Entrevista com a secretária Especial de Saúde Indígena, Sílvia Waiãpi


silvia bEm 2013 houve o incêndio da boate Kiss, e uma amiga minha havia ido para Santa Maria para passar a Lua de Mel. Essa minha amiga, a capitã Daniele Matos, faleceu com o marido dentro da boate. Naquela época foi feita uma força-tarefa de fisioterapeutas que pudessem trabalhar com a questão do envenenamento por gases. Essa é uma das especialidades da fisioterapia, que é a fisioterapia intensiva.

A resposta novamente foi bem clara para mim: eu não tinha experiência na área. Pensei que o nome da capitã Daniele Matos não podia ser esquecido. Que o nome de todas aquelas pessoas vítimas daquela tragédia não poderiam ser esquecidas. Então, tentei convencer os meus superiores. Em 2013, eu não consegui. Em 2014, não tive sucesso. Em 2015 também não tive sucesso.

O ano de 2016 foi quando eu me tornei chefe do Serviço de Medicina Física e Reabilitação do Hospital Central do Exército, então eu tinha o poder da caneta. Novamente eu fiz uma proposta de que nós formássemos a primeira turma da América Latina de fisioterapeutas especialistas na área de defesa química, biológica, radiológica e nuclear. Em março de 2017 nós formamos a primeira turma no Brasil, formada só por mulheres.

Então cada paciente tem uma importância. Foram coisas muito importantes que fizeram com que nós déssemos um passo muito grande na história da saúde, na história dos povos indígenas do Brasil para mostrar para o mundo que nós somos competentes, nós temos todas as condições de nos desenvolver. Nós somos inteligentes. Numa possibilidade melhor, numa posição melhor para mudar todas essas estatísticas que estão aí. Essa é a minha função, esse é o meu compromisso. Hoje tendo assumido a Secretaria Especial de Saúde Indígena, para mim não é um cargo, é uma missão. É isso que eu levo comigo.

Pergunta: Quais são os principais projetos que a senhora tem para esta missão?

Os principais projetos é fazer com que lá na base, o povo que está lá dentro da aldeia receba o melhor atendimento. O Ministério da Saúde tem proporcionado isso, tem proporcionado todas as verbas e todos os meios. Enquanto gestão, é promover isso. Promover que essa assistência realmente chegue. Que não fique apenas na área meio. Eu sei o quanto é difícil remover alguém de dentro de uma aldeia. Eu sei o quanto é difícil ver um familiar seu gravemente doente, precisar de auxílio e não ter.

A dor de quem está lá dentro da aldeia, essa dor também é minha. Se eu errar, é o meu pai que vai morrer lá dentro. Essa gestão vai ser feita com muita fiscalização, com muita cobrança e responsabilização seja de quem for. Nós vamos mudar a história da saúde no Brasil. Mas antes nós temos que consertar e limpar a casa.

Funai: A Funai e a Sesai serão parceiras na gestão da senhora?

A Funai é um dos pilares para essa construção da história da saúde indígena no Brasil. A saúde indígena antes era uma responsabilidade da Funai, que passou para a Funasa em outubro de 2010. Nós somos parceiros. Nós temos que andar de mãos dadas. O meu problema é o problema da Funai, e o problema da Funai é o meu problema. Porque as duas instituições trabalham com o bem estar, a segurança e a promoção da igualdade dos povos indígenas. São duas instituições parceiras que se não estiverem juntas, os povos indígenas serão prejudicados.

A minha proposta, assim como a proposta do presidente da Funai, é de que nós estejamos bem alinhados. Tanto que, após a publicação [da nomeação] no Diário Oficial, a minha primeira agenda oficial foi com o presidente da Funai.

Pergunta: A senhora é a primeira mulher indígena à frente da Sesai. Na sua opinião, por que o presidente Bolsonaro lhe indicou para esse cargo?

O presidente Bolsonaro me indicou para esse cargo porque ele tem certeza, e é o sonho da vida dele, de que os povos indígenas sejam donos do seu destino. De que povos indígenas tenham a oportunidade de crescimento, como qualquer outro cidadão comum. Ele entende que somos especiais sim, mas não no sentido da fragilidade. Mas especiais como o maior trunfo da história do Brasil. Somos um país com várias línguas, várias etnias. E justamente por isso, ele confiou a mim esta missão. Confiou a mim e a outros indígenas também essa oportunidade de fazer parte da história do Brasil no sentido de um crescimento, de uma valorização muito maior do que já tivemos algum dia. Foi o primeiro presidente da República que convocou uma mulher indígena para integrar sua equipe de transição de governo. E é o primeiro governo que confia a indígenas secretarias e instituições estratégicas no governo.

A Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) é dirigida por uma indígena, que é a Sandra Terena. A presidência da Funai está na mão de um descendente indígena que é o Franklimberg de Freitas. A Secretaria Especial de Saúde Indígena está nas mãos de uma mulher também. Então tenho a certeza de que este governo foi o único que de oportunidade de crescimento e voz aos povos indígenas.


Assessoria de Comunicação Social/Funai

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