Povo indígena de recente contato visita Brasília

povodoxinanecapaCinco indígenas do povo de recente contato do igarapé Xinane, do alto rio Envira, estiveram, pela primeira vez, em Brasília, na última terça-feira (3).

 

 

Oficialmente em contato, por iniciativa própria, desde 2014, conheceram a cidade de Feijó/AC, município em que está localiza a terra indígena em que habitam (Kampa e Isolados do Rio Envira), em agosto de 2017, e agora, com apoio da Coordenação de Frente de Proteção Etnoambiental (CFPE) Envira, visitaram a capital do país e a sede da Funai.

 

Marcus Boni e Lucas Viana, servidores da CFPE Envira, acompanharam Huwainuno, Kada, Txirimako, Xina e Hainu durante toda experiência. Boni, atual chefe da Base de Proteção Etnoambiental (BAPE) Xinane, explicou que, diante da demanda dos indígenas para conhecer esses novos espaços, a Funai tem se preparado para atendê-los, primando pelo cuidado que as experiências exigem. "A gente tem feito um trabalho educativo para que eles entendam como funciona a nossa sociedade e também contamos com o apoio da equipe da Sesai para o atendimento à saúde lá na Base. Agora que eles estão conhecendo a cidade, a gente tem esse cuidado para que não levem doenças para a comunidade deles", comentou o indigenista.

 

Viana acrescentou que a curiosidade dos jovens do povo do Xinane pelos centros urbanos levaram à iniciativa da Funai em promover uma espécie de intercâmbio para que, de forma segura, possam conhecer o mundo dos "dawa", termo que utilizam para se referirem aos não indígenas.

 

Os jovens conheceram o presidente da Funai e servidores das coordenações-gerais da Diretoria de Proteção Territorial e da Diretoria de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável. Na cidade, visitaram os principais locais que representam ou simbolizam as instituições do mundo dos "dawa".

 

Contato

 

Atualmente, o Povo do Xinane é composto de 36 pessoas que vivem em suas próprias moradias nas proximidades da BAPE Xinane, onde recebem atendimento da Funai e da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e impera um clima harmonioso de aprendizado constante e descobertas.

 

O contato com o Povo do Xinane ocorreu no final de junho de 2014 por total iniciativa dos próprios indígenas. Primeiramente, contataram índios Ashaninka na aldeia Simpatia da Terra Indígena (T.I.) Kampa e Isolados do Rio Envira. Em seguida, a Funai foi acionada e, em conjunto com a Sesai, começou a desenvolver ações de proteção e promoção dos direitos para o Povo do Xinane.

 

Até o momento, esse povo não apresentou uma autodenominação que possa ser conclusiva, por isso convencionou-se chamá-los de "Povo de Recente Contato do Xinane" ou simplesmente "Povo do Xinane", sendo esta uma referência de sua localização geográfica e não uma denominação de seu grupo étnico. Há, também, uma tendência dos grupos locais Pano de divisão e reagrupamento, onde lhes são atribuídos novos nomes. Sendo assim, para evitar possíveis equívocos, decidiu-se pela referência a eles como "povo indígena de recente contato do Xinane".

povodoxinanepresidente

 

Desde o estabelecimento do contato, a Funai, especificamente a Coordenação de Frente de Proteção Etnoambiental (CFPE) Envira, tem construído uma relação harmoniosa e condizente com as diretrizes constitucionais de respeito à autonomia e à autodeterminação do "Povo do Xinane", por meio de ações que minimizem os impactos do contato, bem como garantam a integridade física e territorial deste povo, sempre interferindo o mínimo possível em seu modo de vida tradicional.

 

Teve início, também, a reestruturação física da Base de Proteção Etnoambiental (BAPE) Xinane, com o objetivo de estabelecer diversos processos de apoio à subsistência e habitação mais adequados para o grupo de indígenas, seguindo padrões de sustentabilidade para a construção de um ambiente sadio e harmonioso. Para tanto, a CFPE Envira estabeleceu como prioridades as seguintes ações: a) diagnóstico sociocultural e das relações de parentesco e de afinidade; b) ações visando à segurança, autonomia alimentar e o estabelecimento de moradias tradicionais; c) monitoramento do atendimento à saúde e d) capacitação da equipe da CFPE Envira.

 

Intercâmbios e novas experiências

 

A interação deste povo de recente contato com os povos Ashaninka, Shanenawa, Jaminawa, dentre outros e com as equipes da FUNAI lhes desperta o interesse por conhecer novos locais.

 

Destaques

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A Terra Indígena (TI) Kaxuyana/Tunayana é de posse permanente dos povos originários. A portaria publicada pelo Ministério da Justiça na última quinta-feira (20) declara posse permanente da área, localizada entre o estados do Pará e Amazonas, aos povos Kaxuyana, Tunayana, Kahyana, Katuena, Mawayana, Tikiyana, Xereu-Hixkarayana, Xereu-Katuena e três grupos de indígenas isolados que vivem na região.

class=Ocorreu, nesta segunda (17) e terça-feira (18), no Palácio do Itamaraty em Brasília/DF, o Seminário Internacional sobre Metodologias e Instrumentos de Mensuração da Cooperação Internacional, organizado pela Agência...

Posto Ikpeng - Foto: Mário Vilelaclass=Começou ontem (17), na Sede da Funai, em Brasília, a I Oficina sobre o Papel da Funai na Saúde dos Povos Indígenas, que tem como prioridade a elaboração de uma Instrução Normativa (IN) sobre o tema.

 
 
 

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