| "O
importante não é competir, e sim, celebrar"
Em sua sabedoria milenar, a cultura
indígena valoriza muito o celebrar. Suas festas são manifestações
alegres de amor à vida e a natureza. Têm como referência
em suas tradições a espiritualidade, que é a dimensão
da vida criada por um ser superior, tendo nos elementos da natureza
- árvores, pássaros, animais, rios, lagos, matas - a grandeza
da vida.
Essa tradição não tem sentido de coisa passada
e sim na busca da memória, que é transmitida e atualizada
de geração a geração, respeitando-se assim
esses valores, adquirindo o dom da partilha em comemorar uns com os
outros, vivendo a gratuidade do festejar.
Com a chegada da "nova civilização", as comunidades
indígenas criaram outros mecanismos políticos, sociais
e econômicos. Foi desse contexto que nasceu a idéia da
criação dos Jogos dos Povos Indígenas, um segmento
que nunca fora antes pensado, cuja função e objetivos
ganham cada vez mais o caráter de composição da
grande família. Todos participam, promovendo a integração
entre as diferentes tribos com sua cultura e esportes tradicionais.
Nasce um novo conceito de se fazer, conhecer e se estabelecer uma relação
de igualdade com a sociedade envolvente. Somente o esporte possibilitará
esse momento de respeito às diferenças e de promover a
diversidade cultural étnica que caracteriza os indígenas
brasileiros.
Carlos Justino Terena
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