Jogos dos Povos Indígenas - Etnias


Este ano, os VI Jogos dos Povos Indígenas, que terão a participação de 60 etnias e já estão confirmadas as presenças de 45 delegações dos povos indígenas

     
Aikewara
Apinajé
Avá Canoeiro

Awá Guajá
Aweti
Bakairi
Bororo
Cinta Larga
Enawenê-Nawê
Gavião Kyikatêjê
Guarani
Hixkaryana
Irântxe
Javaé
Ka´apor
Kaiowá
Kalapalo
Kamayurá
Kanela

(Ramkokamenkra)
Karajá
Kayabi
kayapó
Krahô
     
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Aikewara

Conhecidos como “Suruí do Pará”, falam uma língua pertencente ao tronco tupi, da família lingüística tupi-guarani. Os primeiros contatos ocorreram a partir de 1960 pelo então SPI – Serviço de Proteção ao Índio. Habitam a Terra Indígena Sororó, demarcada e homologada, às margens da BR-153, no município de São Domingos do Araguaia, região de Marabá, no estado do Pará. Embora com as terras reduzidas, sobrevivem da caça, com uma pequena criação de peixes e frangos. Muitas de suas tradições estão mantidas.

 
Na década de 70, aliciados pelo Exército, quatro guerreiros Aikewara serviram de guias e batedores no combate aos guerrilheiros do Araguaia, com a promessa de ampliação de seu território, até hoje não cumprida. Estão em ascensão cultural, recuperando grande parte de suas tradições, graças aos incentivos da participação em eventos culturais e ao Projeto Esporte Solidário do Ministério do Esporte. Sua população é de 210 indígenas. Pela terceira vez participam dos Jogos Indígenas.
 

 

 
 

Apinajé

Falam o dialeto Apinajé, da língua Timbira, da família linguistica Jê, do tronco Macro-Jê. De acordo com Curt Nimuendaju, etnólogo pioneiro no estudo desse povo, o nome Timbira, admite que, se é de origem tupi, então pode significar "os amarrados" (tin = amarrar, pi'ra = passivo), uma referência às inúmeras fitas de palha ou faixas trançadas em algodão que os Apinajé usam sobre o corpo: na testa, no pescoço, nos braços, nos pulsos, abaixo dos joelhos, nos tornozelos. Porém, eles se autodenominam Mehím.

 
 
 
 

Avá Canoeiro

Atualmente, sua população oficial é de apenas 15 indivíduos, mas estima-se que haja 25 pessoas ainda sem contato permanente com a população não- indígena. Supõe-se que esses indígenas permaneçam arredios na região do Araguaia, se deslocando constantemente. Os Avá Canoeiro falam a língua da família Tupi-Guarani, do tronco lingüístico Tupi. As notícias mais recentes os localizam no interior da Ilha do Bananal, na parte norte da Mata do Mamão. A partir do século XIX, com a invasão de seus territórios tradicionais por vilas, cidades, fazendeiros e garimpeiros, e com a impossibilidade de adaptação ao modo de vida imposto pelo avanço dos colonizadores, foram ocorrendo inúmeros conflitos.

 
Os confrontos foram fazendo com que eles fugissem sempre, desestruturando seu modo “vivendi”. Se o pequeno número atual de remanescentes, no entanto, vai conseguir sobreviver como grupo indígena e como comunidade autônoma é uma questão ainda sem resposta. Historicamente, os Avá Canoeiro conseguiram sobreviver isoladamente, mesmo com contingente populacionais menores. Os mais jovens, no entanto, se ressentem muito das condições da região onde vivem atualmente, alagadas para a construção da hidrelétrica Serra da Mesa. São o menor grupo que participa dos jogos.
 
 
 

Awá Guajá

Os Guajá se autodenominam Awá, termo que significa "gente, ser humano", além de outras denominações como Wazaizara (Tenetehara), Aiayé (Amanayé), Gwazá. Habitam a Terra Indígena Awa, município Carutapera, Bom Jardim e Ze Doca, estado do Maranhão.

Acreditam que sejam originários do baixo rios Gurupi, Guamá e Capim no estado do Tocantins. Formavam, provavelmente junto aos Ka'apor, Tembé e Guajajara (Tenetehara), um conjunto maior, da família lingüística Tupi-Guarani naquela região.
 
A chegada dos colonizadores fez com que houvesse uma dispersão dos mesmos. Acredita-se que a partir do conflito da Cabanagem, em torno de 1835-1840, este conjunto iniciou uma migração no sentido leste, rumo ao Maranhão. É provável que por volta de 1950 todos os Guajá já estivessem vivendo neste estado no leste do rio Gurupi e entre os rios Caru e Turiaçu. A língua falada é da família lingüistica Tupi-Guarani. Da mesma origem são suas tradições culturais. A população Awá Guajá atual é de aproximadamente 257 pessoas vivendo sob a assistência da Funai e pelo menos outros seis grupos vivendo autonomamente. Praticamente não têm contato com os não-índios. A maioria ainda não teve. Participarão dos jogos pela primeira vez.
 
 
 

Awetí

Habitam a região Norte do Parque Indígena do Xingu (Alto Xingu) e vivem da caça, da pesca e do artesanato. Falam a língua da família Tupi-Guarani. Os Aweti constróem suas casa em círculo, para facilitar a reunião do grupo. Hoje sua população é de 106. No Parque do Xingu, a área que moram está situada em Gaúcha do Norte, no Mato Grosso, município praticamente desmatado por fazendeiros, restando apenas a área preservada pelas terras indígenas. Estarão disputando algumas modalidades em conjunto com outros povos xinguanos, que também participam do evento este ano.

 
 
 
 

Bakairi


Povo que habita as terras indígenas Santana e Bakairi, nos municípios de Nobres e Paranatinga, no estado do Mato Grosso, ambas demarcadas e localizadas no norte do cerrado mato-grossense, à margem do Rio Paranatinga (Teles Pires). Se autodenominam Kurá, que significa gente (ser humano). A língua falada é o Bakairi, pertencente à família Karib. Sua história é marcada por muita violência, como a da maioria dos grupos indígenas no Brasil. Entre as violências contra eles praticadas, os Bakairi de Santana trabalharam na extração da borracha, inclusive nas suas próprias terras, para os seringalistas que ocuparam suas terras e foram proibidos de falar a sua língua. Parcelas desses Bakairi migraram para o Paranatinga, nas décadas de 20 e 60. Muitos anos depois é que os próprios Bakairi expulsaram os invasores de Santana, reconquistando suas terras. Os Bakairi do Paranatinga foram guias e intérpretes nas expedições de Steinen - realizadas em 1884 e 1887.
 
Em 1920 foi criado o Posto Indígena na Terra Indígena Bakairi (SPI). Na década de 80, são financiados projetos comunitários com recursos do Banco Mundial, que introduziram a lavoura mecanizada. Nesse período, reconquistaram uma pequena parte de terras que ficou de fora no processo de demarcação.

Os Bakairi praticam muito de sua cultura tradicional, como os rituais sagrados Kápa, Kwamby, Âriko e a Festa do Yamurikumã, que está inserida as lutas corporais feminina e masculina, o Tâdâwinpadyly, além de outros rituais coordenados pelos pajés. Destacam-se pelas suas pinturas corporais e seus cantos, assim como os povos indígenas do Xingu, seus vizinhos. Os Bakairi praticam o Huka Huka, como os povos xinguanos também o fazem. Sua população é de aproximadamente mil pessoas e participaram em todas edições dos jogos.
 
 
 

Bororo

Conhecidos como Bororo Oriental ou Orarimogodógu e chamados também de Coroados ou Parrudos, habitam a região do planalto central no Estado de Mato Grosso, distribuídos em cinco Terras Indígenas já demarcadas: Jarudore, Meruri, Tadarimana, Tereza Cristina e Perigara. Sua língua falada é o Bororo, do tronco lingüístico Macro-Jê e a sua população é de aproximadamente duas mil pessoas. Praticam os rituais como a Furação de Orelha e Lábios, sem esquecer o Ritual do Funeral, que é sagrado para quem se considera índio (Boe). Realizam ainda a Festa do Milho, para celebrar a colheita do cereal, alimento importante na nutrição dos índios. Sua história é de muita resistência ao avanço das frentes e expansão em território. A “pacificação” ocorreu no final do século XIX. Tradicionais caçadores e coletores, adaptaram-se à agricultura, da qual hoje extraem sua subsistência.

Foram os primeiros campeões gerais dos I Jogos dos Povos Indígenas realizado na cidade de Goiânia em 1996. Destacam-se na confecção de seus artesanatos de plumagem (cocar e braçadeiras em penas), bem como na pintura corporal em argila, peculiar a esse grupo. Participam dos Jogos desde sua primeira edição.

Seus Mitos e História: Bakaru é o que define a história religiosa, indica também código de comportamento, normas educativa, explicativa de fenômenos (mistérios).

