Futebol

 

Prova: Esporte já inserido no contexto cultural de vários grupos indígenas, sendo unanimidade nos jogos e praticado por atletas femininos e masculinos. As regras são regidas pela Instrução Geral dos Jogos, obedecendo o padrão da Confederação Brasileira de Futebol, exceto o tempo de jogo que é de 50 min, divididos em dois tempos de 25 min cada, com intervalo de 10 min.

Histórico: Conforme as tradições culturais desportivas dos povos indígenas no Brasil, há informações de que havia etnias, que desapareceram, e praticavam o jogo de bola com os pés. Podemos citar os indígenas habitantes do Alto Xingu, MT, que praticam um esporte semelhante ao futebol, em que a bola é chutada usando somente os joelhos, chamado Katulaiwa, onde a regra se assemelha ao do futebol. Do mesmo modo os Pareci, com o "futebol de cabeça", o Xikunahity. Daí, pode-se concluir e comprovar que há uma relação tradicional entre os povos indígenas e o esporte com bola. Disso vemos uma semelhança entre indígenas e não indígenas brasileiros, a paixão pelo futebol. Um dos grandes atletas futebolistas e bi-campeão mundial de futebol, chamado Manoel Garrincha era descendente dos indígenas Fulni-ô de Águas Belas, PE.

O primeiro encontro de indígenas de diferentes etnias para a prática desse esporte, aconteceu no dia 19 de abril de 1979, Dia do Índio. Foi organizada uma seleção indígena de futebol para uma partida amistosa contra a equipe do Centro de Ensino Unificado de Brasília, CEUB. As etnias que integraram a equipe foram Karajá, Terena, Bakairi, Xavante e Tuxá. Daí nasceu uma equipe de futebol de campo e salão composta por estudantes indígenas, que foi chamada Kurumim. Se apresentaram em vários estados brasileiros, inclusive no Maracanã, no Rio de Janeiro. A primeira vez que uma delegação indígena de esporte disputou uma competição oficial, ocorreu nos XIV Jogos Escolares Brasileiros, realizados em São Paulo, capital, de 7 a 15 de dezembro de 1985. Por não terem o mesmo preparo técnico de outras equipes, os atletas indígenas não conseguiram resultados expressivos. Somente em 1988/89 é que conseguiram bons resultados no futebol. Mas havia muita pressão dos dirigentes dos JEB para que a delegação indígena não mais participasse, daí que a última atuação ocorreu nos XX JEB, realizados em Presidente Prudente, SP, em julho de 1991. Os Jogos Escolares Brasileiros foram de grande valia para as comunidades indígenas no segmento do esporte. A equipe de futebol foi se aperfeiçoando e adquirindo experiência com o passar do tempo, conseguindo melhorar seus resultados nesta competição. O futebol tem grande aceitação entre as etnias dos Jogos dos Povos Indígenas. Obedecendo os princípios que norteiam a filosofia do evento, é importante ressaltar que nesta modalidade não se propõe consagrar o atleta artilheiro, o goleiro menos vazado ou a defesa mais eficiente. Os Jogos Indígenas destacam o aspecto lúdico da prática desportiva do futebol, tornando o falado fair play uma realidade. Todas as etnias levam representantes para a competição, e apesar da popularidade do esporte as partidas realizadas nos Jogos Indígenas não atraem grande número de espectadores, que preferem assistir às modalidades esportivas tradicionais e as manifestações culturais.

   
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