| Modalidades dos VI Jogos dos Povos Indígenas |

Arco e Flecha
Cabo de guerra
Canoagem
Atletismo
Corrida com tora
Xikunahity
Futebol
Arremesso de lança
Luta corporal
Natação
Zarabatana
Rõkrã
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Arco
e Flecha
Os
povos indígenas usavam muito esse instrumento como arma de guerra.
Atualmente, é usado para a caça, pesca e rituais, e tornou-se
também uma prática esportiva, sendo disputada entre aldeias
e até com não-indígenas. Na maioria das tribos
indígenas brasileiras, o arco é feito do caule de uma
palmeira chamada tucum, de cor escura, muito encontrada próxima
aos rios. O povo Gavião, do Pará o confecciona com a madeira
de cor vermelha chamada aruerinha. Os povos do Xingu utilizam o pau-ferro,
o aratazeiro, o pau d'arco e o ipê amarelo. Os índios do
alto Amazonas usam muito a pupunha, e as tribos da língua tupi
são as únicas que, às vezes, utilizam a madeira
das palmeiras. O padrão do tamanho do arco obedece à necessidade
de seu uso, de acordo com a cultura de cada povo.
A flecha é feita de uma espécie de bambu, chamada taquaral
ou caninha. A ponta é feita de acordo com a tecnologia de cada
etnia. Há aquelas flechas mais longas e as pontas tipo serra,
muito usada para a pesca. Outras pontas são feitas com a própria
madeira da flecha. Alguns povos colocam ossos e mesmo dentes de animais.
Há outras flechas praticamente sem ponta, mas com uma espécie
de esfera (coquinhos), usada na caça aos pássaros. O objetivo
é abater a ave e evitar ferimentos na pele ou danos às
plumas e penas. Há também um outro armamento semelhante
ao arco, em que se arremessa pedra, chamada bodoque.
A diversidade em seu uso
A necessidade do uso no dia-a-dia levou os povos indígenas à
criação de uma variedade imensa de tipos de arcos, flechas
e pontas de lança. Antropólogos estudiosos acreditam que
o arco e flecha é o instrumento mais utilizado entre os povos
indígenas. Os numerosos detalhes técnicos de fabricação,
utilização e ornamentação tornam complexo
o estudo antropológico dos tipos de arco e flecha em cada tribo.
Numa mesma tribo, etnólogas como Berta G. Ribeiro e Wilma Chiara
se depararam com diferentes tipos, adequados para determinadas situações.
Os povos xinguanos, no Estado de Mato Grosso, são exímios
praticantes da pesca com arco e flecha. Na caça de animais de
pequeno, médio e grande porte, todos os povos indígenas
utilizam o arco e flecha, apesar de hoje, alguns já estarem substituindo-o
pela arma de fogo.
Na preparação de seus jovens os guerreiros Ashaninka,
que habitam sudoeste do Estado do Acre, fronteira com o Peru. Os Gavião
Kyikatêjê e Parakatege, da Reserva Mãe Maria, no
sul do Estado do Pará, praticam um exercício chamado de
apãnare, que é o lançamento de flecha em que o
"alvo" é um guerreiro, que, com sua destreza, concentração
e habilidade pára a flecha com as mãos. No passado, os
Xavante também tiveram um exercício semelhante, mas hoje
quase não é mais praticado. Consiste no arremesso da flecha
no sentido horizontal, aparada com a mão, antes de cair ao chão.
Os Guaikuru, valentes guerreiros, que desapareceram no começo
do século passado, foram os únicos indígenas, exímeos
atiradores de arco e flecha, em movimento, montados à cavalo.
Outro exercício revelador da habilidade com o arco e flecha,
praticado pelos Gavião -Kyikatêjê e Parakatege é
chamado de kaipy e utiliza a folha de palmeira, apoiada sobre duas madeiras
fixas ao solo. O guerreiro se distancia em aproximadamente 10 a 20 metros,
arremessando a flecha em direção à folha da palmeira.
A ponta da flecha acerta exatamente o caule e, resvala, ganhando velocidade
em busca do seu alvo. Entre esse povo existe a prática de arremesso
à distância, praticado também pelas mulheres. Entre
muitas tribos, se praticam o exercício de precisão, utilizando
frutos nativos como a manga, laranja, caule da bananeira e outros.