Os Bororo estão divididos em duas metades exogâmicas: Os Ecerae e os Tugarege, que subdividem em quatro clãs cada. Esta estrutura se reproduz na localização das ocas, nas aldeias e acampamentos, na colocação das pessoas no Baito ou Baimangejewu (casa do centro) e na colocação Aroe Eiao (funeral e cemitério), assim como em toda maneira de pensar e agir bororo. No âmbito de toda a nação Bororo, os membros de cada um dos oitos clãs formam uma fraternidade, pela qual se reconhecem e se aceitam como membros da mesma família em qualquer lugar. Dentro de cada clã, há uma comunhão de bens culturais (nomes, cantos, pinturas corporais, enfeites, adornos, seres da natureza) que só podem ser usados pelos membros desse determinado clã, a não ser que este direito seja participado a outras pessoas em “pagamento”, mori (couro de onça, flechas, colar e outros ), por favores recebidos.

 

Quando nascem, os filhos fazem parte do clã da mãe para nomeação e herança cultural (sistema matrilinear). As relações sociais funcionam na base de troca pessoas e mútua prestação de serviços basicamente entre as duas metades exogâmicas – Ecerae e Tugarege.

Um dos grandes líderes desse povo foi o ancião Frederico Tugore, mestre historiador da cultura tradicional Bororo. Que teve a oportunidade de percorrer e conviver com todas as comunidades (aldeias) Bororo existentes e com outras que já desapareceram na metade do século passado. Possuía imaginação e memória prodigiosa, característico senso de humor, uma profunda sensibilidade e uma admirável capacidade de comunicação. Sua inteligência o coloca não simplesmente entre os transmissores mecânicos de uma cultura estatística, mas entre os grandes sábios criadores e mantenedores de cultura. Era capaz de explicar todos os fenômenos do universo cósmico e espiritual que envolve e penetra a vida de seu povo. Deixou um imenso legado cultural alicerçado no Bakaru. Outro grande defensor do povo Bororo, foi o padre Salesiano, Rodolfo Lunkenbein, assassinado barbaramente em 15 de julho de 1976, por reivindicar a demarcação das terras indígenas Merure. Foi enterrado no cemitério da própria aldeia, de acordo com a tradição e honra Bororo.





 
 
 

Cinta-Larga


Vivem no noroeste do estado do Mato Grosso e Rondônia, nas Terras Indígenas Roosevelt e Serra Morena, Parque Aripuanã e Juína, todas demarcadas. Falam a língua pertencente ao tronco Tupi, da família linguística Mondé. Sua população atual é de 1.200 indígenas. Se autodenominam Panderej, que significa “nós somos gente ou pessoas humanas”. O nome Cinta Larga se dá ao fato de usarem uma faixa da entrecasca de tauari na altura da cintura. Os primeiros contatos dos não-índios, ocorreram nos anos 50 e foram marcados pela violência, com o avanço da frente extrativista, que penetrou em seu território em busca de riquezas e seringais.

A primeira missão de pacificação foi tentada, sem sucesso, em 1962, pelo Padre João Domstandes. De 1968 a 1970, centenas de índios e invasores morreram em conflitos.
 
Com a demarcação e homologação de suas terras pela Funai, os Cintas Largas puderam viver um tempo de paz, porém vêm enfrentado constantes invasões em suas terras por garimpeiros de diamantes, com o apoio das prefeituras. Não utilizam a agricultura com intensidade, apesar de, em algumas épocas, comerem macaxeira, diversos tipos de milho, de cará e outros tubérculos. A colheita e a retirada de tubérculos são feitas pela mulher. A caça é mais apreciada do que a agricultura. A produção, distribuição e o consumo de alimentos eram praticamente indissociáveis. Aconteciam com uma única operação da sociabilidade. Seus grandes líderes são Noare Itexerkoba e Dilimoia. Participarão pela segunda dos Jogos.
 
 
 
Enawenê-Nawê

Falam a língua salumã, pertencente à família lingüística Aruak. Habitam a Terra Indígena Enawene-Nawe, totalmente regularizada, uma região de vegetação variada, com cerrado e floresta tropical localizada no vale do afluente rio Juruena, a noroeste de Mato Grosso, município de Juína, Comodoro e Campo Novo dos Parecis – MT. Vivem neste território em uma única aldeia, próxima ao rio Iquê, porém os rituais e cerimoniais culturais ocupam outros pontos de sua terra.

Os Enawenê Nawê se dividem em nove clãs distribuídos em nove hakolo (malocas) que, além de corresponderem à unidade de troca matrimonial, desempenham funções econômicas e rituais. Além dessa divisão em clãs, compreendem-se, socialmente, em três grupos: o residencial, o doméstico e o familiar. Eles que são responsáveis pela construção, restauração e manutenção dos hakolo (malocas). Nelas, os Enawenê Nawê se organizam em grupos domésticos, constituídos da união de grupos familiares. Como na maioria dos grupos indígenas, os homens, uma vez casados, passam a morar na casa dos seus sogros. Cada maloca mede 30 metros de comprimento por 6 de largura. A altura pode chegar a até 5 metros. Assim, é formado o grupo residencial doméstico, que tem seu próprio fogo, sua própria roça e coleta de frutos silvestres.

Tradicionalmente, não consomem caça e não têm o hábito de caçar. O peixe é a principal base protéica de sua alimentação e é recolhido em grandes pescarias coletivas. No entanto, essa comida tradicional está seriamente ameaçada. Outra opção de comida é a mandioca. Acreditam que a raiz seja ligada ao espírito aos espíritos Yakairiti. São plantadas em roças coletivas e homenageadas com o ritual Lerohi no mês de agosto, onde é feito o beijú e uma bebida fermentada. O milho também é cultivado, mas sempre em mata ciliares, que está relacionada ao espírito dos céus, o Enore. É consumido em forma de mingaus, bolos e sopas. Atualmente vivem em constante risco de contraírem doenças, porque suas águas estão sendo poluídas por invasões freqüentes de garimpeiros.

 


Os primeiros contatos foram feitos por volta de 1974, com os jesuítas Vicente Cañas e Tomáz de Aquino Lisboa, membros da Missão Anchieta, quando a sua população era de apenas 100 pessoas. Eram conhecidos como Salumã. Por meio do povo Pareci, seus vizinhos próximos, em 1983, é que descobriu-se a verdadeira autodenominação do grupo. Dificilmente deixam suas aldeias para contato com os não-índios, mantendo sua autonomia devido à privilegiada localização geográfica. Dessa forma, poucas coisas, tais como ferramentas (machado, facão, enxada e outros) e medicamentos, interferem no seu modo de vida. Os Enawenwnawê são alegres e ricos em diversidade musical e danças, bem como nas indumentárias, que caracterizam sua peculiaridade. São muito espiritualistas, tendo essas atividades orientadas pelo calendário ritual e acreditam que há um outro tipo de vida após a morte.

Desconhecem o uso do dinheiro e comércio da maneira como é utilizada na sociedade não-indígena. Poucos entendem o idioma português. Esse povo tem consciência dos limites de sua terra, que lhes é sagrada, e da necessidade de defendê-la. A OPAN – Operação Anchieta - desenvolve um trabalho indigenista entre esse povo. Sua população é de aproximadamente 330 pessoas. Pela terceira vez, deixarão sua aldeia com uma delegação de 30 atletas para participar do evento. Eles praticam uma modalidade esportiva com bola de látex, jogada apenas com a cabeça, o Xikunahity (pronuncia-se Zikunariti), que também praticado pelo Povo Pareci.

 
 
 
Gavião Kyikatêjê

É a denominação dada a vários grupos indígenas pertencentes à família lingüistica Jê-Timbira. O grupo que estará nos VI Jogos será o Gavião, que habita a Terra Indígena de Mãe Maria, município da cidade de Marabá, Estado do Pará, médio Rio Tocantins. São divididos em três subgrupos: os Parkatêjê, que significa “povo da jusante” em contraposição a um outro grupo situado à montante, denominado Kyikatêjê, ou “povo dono do rio acima”. O terceiro, conhecido da mesma família são os Akrãtikatêjê, “povo da montanha” que se localizava à margem direita do Rio Tocantins, próximo a cidade de Tucuruí, cujo local foi inundado com a construção da Usina Hidrelétrica de Tucuruí.

Em 2001 os Kyikatêjê se separam dos Parkatêjê e fundam uma nova aldeia às margens da rodovia BR-222 na mesma Terra Indígena de Mãe Maria. Há também os que habitam o Estado do Maranhão. São grandes atletas, hábeis futebolistas, sabem manejar o arco e flecha com muita destreza. Praticam a Corrida de Tora e as lutas corporais. Vivem da caça, coleta, além da agricultura. Já criam gado e aves (frango) através do projeto implantado pela Vale do Rio Doce. Participarão dos jogos pela segunda vez.

