Etnoturismo é alternativa sustentável de renda para comunidades indígenas do Rio Negro

tapuruquara5A convivência com diferentes modos de existir costuma ser uma experiência transformadora. Para muitos, viajar não é só uma questão de escolha, mas uma verdadeira necessidade de alimentar a alma. Brasileiros e estrangeiros têm descoberto no turismo em terras indígenas vivências inesquecíveis, tão plurais quanto as especificidades desses povos ancestrais, que têm muito a dizer e a mostrar a quem se dispõe a ouvir e a observar.

 

Mais do que a possibilidade de visitar belezas naturais intocadas, o turista em uma terra indígena tem a oportunidade de entrar em contato com línguas, narrativas, conhecimentos e comidas antes restritas a populações originárias e a uma pequena parcela de não indígenas. Esse intercâmbio gera ainda outros desdobramentos, como afirma o Coordenador-Geral de Etnodesenvolvimento da Funai, Juan Scalia. "O turismo de base comunitária em terras indígenas fortalece a autonomia dos povos, propiciando uma alternativa de geração de renda com mínimos impactos ambientais e com uma distribuição mais justa dos lucros da atividade. Valorizar os diversos atrativos ecológicos e culturais, por outro lado, também contribui para a proteção dos territórios e fortalecimento das tradições", afirmou.

 

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A riqueza e variedade de experiências oferecidas pelos povos indígenas é tão imensurável quanto suas idiossincrasias, comparando-se apenas à capilaridade de sua presença no território brasileiro. Uma iniciativa de turismo na Amazônia, no entanto, tem chamado atenção ao refletir essa diversidade: Serras Guerreiras de Tapuruquara. Com a presença de oito povos na região - Baniwa, Baré, Desana, Dow, Kauyawí, Piratapuya, Tariana, Tukano -, esse caráter já seria contemplado por si só, mas não é o caso. 

 

A grandiosidade das sete Serras Guerreiras de Tapuruquara, localizadas no município de Santa Isabel do Rio Negro, no Amazonas, pode ser testemunhada a quilômetros, mas não se restringe a sua opulência visual. Segundo narrativas das populações locais, as serras seriam guerreiros estrangeiros que, muitos anos atrás, viriam guerrear contra povos locais, mas que viraram amontados colossais de pedra e ali estão até hoje. É nesse território sagrado para a cultura indígena, nas TIs Médio Rio Negro I e Médio Rio Negro II, que a imersão acontece.

 

A viagem pode ser realizada por meio de dois itinerários: Iwitera (serra) e Maniaka (mandioca). O primeiro roteiro tem perfil de aventura, enquanto o segundo se caracteriza por ser mais cultural. Ambos, todavia, oferecem experiências das duas naturezas. No Iwitera destacam-se as caminhadas, escaladas, canoadas e um pernoite na mata. No Maniaka, por sua vez, caracteriza-se por enfatizar práticas culturais, oficinas, artesanato, festas tradicionais e culinária. Outro aspecto que diferencia os dois trajetos é o acesso. Enquanto no Iwitera a ida se dá de barco - de Manaus para Santa Isabel do Rio Negro - e a volta de voo fretado, no Maniaka a dinâmica é inversa. Em 2019 serão testados itinerários independentes, com ida de barco e volta em voo regional. Cada roteiro dura até 10 dias.

 

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O processo que deu origem à iniciativa foi árduo e envolveu amplo esforço comunitário. Cleocimara Reis Gomes, do Povo Piratapuya, em 2014, era presidente da Associação das Comunidades Indígenas e Ribeirinhas – ACIR e esteve à frente desse processo. "A gente queria trabalhar com turismo, porque havia muitos invasores que praticavam pesca predatória em nossa área. Por aqui, transita todo tipo de transporte fluvial e, com isso, muitos invasores. Então nos juntamos com instituições parceiras para pensar o que poderia ser feito para controlar. Fomos de comunidade em comunidade perguntando como estava a situação. Articulamos uma assembleia que reuniu 150 pessoas de todas comunidades. Surgiram algumas propostas de desenvolvimento, e o turismo foi a alternativa escolhida pela maioria", relembra Cleocimara, enaltecendo o caráter comunitário que reflete na divisão e alocação dos recursos, que se dão através de um modelo de planilha aberta.

 

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Terminou na última sexta-feira (19), na aldeia Cartucho, município de Santa Isabel do Rio Negro (AM), divisa com a Colômbia e a Venezuela, mais uma etapa do Programa Sesai em Ação: Saúde Indígena Brasil Adentro!, que tem como objetivo apoiar a oferta de ações complementares à atenção básica e especializada de saúde em áreas de difícil acesso geográfico em benefício da população indígena, evitando, assim, o deslocamento de famílias para tratamento em centros urbanos. Este ano, o projeto, em parceria com a Funai, atendeu as 23 etnias indígenas que abrangem a jurisdição da Coordenação Regional do Rio Negro, incluindo os Yanomami.

class=A Funai prorrogou a data de entrega das propostas da Chamada Pública nº 001/2019 para o dia 26 de abril. Serão beneficiadas aldeias indígenas próximas aos municípios de Marabá e Itaituba (PA), Tabatinga (AM), Palmas (TO) e Imperatriz (MA). Os recursos para a instituição que será selecionada somam o total de R$ 500 mil.

 

 
 
 

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