A prática como esporte
A primeira atividade no âmbito
esportivo intertribal que se tem notícia ocorreu em 1997, no
I Jogos dos Povos Indígenas, realizado em Goiânia. A
iniciativa, idealizada pelo índio Carlos Terena, resultou do
patrocínio do Ministério dos Esportes e da parceria com
o governo do Estado de Goiás do
Comitê Intertribal e o apoio da FUNAI. Nessa primeira edição
dos Jogos Indígenas foram usadas as flechas cedidas pela organização
dos jogos, não havendo um grande aproveitamento na precisão
dos lançamentos. Nos outros jogos que se seguiram nas cidades
de Guaíra-PR (1999) e Marabá-PR(2000), cada competidor
trouxe os seus próprios arcos e flechas.
Segundo Terena, "ao trazer seu próprio equipamento, o atleta
aprimorou sua demonstração e possibilitou o uso mais apurado,
pois sendo um objeto de uso pessoal, permitiu o exercício da
técnica de cada guerreiro ao retesar a corda, na calibragem da
flecha e na habilidade de seu lançamento".
Terena explicou que a variedade de arcos e flechas ganha um único
objetivo que é o alvo. Para associá-lo às culturas,
os índios se reuniram e resolveram decidiram que o alvo seria
o desenho de uma anta, muito caçada tanto no centro-oeste e no
sul (I Jogos, em Goiânia e II, em Guairá, no Paraná).
Em Marabá, onde os Jogos foram realizados na beira do rio Tocantins,
praia do Tucunaré, os indígenas optaram pelo desenho de
um peixe, o tucunaré, abundante nos rios da região.
Com a repercussão dos Jogos Indígenas, a Federação
Matogrossense de Tiro com Arco criou, em junho de 2001, o I Campeonato
Estadual de Arco Nativo, para o qual convidaram os índios Gavião,
de Rondônia, e os Xavante, do Mato Grosso. Na competição,
os atletas participantes, inclusive os não-índios, tiveram
de utilizar o arco nativo, confeccionado pelos próprios índios.
No período de 01 a 05 de novembro de 1999, foi realizado o II
Campeonato Brasileiro de Arco Nativo, na Chapada dos Guimarães,
MT, que contou com a presença de 15 povos indígenas. Com
essas experiências, abriu-se um canal de conversação
junto ao presidente da Confederação Brasileira de Tiro
com Arco. O objetivo futuro é aproveitar essas habilidades indígenas
na preparação dos atletas indígenas com as técnicas
apuradas, visando a participação em Jogos Olímpicos
Nacionais e internacionais.
Como modalidade nos jogos
Prova: O Arco e Flecha é uma
prova individual masculina Cada delegação indígena
deverá inscrever no máximo 02 (dois) atletas, sendo essa
modalidade uma competição individual. Cada atleta terá
o direito a 03 (três) tiros, e deverá trazer o seu próprio
equipamento (arcos e flechas). Caso haja algum problema no equipamento,
o atleta poderá substituí-lo ou solicitar tempo para reparo.
O alvo será o desenho de um peixe e a distância de aproximadamente
30 metros. A contagem de pontos reunirá a soma de acertos em
cada área do alvo, com pontuação variadas e previamente
definidas pela Comissão Técnica. Haverá uma primeira
etapa eliminatória, que classificará para a segunda. Nessa
fase, inicia-se uma nova contagem de pontos, que irá definir
o primeiro, segundo e terceiro colocados. Somente 12 atletas, com as
melhores pontuações, disputam a final. Outros detalhes
serão definidos no Congresso Técnico da modalidade.
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Cabo de guerra
Histórico
Modalidade praticada para medir a força física, o cabo
de guerra é muito aceito entre as etnias participantes de todas
as edições dos Jogos, como atrativo emocionante, que arranca
manifestação da torcida indígena e do público
em geral. Permite a demonstração do conjunto de força
física e técnica, que cada equipe possui. É uma
das provas mais esperadas pelos atletas, pois muitas equipes treinam
intensamente em suas aldeias, puxando grandes troncos de árvores.
Isso porque, para os indígenas a força física é
de suma importância, dando o caráter de destaque e reconhecimento
entre todos. Na preparação de seus guerreiros, os índios
sempre procuraram meios de desenvolver e medir a coragem e os limites
de sua capacidade na força física.
É
realizada desde os I Jogos por atletas, com a participação
de homens e mulheres.
