai nesse contexto e em diálogo com as variadas atividades agrícolas dos povos tradicionais.

Leiva Martins, Coordenador de Fomento à Produção Sustentável da Coordenação-Geral de Promoção ao Etnodesenvolvimento (CGEtno), contextualizou a situação do órgão indigenista e destacou a capacidade técnica do quadro de servidores: "Mesmo diante das dificuldades, o órgão conta com um corpo técnico qualificado e comprometido com suas finalidades, o que nos dá a esperança de continuidade de suas ações. Garantir essa continuidade passa pelo fortalecimento da instituição, e também pelo apoio dos povos indígenas e de suas organizações".

Na ocasião, a Funai distribuiu materiais de cunho informativo aos indígenas: cartilhas sobre o Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI), sobre o Selo Indígenas do Brasil e o livro do curso Agricultor Agroflorestal na Promoção da Autonomia Terena.

Tendas de Construção da Agroecologia nos Territórios

15 tendas possibilitaram mostra de experiências em biomas brasileiros. Dentre as indígenas, destacou-se a desenvolvida pela Organização Caianas, do povo Terena, na tenda do bioma pantanal. O trabalho da Organização, apoiado pela Funai com recurso do projeto de Gestão Ambiental e Territorial Indígena – GATI, visou promover o resgate e fortalecimento da Agroecologia Terena.

O povo Terena convidou, ainda, indígenas e demais interessados a participarem do Agroecoindígena, encontro bianual em Miranda-MS que conta com encontro de xamãs, troca de sementes, exposição de etnovariedades e visitas às experiências agroecológicas em aldeias. A próxima edição do evento está programada para junho de 2019.

 

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