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Histórico
Fotos
A segunda edição dos Jogos
dos Povos Indígenas foi realizada entre os dias 14 e 20 de outubro,
e teve como palco das disputas o Centro Náutico da cidade de
Guaíra - PR. Localizada a 115 quilômetros da cidade de
Umuarama, Guaíra acolheu mais de 500 índios, de 25 etnias
do País, que se preparavam para a disputa e apresentação
de 13 modalidades esportivas. O evento foi patrocinado pelo Ministério
dos Esportes e Turismo, por meio do INDESP - Instituto Nacional de Desenvolvimento
Esportivo, em parceria com a prefeitura da cidade de Guairá -
PR. Os Jogos contaram, ainda, com o apoio da Funai e do Comitê
Intertribal.
A realização do evento foi interrompida em 1997 devido
à falta de planejamento e critérios para a escolha da
próxima sede dos Jogos. Os estados de Amazonas e Paraná
se candidataram, mas, devido à indefinição do governo
amazonense, o estado do Paraná foi escolhido para sediar a segunda
edição dos Jogos, em 1999, pois em 1998 seria realizada
a Copa do Mundo de Futebol, na França.
Guaíra foi a cidade escolhida, por possuir o complexo da Marina
Náutica, que tinha toda a estrutura para abrigar um evento desse
porte, uma vez que já havia sediado os Jogos da Natureza e por
ter características bastante naturais, semelhantes às
aldeias indígenas.
As etnias participantes nessa edição foram: Guarani -
SP; Potiguara - PB; Pankararu - PE; Maxacalí - MG; Krenak - MG;
Xacriabá - MG; Paresi - MT; Umutina - MT; Kaingang-SC; Kaiowá
- MS; Kadiwéu - MS; Bakairi - MT; Bororo - MT; Erikbaktsa - MT;
Kanela - MA; Matis - AM; Krahô - TO; Kayapó - PA; Xavante
- MT; Karajá - TO; Jawaé - TO; Kuikuro, Xingu - MT; Kamaiurá,
Xingu - MT; Yawalapiti, Xingu - MT, Suyá, Xingu - MT; Waurá,
Xingu - MT e Terena - MS.
A novidade ficou por conta da participação do povo Matís,
da Amazônia, contatados há menos de vinte anos. Eles levaram
uma delegação de apenas cinco pessoas. Os habitantes do
Vale do Javari, localizado no sudoeste do Amazonas, mostraram pela primeira
vez suas habilidades com a zarabatana.
A cerimônia de abertura do evento foi presenciada pelo então
ministro dos esportes, Rafael Greca e o então prefeito de Guaíra,
Manoel Kuba, os quais entregaram a simbólica chave da cidade
para o cacique Matís, Bina Tucum. As delegações
desfilaram pelas ruas da cidade, e se apresentaram na pista de atletismo
do Centro Náutico. Durante a cerimônia de abertura, foram
realizados o ritual da cerimônia do fogo e o hasteamento das bandeiras.
Os índios kaingang cantaram o hino nacional em sua língua
tradicional.
As competições tiveram início no dia 15 de outubro
de 1999, com as disputas de futebol no Estádio Ney Braga, na
parte da manhã, e as demais na arena construída no Centro
Náutico, no período vespertino. Atletismo e Arco e Flecha
inauguraram as competições tradicionais indígenas
no mesmo dia. O período noturno ficava reservado à apresentação
das manifestações culturais indígenas (danças,
canto e cerimônias tradicionais), no anfiteatro da Marina, bem
como as apresentações folclóricas tradicionais
da região.
No segundo dia de competições houve a demonstração
de dois esportes tradicionais do povo Paresi: O Xikunahity (uma espécie
de futebol, praticado com a cabeça, somente pelos homens) e Tihimoré
(modalidade esportiva semelhante ao boliche, praticada pelas mulheres).
Essa foi a primeira vez que as duas modalidades foram apresentadas ao
público. Os Matís demonstraram sua habilidade no manejo
da zarabatana. Geralmente, os índios utilizam a arma contra alvos
móveis (um pássaro ou macaco). Mas, nos Jogos Indígenas,
o alvo foi adaptado às condições do local. Uma
melancia foi pendurada em um tripé, e os índios deveriam
acertá-la a uma distância de 20 metros. No mesmo dia, foram
realizadas as provas de canoagem e natação/travessia.
As competições de arco e flecha, corrida de toras e as
lutas corporais começaram no dia 17. Apenas demonstrativas, a
corrida de toras e as lutas corporais atraíram bastante a atenção
do público, que pôde ver os diferentes estilos de luta
de cada povo. A corrida de toras foi realizada por três etnias:
os Xavante, os Kanela e os Krahô. Cada etnia levou suas respectivas
toras, feitas do tronco da palmeira buriti, algumas chegando a pesar
150 kg. As mulheres indígenas, que também praticam a corrida,
levaram toras de até 70 kg.
Na segunda-feira, outra modalidade tradicional foi disputada: o cabo-de-guerra,
modalidade tradicional indígena que visa a medir a força
de cada etnia.
A prova de natação foi realizada numa piscina semi-olímpica,
de 25 metros, devido ao interesse da coordenação do evento
em medir a velocidade de cada atleta indígena. As provas foram
realizadas por homens e mulheres, nas modalidades: individual, de 25
metros, revezamento 4 x 25 e revezamento 4 x 50. Essa modalidade de
natação de velocidade, realizada em piscinas, foi excluída
das próximas edições dos Jogos, por não
atender aos objetivos do evento.
As atividades e competições se encerraram no dia 20 de
outubro.
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