Histórico dos esportes tradicionais dos Gavião Kyikatêjê e Parakatêyê:
Os Gavião Kyikatêjê e Parakatêyê sempre se interessaram em trabalhar seu preparo físico. Com isso, tornam-se verdadeiros competidores, adaptando e aprendendo com o contato com a natureza, com a prática da caça e pesca a percorrerem grandes distâncias, atravessando lagos e rios em busca de seu alimento. Naturalmente, que o andar e o correr fazem parte do seu dia-a-dia.

 
Akô: Trata-se de uma corrida semelhante ao revezamento (4 x 400 m) praticado no atletismo. É uma corrida de velocidade (corrida de varinha) em que duas equipes de atletas (casados e solteiros) correm em círculo, revezando-se em quatro atletas, usando uma varinha de bambu, espécie de bastão que vai passando de mão em mão. Dão voltas até chegar ao último atleta. Ganha quem chegar primeiro. E, da mesma forma dos esportes tradicionais indígenas, não há um prêmio para a equipe vencedora e nem juiz.

Kaipy: (Kaipâ) - É um exercício das habilidades dos arqueiros. Nele, as flechas são atiradas em um “alvo” preparado no chão com folhas da palmeira, que são dobradas, deixando o caule da folha apoiada sobre duas madeiras fixas ao solo. O guerreiro, a uma distância entre 5 e 10 metros, atira em direção a essa dobra, fazendo com que ponta da flecha acerte rente ao caule, resvalando como se fosse uma mola, ganhando mais impulso e indo em direção a um alvo ou fora dele.

Jãmparti: (pronuncia-se Iãmparti). É uma corrida de tora, que obedece praticamente as mesmas regras praticadas por outros povos. Porém, há uma peculiaridade em relação a essa atividade. Trata-se do uso de toras em que o peso ultrapassa mais de 100 quilos, cujo diâmetro chega a medir mais de 1.60 m e pode ser carregada dois atletas. Realizada sempre no período final das corridas de toras tradicionais. Dando o sentido de sincronismo, harmonia e força.
Em todas essas manifestações há a participação das mulheres. Não há um prêmio para o vencedor e somente interessa a força física e a resistência são demonstradas.
     
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Guarani


A língua falada é da família lingüística Tupi Guarani. Foi um dos primeiros povos indígenas que tiveram contato com os portugueses, resistindo a qualquer imposição em sua cultura. É um dos mais populosos que existe no Brasil. Está distribuído entre os estados de MS, SP, ES, PR, SC, RS, RJ e PA, onde somam aproximadamente 27.000 indígenas, além serem encontrados também no Paraguai e na Argentina.

Os participantes do evento formarão o grupo Guarani, pertencente ao subgrupo M’byá, do Pará. Saíram de suas aldeias tradicionais no estado de São Paulo por desavenças internas. Moraram por algum tempo junto aos indígenas Gavião Parkatêjê da Terra Indígena de Mãe Maria, quando, em 1996, através do Centro de Trabalho Indigenista – CTI, com sede em São Paulo, em conjunto com a FUNAI, obtiveram um lote de terras próximo da PA – 150, onde habitam atualmente. O local foi nomeado Terra Indígena Nova Jacundá.

Existem ainda os subgrupos Kayowá e Ñandewa. Os Guarani foram os que mais resistiram e ainda resistem muito para manter os seus costumes tradicionais como a língua, as danças e, principalmente, as manifestações religiosas.
 
Apesar do constante contato com os não índios, mantêm suas características físicas praticamente intactas, pois muitas aldeias não admitem a miscigenação. São agricultores de subsistência. Plantam arroz, mandioca, e outros. Existem escolas em muitas aldeias, onde o ensino é bilíngüe.

Em 25 de novembro de 1983, um dos grandes líderes guarani, Marçal Tupã-y, foi barbaramente assinado, no Mato Grosso do Sul, por defender seus direitos. A população dos Guarani Mbyá de Nova Jacundá (PA) é de 52 pessoas. Estarão presente pela terceira vez nos Jogos.




     
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Hixkaryana

Grupo indígena localizado na divisão dos Estados do Amazonas com o Pará, região nordeste do Amazonas, denominada de Alto Rio Nhamundá. Somam hoje uma
população de 819 pessoas, distribuídas pelas aldeias: Areia (19), Jutaí (55), Riozinho (84), Cachoeirinha (28), Cafezal (69), Porteira (63) e Cassauá (521). Cem por cento da população são falantes da língua hixkaryâna, afiliada à família lingüística Parukutó, tronco Karib e têm a autodenominação de WABU. Em fins do século XIX, somente os Hixkaryana habitavam o médio curso do rio Nhamundá, os demais premidos pela frente colonizadores foram extintos. Foi a última vez que os Hixkaryana subiram o rio Nhamundá, para acima da Cachoeira da Porteira, onde se encontram até o presente momento. Os Hixkaryana são grandes artesãos e fabricam bonitos e originais cocares de penas de arara, periquitos e aratacas, criadas para fornecer as penas vermelhas, verdes, azuis e amarelas. A cor amarela é alcançada através de manejo do leite de sapos sobre as aves. As demais cores são naturais. Os Hixkaryana criam, hoje, aproximadamente, 100 aves, para a produção de penas, para a feitura de artesanato.

Confeccionam tangas femininas com sementes de karukru, amarradas com fio de algodão, enfeitadas com penas de arara e tucano; ou o yuwa, um cilindro oco para prender e enfeitar os cabelos, ornados com penas de garça ou de gavião; pentes de osso de macaco ou de talos da palmeira buriti; flautas com osso da canela do veado mateiro. Na cestaria destacamos as peneiras, as esteiras, os tipitis e os paneiros de cipó titica ou ambé; na cerâmica, potes, bacias e baldes; e arcos e flechas para suas caçarias. As terras que servem de habitat para os Hixkaryâna, são demarcadas, sendo que o rio Nhamundá, sob a jurisdição da FUNAI de Parintins. São terras pródigas para as roças de mandioca para farinha, além do abacaxi, do cará, jurumum, urucum e muitas variedades de peixes e de caça. A coleta da coleta da castanha do Pará também faz parte do dia-a-dia da comunidade e poderia ser uma forte de renda. Contudo, ante à chegada da civilização os grandes canoeiros do rio de águas negras, estão se tornando dependentes da tecnologia do rabeta movido à gasolina. As viagens, que levavam semanas de Cassauá para Nhamundá ganhou o "dinamismo" de um dia apenas, conquanto se tenha um bom motor de 40 HP e 180 litros de gasolina para consumir apenas numa viagem, apenas num trecho.
     
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Irãntxe    
     
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Javaé

É uma das três subdivisões dos Karajá. As outras duas são os Karajá propriamente ditos e os Xambioá. Apesar da semelhança cultural, há uma certa diferença no falar, como em qualquer outra língua do mesmo tronco. A palavra Javaé, provavelmente de origem tupi-guarani, não pertence à língua que eles falam, o Inÿ, derivada do idioma dos Karajá, com algumas variações dialetais pertencentes ao tronco lingüístico Macro-Jê. A autodenominação quer dizer "gente", "ser humano", mas os Javaé e os Karajá também autodenominam-se Itya Mahãdu, "o Povo do Meio". Habitam a Terra Indígena Parque do Araguaia, criada em 1959 e destinada à preservação ambiental, localizada nos municípios de Formoso do Araguaia, Pium e Cristolândia, estado do Tocantins. No ano de 2000, a tribo contava com 919 índios.

A história oral Javaé, como a de váerios outros povos indígenas menciona uma longa série de conflitos e guerras com outras etnias, algumas já extintas ou sequer conhecidas da cultura luso-brasileira. Os Javaé foram inimigos dos Xavante e dos Kayapó, seus tradicionais vizinhos. Tiveram desavenças com os Avá-Canoeiro, que, expulsos de seu território de origem, tornaram-se inimigos dos Javaé, ao perambular pela região do médio Araguaia. O relacionamento com os invasores e novos vizinhos trouxe doenças desconhecidas e mortais às principais aldeias Javaé, situadas no interior da ilha, que foram então abandonadas nas décadas seguintes. Pressionados pelo declínio populacional e penetração cada vez maior de criadores de gado na terra indígena, os Javaé concentraram-se em aldeias às margens do rio Javaés, onde o SPI decidiu fundar, em 1952, o primeiro posto indígena.

 
Em 1960, o posto foi transferido para a aldeia Canoanã, que passou a atrair os remanescentes de outras aldeias, vítimas de epidemias e conflitos internos.

A chegada de não-índios à região estimulou os Javaé a iniciarem a comercialização do pirarucu, a partir dos anos 50, para compradores que buscavam o peixe nas aldeias a preços baixos e o revendiam com lucro nas cidades. A pesca desordenada de toneladas de pirarucu na época da seca provocou danos substanciais ao meio ambiente, reduzindo consideravelmente as reservas de peixe e criando uma dependência cada vez maior dos Javaé em relação ao dinheiro. Isso ameaçou a economia de subsistência, baseada no plantio de roça, na estação das chuvas e na pesca cotidiana para consumo próprio. Os Javaé também falam de casamentos interétnicos e intercâmbios culturais no passado, principalmente com os Tapirapé. Um fato curioso apontado por antropólogos que trabalharam com os Karajá, é que, apesar dos problemas sérios e ameaças advindas do contato com a sociedade nacional, os Karajá e os Javaé têm mostrado uma surpreendente capacidade para lidar com as novidades, mantendo aspectos fundamentais da cultura tradicional, entendidas aqui como um conjunto de pensamentos e práticas flexíveis capazes de dialogar com o novo sem desfigurar-se.

