Histórico dos Jogos dos Povos Indígenas

 

A realização dos Jogos dos Povos Indígenas era um sonho de um índio, que por muito tempo perseguiu esse ideal. Em decorrência da observação nas reuniões políticas entre os povos indígenas que reivindicavam ações efetivas do Governo para a formulação de uma política nacional voltada para as questões sociais. Esses encontros eram freqüentemente realizados sob grande tensão. Havia, na época, a impressão predominante da sociedade não-indígena de que os índios viviam em constante depressão. Por outro lado, em muitas comunidades indígenas havia um momento de expressão de alegrias através de suas manifestações culturais, quando da preparação de seus enfeites plumários, contornos dos desenhos de suas pinturas corporais, danças, cantos, instrumentos musicais e esportes tradicionais. Foi assim que surgiu a idéia de juntar essas atitudes positivas, para mostrá-las aos não-índios, e aproximar as mais de 180 etnias e mais de 200 línguas indígenas ainda existentes ainda no Brasil, especialmente para que essas pudessem se conhecer e fortalecer sua cultura.

Foi no começo dos anos 80 que ele procurou os órgãos federais, estaduais e municipais, para buscar recursos para a realização deste evento. Dezesseis anos depois, em 1996, com a criação do então Ministério Extraordinário dos Esportes, e a nomeação de Edson Arantes do Nascimento, Pelé como Ministro que o sonho começou a se concretizar. Pelé determinou que a área técnica do Instituto Nacional do Desenvolvimento do Desporto; INDESP, fizesse estudos e uma programação orçamentária, para atender a demanda da comunidade indígena. Os técnicos não mediram esforços para consecução dos objetivos, mesmo não estando familiarizados com a realidade indígena, se engajaram de tal forma no projeto que juntamente com líderes indígenas, visitaram várias aldeias, em todo Brasil, com intuito de convidá-los e buscar subsídios preciosos para a formatação do evento. Assim a confraternização lúdico-esportiva tradicional indígena, imaginada nos anos 80 transformou-se em realidade de 16 a 20 de outubro de 1996, em Goiânia; GO, região central do Brasil, com a realização dos I Jogos dos Povos Indígenas. 25 etnias enviaram mais de 400 atletas para participarem do evento. Toda a linha de ação, desde a concepção do espaço físico (Aldeia Olímpica) sua estrutura, até a definição das modalidades, ficaram sob a coordenação indígena.

Objetivos: Observando o que preceitua o Art. 217, inciso IV, da Constituição Federal do Brasil; promover o encontro e o intercâmbio esportivo-cultural entre os diferentes povos indígenas brasileiros, revelando ao público o universo que traduz a harmonia e equilíbrio das sociedades tribais, manifestado através de suas danças, cantos, pinturas corporais e gestos esportivos próprios, o autêntico ritual do esporte de criação nacional.

Finalidade: Os Jogos dos Povos Indígenas tem por finalidade o congraçamento entre todos os participantes, privilegiando o aspecto lúdico da prática esportiva, revelando e resgatando as manifestações esportivas tradicionais indígenas. Cabe ressaltar que os jogos não buscam promover o esporte de alto rendimento, que procura identificar e formar grandes campeões, mas fortalecer a identidade cultural, celebrando o espírito de confraternização digna e respeitosa com a sociedade não-indígena e, acima de tudo recuperar a auto-estima do Homem Índio.

   
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