Competição/Prova: Cada delegação poderá
inscrever no máximo duas equipes (masculina e feminina), compostas
de 10 atletas e dois reservas. Haverá sorteio para compor as
chaves de acordo com o número de equipes inscritas. Será
utilizado o sistema de eliminatória simples na primeira e em
todas as fases subseqüentes, até se chegar a um ganhador
maior. Detalhes serão definidos no Congresso Técnico.
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Canoagem
Histórico: A canoa é utilizada como meio de transporte
e para a pesca, sendo essencial na vida dos índios. Naturalmente,
cada povo tem uma maneira para fabricá-la. Os Bakairi utilizam
a casca de jatobá. As canoas dos Karajá são mais
estreitas que as outras, por serem feitas de um tronco mais fino, atingindo
maior velocidade nas águas, difíceis de serem conduzidas.
Os povos do Amazonas, como os Munduruku, usam o fogo para fazer a cava
no tronco da árvore do Itaúba.
COMPETIÇÃO/PROVA: Cada
delegação deverá inscrever uma equipe de 02 (dois)
atletas. A prova será realizada em rio ou lago aberto, cujo local
específico, distância e percurso serão definidos
pela Comissão Técnica que serão divulgados, posteriormente
no Congresso Técnico. Será permitido aos competidores
o reconhecimento prévio do percurso e das canoas. Haverá
sorteio das canoas, entre as equipes, em todas as baterias. Apenas o
primeiro colocado de cada bateria participará da fase final composta
por um número de equipes correspondentes ao número de
canoas disponíveis no evento, quando serão definidos o
ganhador maior.
O vencedor será identificado pela arbitragem
a partir da passagem da ponta da proa (ponta) da canoa, na linha demarcatória.
Outros detalhes serão definidos no Congresso Técnico.
Cada competidor trará o seu próprio remo.
Desde o início dos Jogos, para organizar a competição
dessa modalidade houve grande preocupação, pois cada etnia
possui tecnologia própria para a fabricação de
sua canoas, feitas artesanalmente, mas sem obedecer a um padrão
exato de tamanho e peso. O problema foi resolvido escolhendo-se as canoas
dos Rikbatsa, norte de Mato Grosso, exímios canoeiros. Suas canoas
ofereciam condições de aceitação pela maioria
dos povos participantes nos jogos, foram adotadas e aprovadas para as
competições, sendo sorteadas entre os participantes. Portanto,
a partir dos III Jogos, os competidores passaram a usar canoas de fabricação
tradicional rústica, feitas em madeira pelos índios Rikbatsa.
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Atletismo
(100 metros)
Prova: A realização dessa modalidade passou por várias
experiências de adaptação para a definição
de seu formato. Chegou-se a conclusão da prova de 100 m rasos
(masculino e feminino), como ideal para o modelo dos Jogos dos Povos
Indígenas. Como experiência, nos I Jogos foi também
disputada a prova de 4x100 m e o Salto em Distância. Já
nos II Jogos, em Guairá (PR), em 1999, também como experiência,
foi realizada a corrida de resistência de média distância
em revezamento. Cada equipe indígena participou com dez atletas,
revezando-se a cada 1000 m. Além da competição
de 100 m, a prova de resistência de 5000 m, disputada por atletas
masculinos, já está inserida nos Jogos.
Histórico: Os índios sempre se interessaram em trabalhar
seu preparo físico. Com isso, tornam-se verdadeiros competidores,
adaptando-se e aprendendo, com a natureza a caçar e pescar, percorrendo
grandes distâncias, atravessando lagos e rios em busca de alimento.
O exercício físico é parte do dia-a-dia das aldeias.
Tradicionalmente, os Gavião Kiykatêjê, praticam o
Akô, (corrida de varinha), em que duas equipes de atletas realizam
a corrida de velocidade em círculo, em revezamento de quatro,
cujo bastão é uma varinha de bambu.
Competição: Cada delegação indígena
poderá inscrever no máximo duas equipes, uma masculina
e feminina, composta por 02 (dois) atletas. O número de séries
(largadas) eliminatórias será definido no Congresso Técnico,
de acordo com o número de atletas inscritos. Classificar-se-ão
para as séries subseqüentes somente os primeiros colocados
da série (largadas) anterior, até se chegar a série
(largada) final. Outros detalhes serão definidos no Congresso
Técnico, onde cada povo participante pode ter dois representantes.