Justamente nas aldeias onde a pressão do contato é maior, como Santa Izabel, Karajá, Canoanã e Javaé, têm surgido os mais importantes líderes no que diz respeito à relação com a sociedade nacional.
     
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Ka´apor

Os Ka'apor surgiram como povo distinto há cerca de 300 anos, provavelmente na região entre os rios Tocantins e Xingu. Os primeiros contatos com os não-índios foram no início do século XX, através do SPI - Serviço de Proteção ao Índio. Habitam a Terra Indígena Alto Turiaçu, junto aos Rios Pindaré e Gurupi, estado do Maranhão, fronteira com o Pará.

Migraram, provavelmente, por estarem fugindo de conflitos com colonizadores. Alguns brasileiros que atacaram e aniquilaram aldeias Ka'apor, por volta de 1900, ficaram surpresos ao descobrirem esplêndidos cocares de penas coloridas dentro de pequenos baús de cedro que os sobreviventes, em fuga, teriam deixado para trás. O Iurá, que se suicidou no Rio Pindaré após tentar manter contatos pacíficos com os não-índios da região e ter sido humilhado e maltratado junto com a esposa e filhos, pertenceu a esse povo. Tal história é muito bem retratada pelo historiador e antropólogo Darcy Ribeiro e sua esposa Berta Ribeiro. Ele também identificou o idioma dos Ka'apor como sendo um dialeto tupi do grupo Hê, o que os aproximam dos Tenetehara, Amanayé, Tuniwara, Anambé e Oiampi. O apóstrofo no me Ka'apor representa uma parada da glote, no momento da proonúncia. Outros nomes pelos quais são conhecidos são Urubu, Kambõ, Urubu-Caápor, Urubu-Kaápor, Kaapor. A palavra Ka'apor parece ser derivada de Ka'a-pypor, que quer dizer "pegadas na mata" ou "pegadas da mata". Outro significado aventado é o de "moradores da mata". Uma pessoa Ka'apor pode ser identificada na língua como awá, que se refere à forma reflexiva ("alguém") e ao sujeito, enquanto pessoa, em sentenças interrogativas ("quem?"); awá está relacionado com termos inflexíveis referentes a "pessoa" e "povo" em várias outras línguas Tupi-Guarani. Kambõ parece ter sido assimilado do português "caboclo", um termo aplicado aos Ka'apor pela maioria dos brasileiros da região ultimamente. Sua provável origem é da Amazônia e é freqüentemente usado pelos que falam a língua Ka'apor numa auto-referência em conversas com terceiros.
  Esse grupo teve numerosos contatos documentados com a sociedade luso-brasileira entre o período dos Pacajás, nos idos de 1600, e o estabelecimento do contato prolongado, ou "pacificação", em 1928. A maior parte dos episódios relatados são violentos. Os índios atacaram vilas na bacia do Guamá entre 1820 e 1830, atiraram em agentes pacificadores, expulsaram um quilombo do lado maranhense do rio Gurupi entre outros. A situação atual na região é marcada por tensão e pela escalada da violência. Ataques de posseiros e de madeireiros às aldeias indígenas, assim como contra-ataques dos índios aos acampamentos de posseiros e madeireiros invasores de suas terras, têm ocorrido desde 1993.

Os últimos 70 anos (1928-1998) assistiram a uma acomodação cada vez maior, mas não integral, da sociedade e cultura Ka'apor aos modos ocidentais. Muitos falam português, embora todos falem Ka'apor como primeira língua. Alguns professam uma crença em Tupã-ra'ïr ("filho do Trovão", ou "Jesus Cristo"), já que a divindade cristã foi introduzida por missionários fundamentalistas do Summer Institute of Linguistics (hoje Sociedade Internacional de Lingüística), atuantes na entre 1963 e 1985. Muitos Ka'apor acreditam nos poderes divinos e curativos de Ïrïwar, uma divindade feminina, indígena, relacionada à água, cujo conceito foi parcialmente trazido dos Tembé e que é invocada no xamanismo.

A agricultura é a fonte da alimentação dos Ka'apor. Cultivam mais de 28 espécies. Apesar disso, a mandioca é a campeã no consumo e predomina nas plantações. Na época de escassez, os homens trabalham na confecção de adornos. Costumam ouvir no rádio em ondas curtas, notícias e músicas do Brasil e do mundo, mas ainda passam muito tempo proseando e visitando as aldeias uns dos outros a pé pela densa mata. A população Ka'apor atual é de proximadamente 850 pessoas. Participam pela primeira vez dos jogos.
     
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Kalapalo

Primeiro povo xinguano a ser contatado pelos irmãos Villas Bôas, em 1945, os Kalapalo são uma de quatro etnias de língua Karib que vivem no Alto Xingu. A denominação Kalapalo foi dada por colonizadores, com quem tiveram contatos esporádico no final do século 19, portanto, antes dos Villa Boas, chegarem ao Xingu. Para os outros povos do Alto Xingu, a tribo chama-se Akuku, considerada a fusão dos sobreviventes de um grupo Kuikuro com os Kanugijafiti Os Kalapalo falam um dialeto de uma língua que pertence ao braço do sul da Guiana da família lingüística Karib. De acordo com os estudos dos irmãos Villas Boas, seus parentes lingüísticos mais próximos são os Ye'cuana ou Makiritare e os Hixkaryana, encontrados no sul da Venezuela e Guiana. Com essas comunidades, eles têm em comum, mitos que descrevem seus encontros com o homem branco e o ritual cristão. Essas histórias sugerem que os Caribs do Xingu deixaram a região caribenha após o contato com os Espanhóis, possivelmente para fugir deles, na segunda metade do século 18. Fora isso, há pouco em comum entre os "primos" brasileiros e caribenhos.

Com a criação do Parque Indígena do Xingu, em 1961, os Kalapalos passaram a viver em "Aifa" ( terras preparadas pelo homem branco) e foram convencidos a aproximar-se do posto Leonardo, para garantir a sua sobreviência.

 
Com o objetivo de facilitar o tratamento médico e acesso à víveres, eles mudaram-se de suas terras ancestrais, próximas ao rio Tanguro, para o novo terreno.

Porém, até hoje, muitos Kalapalo retornam freqüentemente às aldeias antigas, chamadas "Anafukwa", para cuidar de roças antigas de mandioca e algodão, coletar moluscos para artesanato e pescar em locais conhecidos e preferidos por eles.

Os Kalapalos têm uma ética própria, estabelecida por eles, que distingue os povos que residem no Alto Xingu de todos os outros na terra. Para esse povo, a generosidade com a propriedade é o que transforma o homem em ser humano. Discutir ou brigar em público é uma violação do código de ética e há restrições à dieta dos "seres humanos."Os Kalapalo rejeitam animais que eles chamam de gene, animais terrestres peludos, limitando-se a comer criaturas aquáticas, especialmente peixes. Participam dos Jogos junto com outros xinguanos, fazem belíssima apresentação cultural e demonstração do Huka-Huka.


     
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Kayapó

Se autodenominam Mebêngôkre, "Gente do Buraco do Rio" ou seja, me (gente), be (condição ou estado de ser), ngô (água) e kre (buraco), na linguagem Tupi "Kai-pó", quer dizer "carrega o Fogo". É um povo bastante numeroso nos estados do Pará e Mato Grosso, estimado em aproximadamente 5.000 índios. Habitam as terras indígenas Kayapó, Baú, Mekrkãgnoti, Bejenkôre, no estado do Pará, e Kapoto/Jarina, estado de Mato Grosso. Os Kayapó atuais descendem de um grande grupo indígena denominado Goroti-Kumrem, que se dividiu em dois blocos, de um lado os Kayapó-Gorotire, e os Kokorekre que já desapareceram, os Menkrãgnoti, Metutktire ou Txukarramãe, Ô-Ukre, Paka-nú, Kubenkrãkein, Kôkraimore, Krikretum, Kararaô e os Pore-Kru que deram origem aos Xikrin A parte oriental do povo Kaiapó foi contatada por volta de 1940, e a parte ocidental na década de 50, pelos irmãos Villas Boas. Viveram em guerra com tribos vizinhas como os Karajá, Juruna, Xavante, Tapirapé e Panará, mais conhecidos como Kren-Akarore. Protegem com muito rigor suas terras. As aldeias têm as casas dispostas em formato circular com uma grande praça ao centro, onde se realizam seus rituais.

