CR Madeira encerra as atividades de Monitoramento Indígena de 2013 com uma incursão a TI Pirahã

52Entre os dias 13 e 20 de novembro a CR Madeira executou a atividade de Vigilância Indígena na T.I. Pirahã. Os Pirahã habitam as margens do Rio Maici e um trecho das terras cortadas pelo rio Marmelos, onde o primeiro desagua. A ocupação no rio Maici vai desde sua embocadura até as proximidades da ponte que o cruza na rodovia Transamazônica, distante a 90km da cidade de Humaitá. Embora a relativa proximidade dos Pirahã com a cidade e com outras etnias que são vizinhos de seu território, os Pirahã não demonstram interesse por outras culturas, o que possibilitou com que atravessassem dois séculos de contato e ainda mantivessem seu estilo de vida.

 

53Os Pirahã são seminômades, monolíngues e não entendem português. Tendo em vista as particularidades de uma cultura expressiva de um tronco linguístico isolado, com seus modos próprios ainda pouco conhecidos pelos outros povos e a CR Madeira, a ação de monitoramento indígena teve de sofrer algumas adaptações. Em parceria com a APIHAM (Associação do Povo Indígena Pirahã do Amazonas), a Assistente Marina Villarinho e o servidor de Campo Nazaro percorreram todo o trecho do Rio Maici que se encontra dentro da T.I. Pirahã, até esse desaguar no rio Marmelos, onde, auxiliados por alguns Pirahãs, percorreram diversos castanhais e ergueram acampamento.

Segundo o presidente da APIHAM Paulo Adriano Jiahui Pirahã que acompanhou a equipe, é a primeira vez que a CR Madeira faz esse trajeto todo descendo o Rio Maici, passando por todas as aldeias e agrupamentos. Os Pirahã vivem principalmente em praias na beira do Maici no período de seca, em que a vida social alcança sua plena atividade. No entanto, agora nas épocas da chuva o cenário pode parecer desanimador num primeiro olhar: espremidos no que resta de praias, habitando um exíguo espaço entre tapiris rústicos e baixos, com goteiras e lenha molhada, com o início do inverno amazônico os recursos ficam escassos. Os Pirahã se preparam para migrar para terras mais altas, o que coincide com a época em que perambulam pelos castanhais colhendo castanhas-do-brasil para trocar por bens de consumo.

Durante a atividade de monitoramento indígena, além da entrega de ferramentas e rancho a muitos dos agrupamentos de Pirahãs encontrados ao longo do trajeto, foi construído um acampamento instalado na Boca do Rio Maici, que servirá futuramente como base de apoio para outras atividades da FUNAI. A Cr Madeira ainda mapeou 13 dos 24 castanhais dentro dos limites da T.I.

54O que se mostrou uma exigência geral no discurso Pirahã (que se limita a um reduzido vocabulário sem construção gramatical) é a presença da FUNAI na época de venda de castanhas, um período que atravessadores se aproximam do território Pirahã para negociar castanhas em troca de bens de consumo com um valor irrisório, uma vez que os Pirahã não estão familiarizados com o mercado e nem utilizam o dinheiro como mediador das trocas. É justo nesse momento que a bebida alcoólica entra com certa facilidade na T.I. e passa a ser consumida de maneira desastrosa, causando brigas e acidentes entre os indígenas, além de doenças e problemas sociais. Há ainda castanhais que são invadidos por ribeirinhos e indígenas aliciados por grandes atravessadores da área do distrito de Auxiliadora, um local conhecido por conflitos diversos, com pouca presença estatal. Os invasores ameaçam os Pirahã e os proíbem de extrair castanha em alguns de seus castanhais. Metralham as placas da FUNAI e aterrorizam aqueles que não cumprem suas exigências.

Com essa atividade a CR Madeira encerra o projeto de monitoramento indígena. Desde maio de 2013 ocorreram 13 incursões pelas Terras Indígenas Nove de Janeiro, Diahui, Tenharim Marmelos e Tenharim Marmelos (Gleba B), Tenharim do Igarapé Preto, Sepoti e Sepoti (Gleba Estirão Grande), Torá, Ipixuna, Capanã Grande e por fim a Pirahã. Com a participação de mais de 100 indígenas que receberam auxílios, rancho, combustível, ferramentas, GPSs, câmeras fotográficas e assistência técnica para realizar o monitoramento participativo, a CR Madeira finaliza uma ação ampla de efeitos múltiplos que garantiu uma atuação pontual em áreas distantes e pouco visitadas em cada uma das terras indígenas mencionadas. Em breve postaremos a sistematização dos resultados desse projeto que nos permitiu uma visão atualizada dos problemas sociais e ambientais enfrentadas em grande parte das T.I.s que fazem parte da CR Madeira, e sem duvida servirão como base para o Planejamento Participativo que se inicia agora no final do mês de novembro.

Onde estamos

Coordenador Regional: Domingos Sávio dos Santos
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(97) 3373-3692/3566/3656/2114
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