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Corrida
com tora
Os
povos indígenas que praticam essa atividade são os: Krahô,
Xerente, e Apinajé do Tocantins, que habitam a região
central do Estado de Mato Grosso em várias 11 terras indígenas
e os Gavião Parakategê e Kyikatêjê do Pará,
Terra Indígena Mãe Maria. Os Kanela e os Krikati, são
do estado do Maranhão. Os Kayapó do Pará e do Mato
Grosso realizavam semelhante esporte que consistia em carregar e não
correr com as toras. Os Fulni-ô de Pernambuco teriam praticado
esse esporte no passado, de acordo com estudo do antropólogo
Curt Nimuendajú.
Histórico e Ritual
Entre os Krahô, Xerente, e Apinajé, a Corrida de Tora difere
em diversos aspectos, obedecendo seus ritos tradicionais de significados
social, religioso e esportivo.
Para o povo Khraô, habitante de extensa faixa contínua
de Cerrado no estado de Tocantins, ela está associada a algum
rito e, conforme esse rito, variam os grupos de corredores, assim como
o percurso e a tamanho das toras. Essas atividades são realizadas
sempre com duas toras praticamente iguais. Os participantes se dividem
em dois grupos de corredores “rivais”, cabendo apenas a um atleta de
cada grupo carregar a tora, revezando-se em um mesmo percurso. As corridas
se realizam no sentido de fora para dentro da aldeia, nunca de dentro
para fora, ou mesmo dentro dela, quando estabelecem os pontos de largada
e chegada no pátio de uma casa chamada woto, uma espécie
de oca preparada para todas as atividades culturais, sociais e política.
É sempre realizada ao amanhecer e ao entardecer. As corridas
vindas de fora acontecem geralmente no final das tardes, quando os Krahô
retornam de alguma atividade coletiva (caça ou roça).
A corrida de tora é praticada nos rituais, festas e brincadeiras.
Nesses casos, as toras podem representar símbolos mágicos-religiosos,
como durante o ritual do Porkahok, que simboliza o fim do luto pela
morte de algum membro da comunidade. Pela manhã, a corrida ganha
um sentido de ginásticas para a preparação do corpo.
Corre-se apenas com as toras já usadas ao redor das casas, no
sentido contrário do relógio.
Os Xavante, do Mato Grosso, também
realizam a Corrida de Tora, o Uiwed, entre duas equipes de 15 a 20 pessoas.
Pintam os corpos e correm mais de cinco quilômetros, revezando-se
até chegar ao Wa'rãm'ba, o centro da aldeia, e iniciam
a Dança do Uwede'hõre. Na festa do U'pdöwarõ,
a festa da comida, também existe a corrida com tora, mas nesse
evento a tora usada é maior e mais pesada (média de 100
a 110 Km).
Os Gavião Kyikatêjê/Parakateyê, do Pará,
também grandes corredores de tora, obedecem os mesmos rituais
de outros povos, mas há uma peculiaridade que é o Jãmparti
(pronuncia-se Iãmparti). Trata-se de uma corrida com uma tora
com mais de 100 Kg, mais comprida e carregada por dois atletas. Realizada
sempre no período final das corridas de toras comuns, ou seja,
aquela que é carregada por um atleta, com o sentido de harmonia
e força. Em todas essas manifestações há
a participação das mulheres. Não há um prêmio
para o vencedor, pois somente a força física e a resistência
são demonstradas.
Preparação das toras:
Geralmente, todos os povos que possuem essa atividade, confeccionam
as toras com o tronco de uma palmeira chamada buriti, uma espécie
de coqueiro, considerado sagrado pelos Krahô. Do buriti, os índios
aproveitam tudo, desde seu fruto, como alimento, folhas para cobertura
de casa e confecção de artesanatos (cestarias, abanos),
tronco para rituais e atividades esportivas.
Na preparação de corte dessa madeira, há um ritual
de cantos e danças. É derrubado e cortado em duas partes
em forma de cilindros em tamanhos iguais. Nas extremidades da tora é
feito um tipo de cava para que possa facilitar seu carregamento. As
toras possuem tamanhos variados, de acordo com o ritual a ser realizado,
pesando de 02 a 120 quilos. Muitas toras são “guardadas” dentro
do rio para que seja absorvida mais água e, assim, fiquem mais
pesadas. Notadamente isso ficou comprovado nas apresentações
dos Jogos dos Povos Indígenas.