Conhecidos por sua bravura, os Kaiapó são guerreiros, mantêm sua cultura tradicional, são exímeos artesãos e têm na borduna um símbolo das armas de caça e guerra. Um aspecto forte de sua cultura é a pintura corporal, realizada com primorosa habilidade pelas mulheres, com desenhos perfeitos em linhas geométricas, que as crianças e adultos de ambos os sexos costumam usar, em festas que constituem outro aspecto muito especial da cultura desse povo. Essas festas chegam ao clímax depois de um período de meses durante o qual cada ritual se ajusta em todo aspecto com seus cantos, danças e cerimônias tradicionais para ocasião de cada festa. A língua falada é o Kayapó, do tronco lingüístico Macro-Jê, que possuí 17 vogais e 16 consoantes e padrão distinto de entoação, as vogais são prolongadas para dar ênfase. No caso dos Kaiapó de Menkragnoti o dialeto é o menkragnoti. No artesanato, tem uma variação de adornos (cocares, braceletes) e ornamentos fascinantes. São caçadores e coletores.

 




Cultivam a plantação de mandioca, milho, batatas e outros. Os Kayapó já comercializam a castanha-do-pará, outros já passaram a vender a madeira de lei como o mogno e o cedro. Em todas as aldeias já existem escolas e o ensino bilíngüe. Sua população é de aproximadamente 5.000 pessoas. Participaram de todas as edições dos jogos.

Ronkrã: É um esporte tradicional do Povo Kayapó. É jogado num campo de dimensão semelhante ao de futebol, entre duas equipes de 10 atletas de cada lado, em que cada atleta usa um bastão de aproximadamente 1,30 m (espécie de borduna), o Akêt. Um côco de babaçu (bola), o Ronkrã é colocada no centro do campo e o objetivo é ir tocando a bola com o bastão contra o oponente, até passar a linha de fundo, marcando, assim, o ponto. Não há juiz, o tempo de duração da peleja é de acordo com a desistência de qualquer uma das equipes, geralmente é a que está em desvantagem. Não há um prêmio para equipe ganhadora e sim um reconhecimento de demonstração de força e habilidade.

Kagót: É considerado um esporte também praticado pelos Kayapó. Participam dois grupos em números não determinados. Começa com os grupos dançando separadamente, aproximando-se um do outro, para um "confronto". Porém, passam lateralmente um grupo do outro. Daí é que, simultaneamente, arremessam as flechas uns contra o outro, visando acertar o oponente, o que caracteriza os pontos.






     
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Kamayurá

Os Kamayurá são uma nação indígena da língua Tupi. Habitam duas grandes aldeias, do Alto Xingu, na Lagoa Ipavu, chamadas Tiwatiware, à margem esquerda do Rio Kuluene e Ipavu, localizada à beira de uma grande lagoa. Somam um total de 316 pessoas e estão em permanente resgate cultural. Em cada casa os moradores são parentes, liderados por um "dono da casa". Por tradição, são coletores e caçadores. Alimentam-se principalmente de peixe e de beiju de mandioca. Pescam com arco e flecha e realizam a pescaria com timbó, um cipó com uma substância que entorpece os peixes, sem envenená-los e que permite recolher grande fartura em peixes. A pescaria com timbó é realizada em ocasiões especiais, quando desejam celebrar uma festa e vão receber muitos convidados ("parentes") de outras etnias ou até mesmo não-indígenas. Enriquecem sua alimentação com frutos silvestres, ovos de tracajá e caça.

Como todos os povos do Parque do Xingu, vivem sobre permanente pressão das imensas fazendas de soja e gado do entorno, que hoje, ameaçam não somente a fauna e flora, mas também as águas dos rios, lagos e lagoas do Parque, cujas nascentes estão nas fazendas, sem qualquer proteção. Desde que foram forçados pela demarcação das fronteiras do Parque do Xingu a residir em uma só localidade, os Kamayurá vêm investindo mais e mais tempo nas plantações de milho, abóbora, cana-de-açúcar, batata-doce, abacaxi e mandioca. Também cultivam plantas para fins cerimoniais, como o fumo e o urucum. Como outros povos Alto Xingu, esses índios cultivam também o algodão para a tecelagem de redes e adornos e utilizam a cabaça para armazenar água e alimento.

  O comércio com outros povos é historicamente importante na vida dos Kamayurá e chamado de Moitará, encontro importante para realizar as trocas daquilo que necessitam. No escambo, trocam com seus vizinhos panelas de cerâmica que ocupam lugar principal, especialidade dos Waurá. No Moitará, a aldeia visitada oferece beiju e peixe para todos. Durante o encontro realizam-se ainda competições, principalmente o huka-huka, luta corpo-a-corpo tradicional no Alto Xingu.

Comum a todas as outras comunidades xinguanas, os Kamaiurá possuem uma grande gaiola cônica, onde vive a águia harpia, ave lendária cujas penas são muito apreciadas, considerada o chefe dos pássaros. Também característica é a "casa dos homens", onde se guardam as flautas sagradas que não podem ser vistas pelas mulheres.

A festa mais importante, realizada em todo o Alto Xingu é o tradicional Kuarup, a homenagem aos mortos, relacionada aos mitos de origem da humanidade. Quando um dos dez povos do Alto Xingu realizam o Kuarup, convida seus vizinhos. Realizam também grandiosas festas como o Yawari, o Uruá e o Jakuí, das quais toda a aldeia participa. Os Kamayurás não usam roupas, somente enfeites e pintura corporal. É comum o cacique possuir duas a três mulheres. Os Kamaiurá já participaram de edições anteriores e se apresentam sempre junto com outros povos xinguanos (Kamaiurá, Yawalapiti e Awetí), se destacando pelo porte físico, danças e cantos, beleza de seus trajes e pinturas corporais.
     
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Kaiowá

Falam a língua Kaiwá do grupo lingüístico tupi-guarani, embora vivendo em toda a região sul do Estado de Mato Grosso do Sul, se concentrando na região de Dourado. Apesar de sofrerem mudanças profundas em seus hábitos tradicionais, pois vivem em pequenas terras, procuram ainda resistir com suas práticas culturais e religiosas. Vivem da agricultura de subsistência. Participam desde a primeira edição dos jogos.




 
     
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Kanela Ramkokamenkra

Habitam as Terras Indígenas Kanela - Buriti Velho, município de Fernando Falcão e Porquinhos, município de Grajaú, região de Barra do Corda, no estado do Maranhão, ambas demarcadas, registradas e homologadas. Se autodenominam Apâniekra ou Rramkókamekra. São do tronco lingüístico Macro-Jê, família Timbíra.

Os registros históricos sobre este grupo datam de l855. Dois grandes fatos marcaram a vida do grupo. Em l93l um fazendeiro instalou seu rebanho na área e afugentou a principal fonte de alimentação que é caça local, iludindo os índios, ofereceu-lhes uma festa em que foram embriagados e massacrados. Outro fato ocorreu em l963, em que um "líder messiânico" fizeram os Kanela acreditarem que haveria uma "transformação": os brancos virariam índios e, estes, se tornariam brancos; seis deles morreram por determinação de fazendeiros.
O grupo possui ainda uma cultura preservada, o que manteve equilibrado o relacionamento do indivíduo com a natureza e com sua sociedade. Uma tradição Kanela é a Corrida de Toras, em que participam homens e mulheres, considerados muitos velozes. As toras para homens pesam mais de l00 quilos e para as mulheres 80. Há a informação que essa corrida surgiu como forma de
treinar os Kanela para eventuais fugas durante perseguições às suas aldeias. Somam, aproximadamente, l.200 pessoas. Participaram em todas as edições dos jogos.
     
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Karajá

KARAJÁ: Habitam a Terra Indígena do Parque do Araguaia na Ilha do Bananal, municípios de Formoso do Araguaia, Pium e Cristolândia, no estado do Tocantins. Os grupos indígenas falantes de língua Karajá sempre viveram no vale do Araguaia. No final do século 16, expedições escravistas percorreram o Araguaia atacando as aldeias e aprisionando índios. Na década de 40 (Estado
Novo), a região começou a ser efetivamente ocupada. Em 1959, foi criado o Parque Nacional do Araguaia, abrangendo a totalidade da Ilha do Bananal (mais de 2.000.000 ha), ignorando as populações indígenas que habitavam a região.

O contato com a população branca se intensificou com a exploração de ouro e a expansão pecuária na região, ocasionando perdas físicas e culturais. Um segundo decreto presidencial, em 1971, criou o Parque Indígena do Araguaia, com 1.540.000 ha e, em 1973, reduziu-se para 1.395.000 ha. Em 1980, um terceiro decreto presidencial alterou a área integrando a aldeia Macaúba ao Parque Indígena Araguaia. Em 1998, foi homologada pelo decreto s/nº, de 14/04/98, com o nome de Terra Indígena do Parque do Araguaia.

Uma característica entre os Karajá como um todo é a diferenciação entre a fala das mulheres e crianças e a fala dos homens, feita através de alguns fonemas e expressões específicas para cada gênero, que é mais acentuada entre os Karajá propriamente ditos, expressando uma forte divisão entre os papéis masculino e feminino. O grupo tem origem lingüísticas Macro-Jê.
 
