Embaixador neozelandês visita Funai e ressalta parcerias bem-sucedidas com o Brasil

CHRISLANGLEY FUNAINa última quinta-feira (1º), o presidente da Funai, Wallace Bastos, e o embaixador da Nova Zelândia no Brasil, Chris Langley, compartilharam experiências sobre o trabalho dos dois países em prol dos povos originários.

 

Enquanto o Brasil lida com o desafio de promover e proteger os direitos de 305 etnias, a Nova Zelândia também se envolve na preservação étnica e cultural do único povo nativo do país, os Maori.

Bastos apresentou ao embaixador e sua equipe o trabalho da Funai no território nacional, enfatizando o comprometimento na demarcação  e na proteção das áreas de ocupação tradicional. "Cabe a nós garantir também as condições necessárias para que os indígenas vivam com dignidade nas regiões demarcadas", declarou o presidente.

Langley e Jaqueline Gil, assessora sênior de políticas públicas da embaixada, trouxeram como exemplos da relação de sucesso entre Brasil e Nova Zelândia na defesa e promoção da cultura e direitos dos povos originários a exposição Tuku Iho: Legado Vivo Maori, que apresentou a Haka (dança Maori), performances e artefatos culturais desse povo no Rio de Janeiro, em 2015, e a parceria entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade de Massey em prol da revitalização das línguas indígenas brasileiras com base no projeto Kohanga Reo (ninhos de língua), responsável pela incrível revitalização da Te Reo Māori, língua dos nativos neozelandeses.CHRISLANGLEY FUNAI3

 

Os resultados das iniciativas são os melhores. À época da exposição, os Maori que vieram ao Brasil esculpiram uma embarcação típica da região em que habitam. Os indígenas Kayapó foram responsáveis pelo entalhamento de grafismos construindo, em parceria com os Maori, um objeto único que traz em si a união artística de povos originários de continentes geograficamente opostos.

Já o Kohanga Reo, responsável pela considerável reversão da tendência de desaparecimento da língua Maori, foi inspiração para a doutoranda Kaingang Márcia Nascimento que, ao lado do professor Marcus Maia, também da UFRJ, e de Chang Wang, antropóloga do Museu do Índio, viajou rumo à Nova Zelândia para conhecer os métodos desenvolvidos pelos próprios Maori e aplicá-los em prol da revitalização da língua indígena Kaingang. O acordo trouxe, também, professores neozelandeses, alguns deles Maori, para conhecerem a Terra Indígena Nonoai, habitada pelos Kaingang no Rio Grande do Sul.*

Bastos e Langley terminaram o encontro falando sobre exemplos de turismo e produção em terras indígenas brasileiras que poderiam inspirar atividades semelhantes na Nova Zelândia. O embaixador também mostrou interesse em apoiar o Brasil na missão de garantir os direitos dos povos originários. Bastos mostrou-se grato e declarou que toda ajuda, seja técnica ou financeira, é bem-vinda.


 


Kézia Abiorana

Assessoria de Comunicação/Funai 

 

 

 

*Referência: NASCIMENTO, Marcia; MAIA, Marcus; WHAN, Chang. O ninho de língua Tu Roa de Otaki, Nova Zelândia. https://lefufrj.files.wordpress.com/2017/09/ninho-de-lc3adngua-tu-roa-de-otaki-maia-nascimento-chang.pdf > acesso em 06/11/2018

 

Destaques

class=O turismo é um setor da economia com muitas especificidades. Para se tornar uma atividade exitosa, na maior parte das vezes, depende da história, cultura e tradição de cada povo. As narrativas e peculiaridades de uma...

predio.jpgA nomeação de Rogério Guimarães para atuar na Diretoria de Administração e Gestão (DAGES), na última quinta-feira (14), completa a formação da nova equipe de diretores da Funai. Indicados pelo presidente Franklimberg de...

class=Começa hoje (20), no Rio de Janeiro, o Seminário Internacional sobre Atuação Indígena em Pesquisas Colaborativas e Valorização de Conhecimentos, uma co-produção da People's Palace Project e da Associação Indígena Kuikuro do Alto Xingu (AIKAX) com apoio da Funai, via Museu do Índio, Queen Mary University of London e Fundação Planetário do Rio. Pesquisadores indígenas e não indígenas de dez países se reúnem entre os dias 20 e 22 de março para discutirem questões como o papel da academia na construção de narrativas que considerem saberes e costumes de povos tradicionais, criação de abordagens que incluam e respeitem os povos ancestrais e outros assuntos. 

 
 
 

acesso-informacao

banner 02

logo-ouvidoria

banner 04

banner 05