Competição:
Nos VI Jogos dos Povos Indígenas/2003, haverá pela primeira
vez, uma verdadeira competição intertribal. Após
uma ampla observação e um detalhado estudo por mais de
seis anos, é chegado o momento histórico para a realização
da primeira competição da Corrida de Tora entre as etnias
indígenas. Esta decisão é resultado da sondagem
realizada durante os jogos e nas manifestações e grande
interesses dos próprios chefes indígenas na inovação.
Portanto, além das etnias que praticam essa atividade em sua
cultura, ou seja, entre os Povos Apinajé, Xavante, Kanela, Gavião,
Krahô e Xerente, não haverá restrição
para que outras etnias também manifestem interesse em participar.
A competição será dirigida e observada por pelo
menos cinco “juízes” neutros, não indígenas. Cada
etnia deverá formar e uma equipe com 10 atletas corredores e,
mais três reservas. As toras usadas nesta prova deverão
ser selecionadas pela comissão organizadora, bem como os números
de voltas a serem dadas na arena, largada e chegada;
A largada será sempre entre
duas etnias (equipes), escolhidas num sorteio prévio. Será
utilizado o sistema de eliminatória simples em todas as fases,
até chegar a um ganhador. Caso haja empate na segunda largada,
haverá uma terceira. Os chefes de cada equipe serão chamados
para um outro sorteio (par/impar ou cara/coroa). Nesta prova não
haverá a participação feminina. Outros detalhes
serão definidos no Congresso Técnico.
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Xikunahity
(Futebol de cabeça)
Pronuncia-se
Zikunariti, na linguagem dos Paresi e Hiara na língua dos Enawenê
Nawê.
Prova: É uma espécie de futebol, em que o chute só
pode ser dado usando a cabeça. É um esporte praticado
tradicionalmente pelos povos Paresi, Salumã, Irántxe,
Mamaidê e Enawenê-Nawê, de Mato Grosso. É disputado
por duas equipes que podem possuir oito, dez ou mais atletas e um capitão.
É realizada em campo de terra batida, para que a bola ganhe impulso.
O tamanho do campo é semelhante ao de futebol, e conta com uma
linha demarcatória ao centro, que delimita o espaço de
cada equipe.
A partida tem início quando dois atletas veteranos, um de cada
equipe, dirigem-se ao centro do campo para decidir quem irá lançar
a bola ao outro, que deverá rebate-la. Isto é decidido
por meio de diálogo e a partida inicia com a primeira cabeçada
para o campo adversário, a ser recepcionada por um dos atletas
com a cabeça. Após isso, os dois atletas deixam o campo,
e não realizam outra atividade durante o jogo inteiro. Na disputa,
a bola não pode ser tocada com as mãos, pés ou
outra parte do corpo, mas pode tocar o chão, antes de ser rebatida
pela outra equipe.
Os atletas Pareci se atiram e mergulham
com o rosto rente ao chão, livrando o nariz de tocar o solo,
o que provoca uma certa violência no "chute" de cabeça
e demonstram toda a habilidade, destreza e técnica necessárias
na recepçãoo e arremesso da bola. A equipe marca pontos
quando a bola não é devolvida pelos adversários,
ou seja, quando deixa de ser rebatida. Quanto maiores as habilidades
dos atletas que compõem as equipes, mais acirradas são
as disputas, podendo durar até mais de quarenta minutos.
Histórico: A lenda Pareci conta
que o Xikunahity foi criado pela principal entidade mítica da
cultura Pareci, o Wazare. Depois de cumprir sua missão de distribuir
o povo Pareci por toda a Chapada dos Parecis, Wazare fez uma grande
festa de confraternização antes de voltar a seu mundo.
Durante a festa, a entidade mítica mostrou a todos a função
da cabeça no comando do corpo, e sua capacidade de desenvolver
a inteligência e alcançar a plenitude mental e espiritual.
Ele também demonstrou que a cabeça poderia ser usada em
sua capacidade física, especificamente na habilidade para com
o Xikunahity. Foi nesta comemoração que aconteceu a primeira
partida deste esporte; ou seja, entrando literalmente de cabeça.
Entre os Pareci,
o esporte só é praticado durante grandes cerimônias,
como: oferta da primeira colheita das roças, iniciação
dos jovens de ambos os sexos, reforma das flautas sagradas, caça,
pesca e coleta de frutas silvestres abundantes e a reincorporação
de um espírito novo em doentes terminais.
