Nesta semana a Funai traz a entrevista com o coordenador regional do Médio Purus, Cássio de Oliveira

purus b edCom atuação em uma área que cobre 146 aldeias na região do município de Lábrea, oeste do Amazonas, a Coordenação Regional do Médio Purus é a unidade da Funai responsável pelo atendimento de cerca de 9 mil indígenas dos povos Apurinã, Banawá, Deni, Hi-Merimã, Jarawara, Jamamadi, Paumari e Suruwaha. À frente da equipe da Funai na região, Cássio de Oliveira Pantoja é o entrevistado da semana.

 

Pergunta: Quais as ações da CR Médio Purus para a prevenção à Covid-19 nas aldeias?

Resposta: Nossa Coordenação Regional efetuou a aquisição e entrega de mais de 1.100 cestas de alimentos e 890 kits de higiene para os povos indígenas da região, sendo que 887 cestas foram adquiridas com recurso próprio e as demais foram doações. Houve também aquisição e entrega de kits de pesca para os povos Jarawara, Jamamadi, Deni e Paumari do rio Tapauá. Parte desses kits foi doada por órgãos parceiros, como empresas privadas. Todos os produtos foram entregues higienizados para as famílias em maior vulnerabilidade alimentar e social nas aldeias. A higienização contou com o apoio do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI).

purus c edA previsão é que a CR Médio Purus distribua outras 3.120 cestas compradas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) com recursos do Ministério da Família, da Mulher e dos Direitos Humanos (MMFDH). Para esta distribuição, vamos contar com o apoio do Exército. Também estamos trabalhando em parceria com os DSEIs Médio Purus e Alto Purus na instalação das barreiras sanitárias na Foz do rio Tapauá e na Terra Indígena Caititu (BR-230), para orientações e prevenções do coronavírus. Os profissionais de saúde dos DSEIs monitoram as aldeias e informam à Funai sobre a situação. Conforme o plano de contingência, conseguimos atender essas aldeias na parte da segurança alimentar e orientar os indígenas para que cumpram a quarentena de forma eficaz.

 

Pergunta: Quais são as principais atividades da CR Médio Purus atualmente?

Resposta: Atuamos visando fortalecer os direitos dos povos indígenas. Temos como foco nessa nova gestão o etnodesenvolvimento e a efetivação dos direitos sociais dos indígenas, viabilizando o acesso deles à previdência social e a materiais para atividades produtivas. A CR busca viabilizar os meios de produção próprios dos indígenas, respeitando suas especificidades culturais e étnicas.

Pergunta: Quais os principais projetos de etnodesenvolvimento nas aldeias?

Resposta: Podemos destacar o apoio ao manejo de pirarucu do povo Paumari do rio Tapauá. Neste projeto, a estimativa de lucro para 2020 é de R$ 180 mil reais. Na Terra Indígena Caititu fornecemos apoio ao Povo Apurinã para a manutenção, expansão e escoamento da produção do sistema agroflorestal da aldeia Novo Paraíso e para a agricultura familiar da aldeia Idecorá. Outra iniciativa que conta com o apoio da Funai é a produção de castanhas nas aldeias do Catiparim, município de Pauini-AM. Também prestamos apoio ao cultivo de roçados em área de capoeira na aldeia Japiim, à instalação de casas de farinha e ao desenvolvimento de atividades produtivas e de geração de renda do povo Banawa; às atividades produtivas e à instalação de casas de farinha nas Terras Indígenas Jarawara/Jamamadi/Kanamati, Alto Sepatini e São Pedro do Sepatini.

Pergunta: Quais os pontos que o sr. gostaria de destacar da sua gestão na CR Médio Purus?

Resposta: Acredito que a Funai, como um todo, está conseguindo reconquistar a confiança dos indígenas. Nós que estamos na ponta da linha, podemos verificar isso de forma mais concreta. E isso é um ponto positivo, pois a Funai mostra sua força trabalhando juntamente com os povos indígenas em prol de seus direitos. A articulação com os outros órgãos do governo, tanto federal, estadual e municipal também é um fator positivo, pois nossa área de jurisdição é bastante extensa e exige ações de monitoramento territorial com base em diferentes estratégias que envolvem atores como Exército, Polícia Federal, Ibama, ICMBio e Policia Militar.

Vale destacar que a equipe de servidores, apesar de pequena, é extremamente dedicada ao serviço público e permite que a CR realize seu trabalho cotidiano, e que, ao mesmo tempo, promova articulações com outros órgãos e entidades. Apesar de todas as dificuldades, nossos servidores não medem esforços para cumprir a missão da melhor maneira possível e defender os interesses dos indígenas.

Pergunta: Quais são os desafios enfrentados pela CR Médio Purus?

Resposta: Há inúmeros desafios, mas, nesse momento, sem dúvida é o combate à Covid-19. Temos um efetivo de pessoal muito baixo para atender uma região tão extensa e com áreas remotas. É necessário concluir inúmeros processos administrativos e levar a segurança alimentar até esses povos. Também levamos informações sobre prevenção. Apoiamos a montagem de barreiras sanitárias e realizamos ações de monitoramento territorial. Tudo isso exige uma logística muito complexa por se tratar de Amazônia, onde nosso principal meio de locomoção são embarcações. Em algumas localidades, essas ações requerem dias de deslocamento através selva. Mas, apesar de toda dificuldade, a Funai mostra sua força para atender os indígenas nos lugares mais longínquos da selva amazônica.


Assessoria de Comunicação / Funai

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