Oficina de artesanato em miçangas promove compartilhamento de saberes tradicionais entre mulheres Guarani

CR LISE materiais artesanatoA aldeia Tekoa Pyau, na Terra Indígena Jaraguá, em São Paulo, foi a primeira a participar do projeto Artesanato em Miçangas - Mulheres indígenas, uma iniciativa da Coordenação Regional Litoral Sudeste desenvolvido com o apoio da Coordenação-Geral de Promoção da Cidadania (CGPC).

 

A oficina reuniu, entre 22 e 24 de outubro, cerca de 40 mulheres do território Jaraguá e envolveu 12 meninas, entre crianças e adolescentes, nas atividades desenvolvidas com apoio técnico da oficineira e facilitadora Yawapa Kamayurá. A indígena e artesã é natural da aldeia Kamayura do Parque Indígena do Xingu, no município de Gaúcha do Norte/MT, e detém conhecimentos tradicionais trazidos de sua longa vivência e aprendizado com mulheres mais velhas, como sua mãe e tias, em convívio comunitário.

 

A ideia é promover o compartilhamento de experiências entre saberes distintos - já que as mulheres Guarani Mbyá também carregam seus conhecimentos próprios no fazer artesanal com as miçangas - e estimular esse processo de reunião e de comunhão para a transmissão de conhecimentos entre gerações sobre o artesanato para, a partir de então, possibilitar o  diálogo natural entre as participantes e fortalecer sua autonomia e processos próprios de organização.CR LISE mulher micanga

 

A criação artesanal traz em si a tradição cultural e de, certa forma, conta parte da história de cada povo. A produção do artesanato em miçanga, muito embora seja uma prática Guarani comum entre as mulheres, enfrenta alguns obstáculos como a falta de acesso ao material, sobretudo às miçangas que são itens custosos para aquisição, e a dificuldade de manutenção da produção. Tudo isso ameaça a transmissão dos saberes, na medida em que esse conhecimento se repassa por meio da prática.

 

Parte das crianças e adolescentes, que espontaneamente participaram das atividades, relatou que aquela era a primeira experiência com a produção do artesanato em miçanga. A conclusão foi de que o projeto representou a oportunidade de uma religação com a produção deste conhecimento material e também de um primeiro contato para algumas pessoas que nunca haviam tido esta oportunidade, dando à oficina um caráter não só de fortalecimento das mulheres em torno de suas próprias práticas, mas também de formação aos mais novos.

 

CR LISE bebe micanga

 

A oportunidade da oficina de mulheres na aldeia Tekoa Pyau também representou a intenção de apoiar iniciativas que elas possuam interesse em protagonizar dentro de sua comunidade, buscando transpor as formas de invisibilização da mulher Guarani e importando às atividades suas características, como o seu tempo de trabalho, suas formas de organização, a disposição de todas as participantes muito próximas umas às outras, o acolhimento às crianças neste processo, enfim, traços que foram sendo desenhados por elas próprias durante os dias de atividade.

 

 

Espera-se que a compra dos materiais básicos à oficina seja apenas o pontapé inicial para atividades futuras que poderão vir a se desdobrar, seja no sentido de continuidade à prática artesanal com miçangas, como oficinas na área da economia solidária voltadas à capacitação das artesãs para venda e destinação de parte de recurso para compra de novos materiais, criação de uma logomarca das mulheres do Jaraguá, realização de exposições regionais com outras aldeias Guarani Mbyá e outras ideias de interesse das mulheres que colaborem para o crescimento do seu processo de autonomia, protagonismo e voz.

 

O projeto prevê mais duas oficinas na Aldeia Paranapuã, em São Vicente/SP, e Aldeia Araçá-Mirim, em Pariquera-Açu.

 

 

Coordenação Regional Litoral Sudeste

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