A bola utilizada no jogo é peculiar, pois é de fabricação
dos Pareci, feita com a seiva de mangabeira, um tipo de látex.
O processo de confecção tem duas etapas: na primeira,
a seiva é colhida e colocada sobre uma superfície lisa,
onde permanece por certo tempo, até formar uma camada ligeiramente
espessa. Na segunda fase faz-se a parte central da bola (núcleo),
que inclui o aquecimento da seiva de mangaba em uma panela e resulta
em uma película. O látex tem suas extremidades unidas,
de modo a formar um saco que será inflado com ar, por meio de
um "canudo". Depois, o núcleo ganha formas arredondadas
e recebe sucessivas películas de látex, obtidas da primeira
etapa, até formar uma bola, secar e resfriar, ganhando consistência
suficiente para pular. A bola tem aproximadamente 30 cm de diâmetro.
Desde o seu surgimento, a disputa do Xikunahity envolve apostas. Segundo
o administrador regional da Funai de Tangará da Serra/MT, Daniel
Cabixi, antigamente as apostas envolviam flechas, armas de guerra, animais
de estimação, objetos de uso pessoal, familiares ou coletivos.
"Dizem os mais antigos que, além de itens pessoais, as mulheres
também eram usadas nas apostas", relata. Hoje, sabonetes,
rádios, caixas de fósforos, espingardas, pólvora,
enfim, objetos particulares são colocados como prêmios
para as disputas. As apostas são feitas discretamente e sem um
compromisso explícito, valendo o acordo da palavra. A equipe
vencedora, além de ganhar os objetos apostados, recebe um troféu
simbólico. As mulheres e crianças não têm
participação direta nas equipes que disputam o Xikunahity,
pois é um jogo masculino, cabendo a elas a participação
na torcida desse esporte. Já entre os nawenê-Nawê,
o esporte só é praticado dentro da festa do Yãkwai,
festa espiritual realizada durante seis meses. A primeira apresentação
oficial em público do Xikunahity aconteceu durante o II Jogos
dos Povos Indígenas, realizados em Guairá, PR, em outubro
de 99, pelos Pareci. Hoje, é um esporte de demonstração
neste evento. O Povo Enawenê Nawê participou pela primeira
nos IV Jogos, realizado em Campo Grande, MS, em outubro de 2001 e apresentou
esse esporte com os Pareci.
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Futebol
Prova:
Esporte já inserido no contexto cultural de vários grupos
indígenas, sendo unanimidade nos jogos e praticado por atletas
femininos e masculinos. As regras são regidas pela Instrução
Geral dos Jogos e obedece ao padrão da Confederação
Brasileira de Futebol, exceto o tempo de jogo que é de 50 min,
divididos em dois tempos de 25 min cada, com intervalo de 10 min.
Histórico: Conforme as tradições culturais desportivas
dos povos indígenas no Brasil, há informações
de que etnias que desapareceram, praticavam o jogo de bola com os pés.
Podemos citar os indígenas habitantes do Alto Xingu, MT, que
praticam um esporte semelhante ao futebol, em que a bola é chutada
usando somente os joelhos, chamado Katulaiwa, onde a regra se assemelha
ao do futebol. Do mesmo modo os Pareci, com o "futebol de cabeça",
o Xikunahity. Daí, se considerar que há uma relação
tradicional entre os povos indígenas e o esporte com bola. Talvez
essa seja a explicação para a semelhança entre
indígenas e não indígenas brasileiros: a paixão
pelo futebol. Um dos grandes atletas
futebolistas e bi-campeão mundial de futebol, chamado Manoel
Garrincha era descendente dos indígenas Fulni-ô, de Águas
Belas (PE).
O primeiro encontro de indígenas de diferentes etnias para a
prática desse esporte, aconteceu no dia 19 de abril de 1979,
Dia do Índio. Foi organizada uma seleção indígena
de futebol para uma partida amistosa contra a equipe do Centro de Ensino
Unificado de Brasília, CEUB. As etnias que integraram a equipe
foram Karajá, Terena, Bakairi, Xavante e Tuxá. Dessa experiência,
nasceu uma equipe de futebol de campo e salão composta por estudantes
indígenas, chamada Kurumim.
Essa equipe se apresentou em vários estados brasileiros, inclusive
no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. A primeira
vez que uma delegação indígena de esporte disputou
uma competição oficial, ocorreu nos XIV Jogos Escolares
Brasileiros, realizados em São Paulo, capital, de 7 a 15 de dezembro
de 1985.