Os Karajá possuem íntima relação com o Rio Araguaia, fonte de sua subsistência preferencial. Segundo o mito de criação, os Karajá saíram do fundo desse rio e ocuparam as terras perto das margens. O contato direto e a interferência do homem branco fizeram com que perdessem muito de sua cultura. Apesar disso, guardam muitas tradições culturais, que são demonstradas em seus cantos, como a Festa do Hetohoky, "Casa Grande", e também estão inseridas nas danças e lutas corporais "ijesu", onde principalmente os
homens jovens usam a oportunidade para demonstrar força e coragem. Outra Festa é a do Aruanã, em homenagem ao peixe da região, que eles crêem proteger a todos os Karajá.

São muito ricos na fabricação de seus artesanatos "aõrity" e os ardornos "isiywidyna". Destacam-se também pelas suas plumagens, cestarias e cerâmicas. No esporte, os Karajá do Tocantins, possuem estilo próprio para as lutas corporais. Os atletas iniciam a luta em pé, se agarrando pela cintura, até que um consiga derrubar o outro ao chão, logo o atleta vencedor abre os braços e dança em volta do oponente, cantando e imitando uma ave. Participam desde a primeira edição dos jogos
     
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Kayabi

A origem do nome Kayabi é desconhecida pelos próprios nativos. É provável que seja a forma pela qual os Apiaká ou os Bakairi se referiam a eles, pois esses povos representam as primeiras fontes de informação sobre os Kayabi. Certamente, não se trata de autodenominação do grupo. Georg Grünberg, um etnógrafo que pesquisou os Kaiabi nos anos 60, sugere que a autodenominação seja o termo iputunuun, que significa algo como "o nosso pessoal".

Os Kayabi, em sua maioria, habitam atualmente a área do Terra Indígena Parque Indígena do Xingu, no Mato Grosso. Falam uma língua da família do tupi-guarani. A quase totalidade dos Kayabi que habitam o Parque do Xingu e são bilíngües e dominam, bem o português. Alguns indivíduos residentes em aldeias de outros grupos, ou casados com pessoas de outra etnia, falam também uma terceira língua. Segundo informações dos próprios índios, muitos Kayabi, que moram em áreas fora do Parque do Xingu, não falam mais a língua nativa. São denominados também como Cajahis, Cajabis, Kajabi, Caiabis, Cayabi, Kayabi.
     
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Krahô

Do tronco lingüístico Macro-Jê, do ramo dos Timbira. Sua população é de aproximadamente 1.500 pessoas. Habitam a Terra Indígena Kraolândia, uma imensa faixa contínua de cerrado brasileiro, localizada no município de Itacajá e Goiatins, estado de Tocantins. Suas aldeias são construída em forma circulares, com um pátio no centro, ligados por caminhos radiais a cada casa.

Usam as pinturas corporais, praticam suas danças, cantos e os esportes tradicionais como a Corrida - de - Tora (Wakmeti), realizada por homens e mulheres. Em 1940, um massacre resultou na morte de vários índios Krahô. O episódio desencadeou entre o povo um abandono de seus hábitos e costumes, perderam suas sementes milenares e abandonaram o cultivo de roças familiares, o que resultou em grande miséria. Desde 1995, com a implantação do Projeto Krahô tentam resgatar as sementes e antigas técnicas agrícolas para oferecer melhor qualidade de vida às 17 aldeias.

Os Krahô realizam a corrida com duas toras de peso e tamanho similares, sempre ao amanhecer e ao entardecer.
Pela manhã, a corrida tem sentido de ginástica, preparação do corpo. Corre-se apenas com toras usadas, ao redor das casas, em sentido anti-horário. De acordo com a tradição Krahô, o ponto de largada e chegada da corrida é o pátio de uma das casas, a Woto, uma casa preparada para todas as atividades culturais, sociais e políticas. Ao entardecer, corre-se de fora para dentro das aldeias.

Em outros povos a corrida com toras acontece nos rituais, festas e brincadeiras. Nesses casos, as toras podem representar símbolos mágico-religiosos. Durante o ritual do Porkahok, que simboliza o final do período de luto, as toras representam o espírito do morto. Participam desde a primeira edição dos jogos.
     
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Kuikuro

Habitam o sul da Terra Indígena Parque do Xingu, próximo ao Posto Leonardo, nas proximidades do município de Querência, no Mato Grosso. São 394 indígenas, falam a língua Kuikuro, que pertence ao tronco lingüístico Karib. Como os povos do Alto Xingu, os Kuikuro, realizam e participam do Kuarup, ritual em homenagem aos mortos. Pela narração dos Kuikuro, o contato com o não índio se deu entre o início do século XIX ou o fim do século XVIII, incluindo então, as viagens de Von den Steinen, lembrado explicitamente na história contada pelos indígenas.

O plantio da mandioca é uma das atividades agrícolas mais importantes. Da mandioca fazem a farinha e o beijú, que comem com peixe. Cultivam também o milho, o cará e a batata doce. São excelentes nadadores e constroem canoas. Hoje, utilizam também o barco a motor. Entre os mitos destaca-se ainda a Iamaricumã, celebrada pelas mulheres que se vestem com os adereços dos homens. Alguns estudiosos narram esse mito como uma revolta feminina contra a supremacia masculina que vigorava. Outros já preferem interpretá-la como uma maneira para manter a organização social própria.
     
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Matis

A língua é da família Pano. Se autodenominam "Matsé", quer dizer "Gente". São caçadores e agricultores, habitam a região do rio Ituí, Vale do Javari, fronteira com o Perú, Estado do Amazonas. Usam o arco "pia" e a flecha "taua" para a caça e uma arma peculiar que é a zarabatana "tenite".

Poucos falam o português, pois não têm contato permanente com os não-índios.Sua população, de acordo com o último levantamento realizado no final de 1999 e começo de 2000, totaliza cerca de 239 índios. Os primeiros contatos com o homem branco ocorreram em dezembro de 1976 e no início de 1977. A ocupação extrativista naquela região, a partir de 1910, causou um grande impacto sobre esse povo. Habitam maloca e distinguem - se no uso de ornamentos faciais como em orifícios entre as paredes medianas do nariz, nas orelhas um a concha fixada numa madeira e tatuagens.




Há uma série de proibições alimentares, como as carnes de paca, tatu e capivara, que, se consumidas, que de acordo com sua cultura, podem deixar a pessoa preguiçosa ou enfraquecida. Devido seus ornamentos faciais, também são conhecidos como "cara de onça". As condições geográficas são de difícil acesso, levando-se em média quatro dias para chegar até a cidade mais próxima, que é Tabatinga - AM. Participam dos Jogos pela quarta vez, com apenas 8 atletas e realizam uma bela demonstração com zarabatana gigante.
     
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Nambikwara

Também já foram chamados "Povo das Cinzas" por dormirem no chão à beira do fogo e amanhecerem cobertos por uma mistura de cinzas e areia. Na verdade, são vários grupos da mesma família lingüística que receberam genericamente o nome de Nambikwara: Sabanê, Wakalitesu, Halotesu, Kithãulu, Sawentesu, Negarotê, Mamaindê, Hahaintesu, Alantesu, Waikisu, Tawandê, Manduca, Idalamarê, Nechuandê, Kithãulu, de origem Tupi-Guarani que significa "Orelha Furada", nome dado pelos guias da Comissão Rondon, no início do século XX. Habitam as Terras Indígenas Pirineus de Souza, Nambikwara e Vale do Guaporé, no município de Comodoro-MT e Vilhena-RO, região tradicional que se estende pelo Vale do Guaporé desde Vila Bela da Santíssima Trindade, primeira capital de Mato Grosso, do Rio Guaporé, até o Rio Roosevelt e pela Chapada dos Parecis, à noroeste de Mato Grosso e Sul de Rondônia, até as cabeceiras dos rios Comemoração e Tenente Marques. Sua população é de 865 pessoas.

  Os Nambikwara se distinguem de outros grupos éticos pela língua. Falam vários dialetos e têm traços culturais marcantes e próprios. O mito da pedra preta explica sua origem e o ritual da flauta sagrada narra a história do menino que se transformou em alimento para o seu povo Nesse rito tocam uma flauta nasal e as mulheres não participam. O ritual de perfuração do nariz marca a passagem da puberdade masculina, onde o menino deve demonstrar coragem, firmeza e força espiritual. No ritual da Menina Moça se celebra a passagem da puberdade feminina, quando ocorre a primeira menstruação. Praticam o Xikunahity (futebol de cabeça) e participarão dos Jogos pela primeira vez.



