Em Rondônia, intercâmbio dos recém contatados Kanoé fortalece a sobrevivência da etnia

KanoeA pedido do Povo Indígena Kanoé do Rio Omerê, constituído hoje de três pessoas: Txinamãty Kanoé (mulher de cerca de 45 anos), seu irmão Purá (40 anos) e seu filho Bukwá (17 anos), a Frente de Proteção Etnoambiental Guaporé, a Coordenação-Geral de Índios Isolados e de Recente Contato (CGIIRC) e a Coordenação-Geral de Promoção da Cidadania (CGPC) da Funai articularam, de 17 de julho a 5 de agosto, a realização de intercâmbio entre os Kanoé da Terra Indígena Rio Omerê e os Kanoé da TI Rio Branco, ambas localizadas no Estado de Rondônia.

 

O intercâmbio, que aconteceu na TI Rio Branco, foi acompanhado por uma equipe da Funai. O evento se dedicou principalmente a atividades de valorização das formas oral e escrita das línguas Kanoé e Portuguesa – esta última, uma demanda apresentada pelo grupo do Rio Omerê, dada a importância do domínio do idioma nacional para lidar com questões externas que interfiram em seu cotidiano. Além das oficinas de aquisição linguística mediadas por professores Kanoé, o intercâmbio também fomentou a troca de conhecimentos tradicionais e o fortalecimento de laços entre os dois grupos.

 

"Esse intercâmbio já aconteceu em 2014 e 2018. É um evento delicado, dado que o pequeno grupo Kanoé do Rio Omerê tem um conhecimento bastante incipiente dos códigos e modos de organização social fora de sua comunidade. Após a morte de Tutuá (a ña mũj, mãe de Txinamãty e Purá) em 2003, a família se fechou bastante em seu universo. Alguns anos depois perceberam que, apesar da barreira cultural e linguística, buscar relações com outros grupos é alimentar a expectativa de continuidade do grupo - especialmente em atenção a Bukwá, que tem apenas 17 anos. Garantir o apoio da Funai aos intercâmbios é imprescindível, tendo em vista que essas aproximações são a única alternativa de sobrevivência do grupo do Rio Omerê", afirma Altair Algayer, chefe da Frente de Proteção Etnoambiental Guaporé.

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As questões linguística e histórica têm extrema importância no atendimento aos povos de recente contato porque remonta à salvaguarda de diversos outros aspectos de sua dignidade e bem viver. Em outras palavras, reafirma-se que o reconhecimento de sua organização social e de sua cultura é fator determinante para a garantia dos demais direitos constitucionais que lhes são reservados, incluída a atenção às suas especificidades (no caso específico dos Kanoé do Rio Omerê, ressalta-se suas vulnerabilidades quanto à reprodução física e cultural). Assim, além de atividades como a do intercâmbio, a Funai também contribui com o registro do Kanoé a partir de iniciativas como o Projeto de Documentação de Línguas Indígenas, realizado pelo Museu do Índio.

 

Neide Siqueira, servidora na Coordenação de Políticas para Povos de Recente Contato, destaca que dentre as realizações e encaminhamentos institucionais discutidos no Intercâmbio Kanoé está a solicitação de contratação de professora Kanoé (TI Rio Branco) escolhida pelos indígenas para atuar junto ao grupo residente na TI Rio Omerê. "No período de três meses a cada semestre ela ensinará a língua Portuguesa enquanto aprende (reaviva) a língua Kanoé, que será ensinada como segunda língua para as crianças da TI Rio Branco (monolíngues em Português). A atuação da professora funcionará, portanto, como uma continuidade do Intercâmbio", explica a servidora da Funai.

 

A Coordenação de Políticas para Povos de Recente Contato (COPIRC/CGIIRC) também aproveitou a ocasião para coletar dados e informações para elaboração do Programa Akuntsu/Kanoé, instrumento específico para a garantia da realização de articulações interinstitucionais em favor do atendimento às especificidades desses povos indígenas de Recente Contato (ações de atenção à saúde, aos processos educativos, à gestão sustentável de seu território e segurança alimentar, e à sua governança).

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