Povo indígena de recente contato visita Brasília

 

Desde agosto de 2017, alguns indígenas do Povo do Xinane, especificamente alguns jovens do sexo masculino decidiram deslocar-se à cidade de Feijó/AC para conhecer onde e como os não indígenas vivem. Embora a CFPE tenha realizado um trabalho prévio de sensibilização e de esclarecimento sobre os riscos da viagem, sobretudo os epidemiológicos, o grupo decidiu seguir viagem utilizando-se de canoas próprias, com a ajuda de remos e varas percorrendo uma distância de 519 km em uma semana.

 

A CFPE Envira deslocou servidores para recebê-los e para realizar um intercâmbio, a fim de minimizar os impactos destes novos contatos que por ventura poderiam vir a ocorrer. Nesta linha, promoveu ações educativas, como visitas aos comércios locais para explicar o funcionamento das relações econômicas da cidade, bem como a outras instituições envolvidas nas relações sociais dos centros urbanos como escolas, aterro sanitário, delegacia, mostrando um pouco da dinâmica urbana.

 

Posteriormente, em ações planejadas pela CFPE Envira e principalmente atendendo à demanda de alguns indígenas do Povo do Xinane, houve novos intercâmbios, como visitas aos municípios de Rio Branco e Cruzeiro do Sul, bem como a participação na Conferência das Organizações Indígenas, realizada na TI Puyanawa.

 

Todas as ações executadas pela equipe foram baseadas em processos educativos e de sensibilização em relação aos riscos dos centros urbanos para um povo de recente contato.

 

O "Povo do Xinane" guarda profundas semelhanças culturais com os Yaminahua peruanos, os Chitonawa e os Mastanahua. Tais povos são conhecidos por interesse nas tecnologias dos "nawa" (não indígenas), como por exemplo, terçados, roupas, cachorros, motores para embarcações e etc. Nesta linha, estes deslocamentos fazem parte da própria dinâmica cultural deste povo, bastante afeitos às trocas de mercadorias e interessados em cultivar relações sociais e econômicas com as comunidades da calha do Rio Envira.

 

Além destes elementos de ordem cultural, outro fator bastante relevante é o perfil dos indígenas que se deslocam com mais frequência. São exatamente jovens do sexo masculino que não possuem perspectivas de terem esposas dentro de seu próprio grupo, já que todas as mulheres do Povo do Xinane já estão casadas ou não podem se casar devido às regras de parentesco próprias de sua cultura.

 

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Estratégias de comunicação

 

A comunicação com o Povo do Xinane é um grande desafio para a execução dos trabalhos da CFPE, tendo sido executada inicialmente com apoio de intérpretes indígenas das etnias Jaminawa e Shanenawa, ambas pertencentes à família linguística Pano, a mesmo do Povo do Xinane.

 

Mesmo com a intermediação dos intérpretes, os servidores se deparam com a complexidade que envolve explicação e compreensão de questões como a disponibilização de recursos por parte do Governo Federal, processos burocráticos necessários à aquisição de bens para atender as demandas coletivas, relações econômicas e outras.

 

Os intérpretes Jaminawa desempenharam um papel importante no atendimento à saúde, bem como em todo o processo de intermediação entre a FUNAI e o "Povo do Xinane" desde junho de 2014 à dezembro de 2017. Além deles, intérpretes da etnia Shanenawa, povo que vive na mesma calha do Rio Envira, passaram a participar dos trabalhos durante o ano de 2017.

 

Após a fase inicial do contato, avaliou-se que era necessário adotar outras estratégias para que os próprios servidores aprendessem a língua, possibilitando uma comunicação direta com os indígenas, fortalecendo sua autonomia e protagonismo. Desta maneira, a partir do ano de 2018, a Funai optou por atuar junto ao "Povo do Xinane" sem a presença permanente dos intérpretes.

 

Foi iniciada, então, a implementação do Projeto Salvaguarda do Patrimônio Lingüístico e Cultural do Povo do Xinane (UNESCO/Museu do Índio). Criado no intuito de auxiliar o aprendizado da língua do Povo do Xinane pelos servidores, o projeto foi desenvolvido com a participação de uma linguista especializada em línguas Pano, Lívia Camargo Souza, e resultará na elaboração de um dicionário multimídia, formado a partir de sessões de elicitação com o Povo do Xinane.

 

O Projeto Proteção Etnoambiental de Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato na Amazônia Brasileira (Fundo Amazônia) também vem somando para a capacitação da equipe de servidores. Já foram realizadas duas capacitações na área de Antropologia com a especialista Laura Perez Gil (UFPR).

 

O primeiro módulo ocorreu na cidade de Rio Branco (AC) entre os dias 23 a 27 de outubro de 2017, contando com a participação dos servidores da CFPE Envira e de professores da Universidade Federal do Acre (UFAC) e o segundo módulo ocorreu na BAPE Xinane, com servidores de campo da CFPE Envira, a equipe de saúde da SESAI, colaboradores de campo e lideranças indígenas que compartilham o território com os índios isolados e atualmente também com o povo do Xinane.

 

Destaques

class=Ocorreu, nesta segunda (17) e terça-feira (18), no Palácio do Itamaraty em Brasília/DF, o Seminário Internacional sobre Metodologias e Instrumentos de Mensuração da Cooperação Internacional, organizado pela Agência...

Posto Ikpeng - Foto: Mário Vilelaclass=Começou ontem (17), na Sede da Funai, em Brasília, a I Oficina sobre o Papel da Funai na Saúde dos Povos Indígenas, que tem como prioridade a elaboração de uma Instrução Normativa (IN) sobre o tema.

class=Entre os dias 21 e 23 de setembro de 2018 ocorrerá a 1ª Feira de Artesanato Indígena de Minas Gerais na cidade de Teófilo Otoni - MG, com objetivo de valorizar a cultura nativa regional.

 
 
 

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