     
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Parakanã

Os Parakanã falam a língua akwawa, dialeto Parakanã, da família Tupi Guarani, tronco lingüístico Tupi, que incluem as línguas Asurini e Suruí do Tocantins. A língua portuguesa é falada mais pelos jovens, somente com os não-índios que visitam suas aldeias. Entre eles, a comunicação se faz unicamente em Parakanã. São poucas as mulheres que falam ou entendem o português.
Atualmente, vivem em uma área de 351.697,41 ha, legalmente demarcada, homologada e registrada no Serviço de Patrimônio da União, conforme Decreto 248/91 de 29.10.91. A Terra Indígena Parakanã está situada entre os municípios de Novo Repartimento e Itupiranga, no sudeste do estado do Pará.
Pareci

Vivem na Terra Indígena Paresi, um território de matas, campos e cerrados, município da cidade de Tangará da Serra, região do médio - norte do Mato Grosso; Chapada dos Parecis, Território de matas, campos, cerrados, montanhas e planaltos, uma área de estratégica localização geográfica, assentada nos divisores das Bacias do Rio do Prata e do Amazonas. Sua população está estimada em mil e trezentas pessoas. De acordo com o mito da criação os Paresi, saíram de dentro de uma pedra no Campo Novo dos Parecis, liberados pela entidade mítica Wazare, e se espalharam pela chapada, dividindo-se em três subgrupos: Os Kaxíniti, na parte oriental; os Waimaré, na parte central e os Kozarini, na parte ocidental. Falam a língua do tronco lingüístico Aruak e se autodenominam Haliti, que quer dizer "gente", seres humanos.

O contato com a sociedade nacional ocorreu no período colonial, entre o Centro - Oeste e o Norte. No fim do Século 19 e início do Século 20, os Paresi serviram de guias nos seringais e da Comissão Rondon. Tiveram contato com missões católicas e protestantes entre l950 e l960. Esses índios sofreram com a abertura da BR-364, ligando o país de norte a sul, atravessando o Território dos Paresi, pois o contato trouxe doenças e grandes perdas de suas terras, cultura e valores étnicos, os quais tentam, ainda hoje, assegurar e preservar.

Em 1970, agricultores incentivados pelo PROTERRA e SUDAM fixaram-se em definitivo nas terras Paresi, usando o cerrado para grandes plantios e pastagem, fazendo surgir cidades como Tangará da Serra, Sapezal, Campo Novo do Pareci e outros, todas em suas área. Praticam um esporte que é jogado apenas usando a cabeça, chamado Xikunahity.

A primeira apresentação oficial em público do Xikunahity aconteceu durante os II Jogos dos Povos Indígenas, realizado na cidade de Guaíra, em outubro de
1999. A lenda do Xikunahity, espécie de futebol jogado com a cabeça e cuja bola artesanal é feita de látex, conta que o esporte foi criado pela principal
entidade mítica da cultura Paresi, o Wazare. Depois de cumprir sua missão de distribuir o povo Pareci por toda a Chapada dos Parecis, Wazare fez uma grande festa de confraternização, antes de voltar para seu mundo. Durante essa festa, a entidade mítica mostrou a todos a função da cabeça no comando do corpo, e sua capacidade de desenvolver a inteligência e alcançar a plenitude mental e espiritual. Ele também demonstrou que a cabeça poderia ser usada em sua capacidade física, especificamente na habilidade para com o Xikunahity. Foi nessa comemoração que aconteceu a primeira partida deste esporte; ou seja, entrando literalmente de cabeça.

Entre os Pareci, o esporte só é praticado durante grandes cerimônias como: oferta da primeira colheita das roças, iniciação dos jovens de ambos os sexos, reforma das flautas sagradas, caça, pesca e coleta de frutas silvestres abundantes e a reincorporação de um espírito novo em doentes terminais. A bola utilizada no jogo tem suas peculiaridades, pois é de fabricação própria, tradicional dos Paresi, e é feita com a seiva de mangabeira, um tipo de látex.


O processo de confecção da bola consiste em duas etapas: na primeira, a seiva é colhida e colocada sobre uma superfície lisa, onde permanece por certo tempo, até formar uma camada ligeiramente espessa. A segunda fase do processo,é a formação da parte central da bola (núcleo), que inclui o aquecimento da seiva de mangaba em uma panela. Daí se forma uma película. O látex formado tem suas extremidades unidas, de modo a formar um saco que será inflado com ar, por meio de um "canudo". Depois disso, o núcleo vai ganhando formas arredondadas e vai recebendo sucessivas películas de látex, obtidas na primeira etapa, adquirindo a forma de uma bola, até que ela seque e resfrie, ganhando assim consistência suficiente para pular. A bola tem aproximadamente 30 cm de diâmetro.

O jogo: É uma espécie de futebol, em que o "chute" só pode ser dado com a cabeça. É um esporte praticado tradicionalmente pelos Povos Nambikwara
(Mamaidê, Latundê, Salumã, Irántxe, Mamaidê e Enawenê-Nawê, todos do estado de Mato Grosso. É disputado por duas equipes que podem possuir oito, dez ou mais atletas, com um capitão. É realizada em um campo de terra batida, para que a bola ganhe impulso. O tamanho do campo é semelhante ao de futebol, e conta somente com uma linha demarcatória ao centro, que delimita o espaço de cada equipe.

A partida tem seu início quando dois atletas veteranos, um de cada equipe, dirigem-se ao centro do campo, para decidir quem irá lançar a bola ao outro, que deverá rebatê-la. Isto é decidido por meio de diálogo e a partida inicia-se com a primeira cabeçada para o campo adversário, que deverá ser recepcionada por um dos atletas com a cabeça. Após isso, esses dois atletas deixam imediatamente o campo, pois não realizam outra atividade durante o jogo inteiro. Durante a disputa, a bola não pode ser tocada com as mãos, pés ou qualquer outra parte do corpo, mas pode tocar o chão, antes de ser rebatida pela outra equipe. Os atletas Paresi se atiram e mergulham com o rosto rente ao chão, livrando o nariz de tocar o solo, o que provoca uma certa violência no "chute" de cabeça e demonstra toda a habilidade, destreza e técnica necessária no recebimento e arremesso da bola. A equipe marca pontos quando a bola não é devolvida pelos adversários, ou seja, quando deixa de ser rebatida. Quanto maiores as habilidades dos atletas que compõem as equipes, mais acirradas são as disputas, podendo durar até mais de quarenta minutos.
Pataxó

Vivem na região interna à faixa litorânea dos estados de MG, BA e ES. Sofreram muito com o contato imposto pelos portugueses, foram perseguidos e proibidos de falar a própria língua e de praticar rituais religiosos e culturais, perdendo praticamente toda sua forma cultural. Algumas pessoas ainda falam a língua do tronco macro-jê. Ainda praticam a dança tradicional chamada Toré. Apesar do contato permanente com a sociedade não indígena, sempre procuraram resistir e hoje restam poucas características indígenas.

Os Pataxó lutam pela recuperação de suas terras e pelo resgate de sua identidade e reconhecimento como um povo indígena. Um de seus líderes, Galdino Jesus dos Santos, morreu queimado no dia 21 de abril de 1997 em Brasília, quando lutava em busca seus direitos. Participam pela quarta vez dos jogos.
     
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Suruí

Tiveram os primeiros contatos com os não-índios a partir da década de 60, numa expedição comandada pelos sertanistas Francisco e Apoena Meirelles. Nessa época a população foi calculada em torno de 500 pessoas. Cerca da metade morreu de sarampo e gripe. Sua atividade central é a agricultura, embora se utilizem também de caça, pesca e coleta. Essa agricultura é de queimada, cortando-se todos os anos novos pedaços de matas. Dividem suas tribos em metades, uma ligada à roça e a outra ligada ao mato, que se alternam a cada ano. Possuem uma festa sagrada, denominada Hô-iê-ê-tê, destinada à cura de pessoas doentes e à invocação de fartura e saúde. Essa festa revela a força da religião e do sagrado, fundamentais na vida da tribo, inclusive na produção. Participarão neste evento pela segunda vez.




 
     
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Rikbatsa

O nome tem um significado cultural: rik = pessoa, gente, humano, ba = reforço, tsa = os, "os seres humanos". São também conhecidos como canoeiros, pois são hábeis remadores e nadares. Falam a língua do tronco Marco-Jê. Habitam as Terras indígenas Escondido, Japuíra e Erikbatsa, no norte do Estado de Mato Grosso. Resistiram bravamente no final dos anos 40 contra a frente extrativista da borracha. Sua pacificação ocorreu em 1956, pelo Padre João Dornstauder da Missão Anchieta. Mantêm muitos de seus costumes sociais, ritos culturais que o caracterizam e o destacam pelo o adorno em suas orelhas e a beleza de suas plumagens. Sofreram muito com as epidemias de gripe e sarampo que dizimaram 75% da população, hoje estimada em aproximadamente 1205 indígenas. Participam pela quarta vez dos jogos.
 
