Serviço de Proteção aos Índios - SPI

 

 

ASSISTÊNCIA SANITÁRIA

 

A disseminação de doenças e a ocorrência de epidemias para as quais os povos em guerra ou dominados tinham baixa imunidade contribuiu para a conquista dos povos indígenas do Brasil na época colonial. O contágio da varíola, gripe, tuberculose, pneumonia, coqueluche, sarampo e outras viroses levaram à dizimação de inúmeros povos indígenas, à mortandade de milhares de índios. Nas primeiras décadas do século XX, essa realidade não foi alterada: nos grupos recém-contatados pelo SPI, aldeias inteiras foram destruídas por doenças pulmonares. Ao causar alta mortalidade, o pós-contato iniciava o desequilíbrio das condições de sobrevivência de um povo que já enfrentava doenças endêmicas como verminoses e malárias, passando a conviver com a desnutrição, a dificuldade de produção de alimentos e a falta de cuidados sanitários.

 

O SPI dificilmente conseguia controlar, estabilizar e melhorar a condição sanitária de povos indígenas que enfrentavam surtos epidêmicos. Em campo, no início dos anos 50, o antropólogo Darcy Ribeiro foi testemunha da morte de dezenas de índios Urubu Kaapor dizimados por sarampo e coqueluche (Brasil. SPI, 1953; 1954). Os postos indígenas possuíam alguns medicamentos, mas a maioria de seus encarregados era leiga em assistência sanitária.

 

Na cooperação da Fundação Brasil Central com o SPI, o trabalho do médico-sanitarista Noel Nutels conseguiu conter a disseminação de tuberculose que atacou os índios Karajá da Ilha do Bananal (GO), assim como a epidemia de sarampo que causou grande mortandade entre os índios do Alto Xingu. O apoio do Correio Aéreo Nacional (CAN) e da Força Aérea Brasileira (FAB) permitiu a Nutels implantar unidades volantes que trabalhavam junto às populações rurais e indígenas para prevenir doenças infecciosas, realizando vacinações em massa nessas comunidades.

 

Dessa experiência, nasceu o SUSA – Serviço de Unidades Sanitárias Aéreas, dirigido por Nutels, que trabalhava na rota do CAN combatendo endemias rurais, surtos epidêmicos e a tuberculose entre os índios. Esta realidade se contrapunha às deficiências do SPI, pois este, nos anos 60, não possuía servidores na área da saúde, mantendo alta a mortandade indígena no pós-contato, como ocorreu com os índios Pakaa Nova (RO).

 

 
 
 

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