     
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Tapirapé

Falam a língua Tapirapé do tronco lingüístico Tupi-Guarani. Vivem próximo ao rio Tapirapé e foz do Rio Araguaia, no estado do Mato Grosso. Numerosos no passado, o primeiro contato com os não-índios ocorreu em 1935, quando foram dizimados por epidemias e reduzidos a 135 pessoas e, em seguida a apenas 51. A redução dos Tapirapé fez conm que perdessem muitos conhecimentos tradicionais. Na década de 60, a construção da rodovia Belém-Brasília reduziu suas terras. A população atual é de 500 pessoas. Alimentam-se de caça, pesca e pequenas lavouras. São artesãos e lavradores. Destacam-se pelo artesanato e arte plumária. Estão distribuídos em cinco aldeias (Majtyritawa, Tapi'itawa, Akara'ytawa, Xapi'ikeatawa e Wiriaotawa). Participam pela segunda vez dos jogos indígenas.
 
     
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Tembé

Pertencem à família lingüística tupi-guarani. Constituem o ramo ocidental dos Tenetehara, palavra que significa gente. O grupo oriental é conhecido por Guajajara. O nome Tembé ou Timbé foi atribuído pelos não índios da região. De acordo com o lingüista Max Boudin, timbeb significaria "nariz chato". Já estão em contato com a população envolvente desde o século XIX.

Habitam as aldeias Sede e São Pedro, próximo ao Rio Guamá, nas Terras Indígenas Turé-Mariquita e Tembé. O contato mais estreito com a população regional gerou casamentos com os não-índios. Grande parte de sua área foi invadida no passado por frentes de colonização e são poucos os que hoje falam algumas palavras do idioma tenetehara. Atualmente, estão mobilizados para recuperar suas terras. O segundo bloco permaneceu às margens do Rio Gurupi e é mais conhecido pela sua aldeia maior, denominada Tekohaw. Estes Tembé mantêm suas tradições culturais e a língua ainda é falada nas aldeias. Em sua festa religiosa incorporam os dias santos e o batizado cristãos, mas não o cristianismo como sistema religioso. Em sua mitologia, Maíra é o principal herói cultural e o ciclo mítico da criação é o mesmo de vários outros povos Tupi-Guarani.
 
O pajé, a figura intermediária entre os humanos e os sobrenaturais, chama e domestica os espíritos com seus charutos de meio metro (tawari), cantos e maracás. Remédios feitos de plantas, penas, ossos ou pêlos, são aplicados pelas mulheres nos transgressores de regras alimentares. Se o tratamento fracassa, um pajé, dentre os poucos existentes, é procurado. Os ritos de puberdade constituem uma boa ocasião para a revelação de novos pajés Os Tembé guardam o Wiraohavo, o rito de puberdade de rapazes e moças, que fazia parte da festa do milho, e é também conhecido como festa do moqueado.

Eles fazem também o Wiraohavo-i (em que o i indica o diminutivo), que é o mesmo rito com menor duração e mais simplificado, destinado a evitar que a criança adoeça com a introdução de carne na sua dieta. Aves, de preferência o inhambu, são abatidas pelos pais e tios maternos para essa festa. Participarão pela terceira vez nos jogos.
     
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Terena

Terenoé - Os primeiros contatos oficias foram feitos a partir de 1910, pelo Marechal Rondon, com a implantação da rede telegráfica na região pantaneira, onde os Terena tiveram presença marcante como trabalhadores. Se autodenominam Chané. Habitam o Pantanal, no Mato-Grosso do Sul e somam, hoje, cerca de 20 mil pessoas aproximadamente, dentre os aldeados e urbanos. Há um grupo de Terena que foi transferido na década de 30 para o Estado de São Paulo e habita a área dos Nhandéva (Guarani), próximo a cidade de Bauru, no atual Município de Avaí, Terra Indígena Araribá.

Em seus mitos têm o Yurikovuvakái como herói civilizador que tirou o Terena do fundo da terra e lhes deu o fogo, bem como todo o instrumento para sobreviver em cima da terra. Conhecidos pelo seu nível de adaptação e aculturação, os índios Terena são politizados e exercitam seus direitos de cidadão. Muitos Terena participaram na Guerra do Paraguai e lutaram também na Itália, durante a II Grande Guerra.
São hábeis agricultores, possuem poucas terras, mas sabem aproveitar bem o espaço. Na política de sua região, participam com vereadores eleitos por algumas comunidades em seus municípios.

Os Terena procuram preservar sempre seus valores étnicos e culturais. Dentre as expressões em destaque, figura a Dança da Ema - ohixóti Kipahí:, onde somente os homens participam, bem o Siputrena em que somente as mulheres participam, ainda fabricam suas cerâmicas. Participam desde a primeira edição dos jogos.
     
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Wai-Wai

Povo da língua Karib, que habita o noroeste do Estado do Pará, às margens do rio Mapuera. Historicamente os Wai-Wai se deslocaram para a Guiana Inglesa no início do século, retornando em por volta de 1970 a região dos Rios Mapuera, Trombetas e Cachorro, na Terra Indígena Nhamundá-Mapuera, Estado do Pará, onde também vivem os Povos Katuena, Hixkariana, Mawaiana, Xeréu, Tiriyó, Wayana, Apalaí, Wapxana, Kaxuyana, Tunayna e Xikyana. Trata-se de uma área de difícil acesso, podendo levar uma semana de viagem até Campo Grande, pois irão fazer uso da canoa, navio, avião e ônibus nesse deslocamento. Divididos em cinco aldeias, onde a maior aldeia é Mapuera com aproximadamente 1270 pessoas. Vivem da caça, da agricultura, da coleta e da pesca. São exímios artesões, confeccionando colares, pulseiras, bancos de madeiras que tem no seu desenho as características peculiar Wai-Wai de beleza rara. Participarão pela segunda vez dos jogos.
 
     
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Waiãpi

A partir do metade do século XVIII, mantém contato o não índio. Do tronco lingüístico tupi-guarani. No Brasil, estão distribuídos em 13 aldeias na Terra Indígena Waiãpi, município de Mazagão e Macapá, estado do Amapá, há um outro grupo isolado no Alto Ipitinga, uma outra família que habitam o Parque Indígena do Tumucumaque, estado do Pará e uma outra parte que está localizada na Guiana Francesa.
 
Se destacam pela beleza de suas festas como a festa do milho (no inverno), a festa do mel e as danças dos peixes e principalmente as festas coletivas que é para agradar o herói civilizador Ianejar, que acordo com suas crenças ameaça destruir a humanidade. Sua população é aproximadamente 525 pessoas no Brasil e 412 na Guiana Francesa e participam pela primeira vez dos V Jogos.
     
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Waimiri Atroari

São do tronco lingüístico Karib, cujo território imemorial de ocupação se localiza nas atuais Regiões Sul do Estado de Roraima e Norte do Amazonas, na Terra Indígena Waimiri Atroari. Eram mais conhecidos como Crichanás, quando segmentos expansionistas da sociedade envolvente brasileira travaram seus primeiros contatos com eles, sobretudo a partir do Século XIX. Nos primórdios desses contatos, houve duas estimativas de sua população: uma que os dava como sendo seis mil pessoas; e a outra, em torno de duas mil. Suas terras eram pródigas em produtos de grande importância comercial para a época, atraindo assim a cobiça de colonizadores pioneiros que subiram pelos rios Negro, Branco e Jauaperi. Os contatos iniciais ocorreram nas atuais cidades de Moura e Airão, de forma quase sempre belicosa, com o apoio inclusive de forças militares coloniais. A intensificação do contato da sociedade nacional com os Waimiri Atroari resultou em conseqüências dramáticas, como a redução populacional, provocada por choques armados e surtos epidêmicos de doenças exógenas que debilitaram toda sua população. Indígenas em idade produtiva não poderem mais caçar, pescar nem cultivar roças, fato que acabou por redundar num grave estado de inanição e desagregação social em várias de suas aldeias. Em 1974, a população sobrevivente era em torno de 1500 pessoas, a maioria crianças e adolescentes.
O programa Waimiri Atroari, criado com recursos de indenizações de empreendimentos hidrelétricos e minerais permitiu ações múltiplas nas áreas de administração, saúde, educação, meio ambiente, apoio à produção, documentação e memória, que dão, hoje, uma sobrevivência digna ao povo Waimiri Atroari. Em 1987, eram 374 pessoas, atualmente está são 970, conforme dados de abril de 2003. Mesmo já possuindo utensílios industrializados, os Waimiri Atroari conservam sua rica cultura material, com destaque para as cestarias com grandes variedade de formas, utilidade e motivos gráficos, que expressam a visão de mundo dos Waimiri Atroari inspirado nos elementos da natureza e em seu universo mítico. Também se destacam os arcos e as flechas de ponta de madeira, osso ou ferro. Este último componente, mesmo de origem industrial, acabou se tornando um espécie da marca registrada dos Waimiri Atroari, que aprenderam a moldar o metal de acordo com seus padrões estéticos e utilitários. Participam dos Jogos pela primeira vez.


     
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Xavante

Os primeiros contatos se intensificam a partir de fins da década de 40. Falam a língua A'uwem, do tronco lingüístico Macro-Jê. A população Xavante soma aproximadamente 7.l00 pessoas. Tradicionalmente eram semi-nômades. Viviam em suas aldeias apenas poucos meses po