Por não terem o mesmo preparo técnico de outras equipes,
os atletas indígenas não conseguiram resultados expressivos.
Somente em 1988/89 é que conseguiram bons resultados no futebol.
Mas havia muita pressão dos dirigentes dos JEB para que a delegação
indígena não mais participasse, daí que a última
atuação ocorreu nos XX JEB, realizados em Presidente Prudente,
SP, em julho de 1991. Os Jogos Escolares Brasileiros foram de grande
valia para as comunidades indígenas no segmento do esporte. A
equipe de futebol foi se aperfeiçoando e adquirindo experiência
com o passar do tempo, conseguindo melhorar seus resultados nesta competição.
O futebol tem grande aceitação entre as etnias dos Jogos
dos Povos Indígenas. Seguindo os princípios que norteiam
a filosofia do evento, é importante ressaltar que nesta modalidade
não se propõe consagrar o atleta artilheiro, o goleiro
menos vazado ou a defesa mais eficiente. Os Jogos Indígenas destacam
o aspecto lúdico da prática desportiva do futebol, tornando
o falado fair play uma realidade. Todas as etnias levam representantes
para a competição, e apesar da popularidade do esporte
as partidas realizadas nos Jogos Indígenas não atraem
grande número de espectadores, que preferem assistir às
modalidades esportivas tradicionais e as manifestações
culturais.
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Arremesso
de lança

Prova: O Arremesso de Lança é uma prova individual realizada
apenas pelos homens. Nos Jogos, a contagem dos pontos é feita
de acordo com a distância alcançada, ou seja, vence aquele
que atingir maior distância. As lanças são cedidas
pela Comissão Técnica de Esporte, e fabricadas de maneira
tradicional, usando madeira rústica. A adaptação
desse armamento, desde os I Jogos, objetiva a distância e não
o alvo.
Histórico: Várias etnias indígenas conhecem esse
armamento, possuindo técnicas diferentes de confecção
das lanças. O fabrico de cada lança depende da finalidade
a que se destina. Comprimento, ponteiras de ossos, pedras ou mesmo madeiras
mais duras, como a arueira ou pau de ferro são avaliados.Na tradição
indígena, é usada para caça, pesca (arpão)
ou para defesa em um ataque de animal feroz. |
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Luta
corporal

Prova: As lutas corporais são realizadas por homens e mulheres
e o esporte está inserido na cultura tradicional dos povos que
o praticam: os povos indígenas Xinguanos, Bakairi o Huka Huka
e os Xavante, de Mato Grosso. Os Gavião Kyikatêjê/Parakatêye,
do Pará praticam o Aipenkuit e os Karajá praticam o Idjassú.
Esse esporte foi inserido nos Jogos desde a primeira edição,
como apresentação. O desejo de se realizar uma competição
de lutas corporais nos Jogos é grande, mas é muito improvável
devido à grande diversidade de estilos de luta e técnica.
Algumas etnias lutam em pé, outras ajoelhadas no chão,
como o Huka Huka. Por isso, fazem-se apenas demonstrações
das lutas existentes na cultura indígena brasileira.
Histórico: A luta corporal dos povos indígenas do Xingu
e dos índios Bakairi, de Mato Grosso, o Huka Huka, inicia com
os atletas ajoelhados.
Começa quando o dono da luta, um homem chefe, caminha até
o centro da arena de luta e chama os adversários pelo nome. Os
lutadores se ajoelham girando em circulo anti-horário frente
ao oponente, até se entreolharem e se agarrarem, tentando levantar
o adversário e derrubá-lo ao chão. Os Karajá
do Tocantins já possuem outro estilo, pois os atletas iniciam
a luta em pé, se agarrando pela cintura, até que um consiga
derrubar o outro ao chão. O atleta vencedor abre os braços
e dança em volta do oponente, cantando e imitando uma ave. Os
Gavião Parakateyê, PA, e os Tapirapé e Xavante de
Mato Grosso, têm uma certa semelhança no desenvolvimento
das lutas com os Karajá. Não existe um juiz tradicional
para essa modalidade, e sim um observado/orientador indígena
que seria chamado de dono da luta, cabendo aos atletas, reconhecer a
derrota, vitória ou empate. Não há prêmio
para o vencedor da luta em todas etnias praticante deste esporte. Há
reconhecimento e respeito por toda a comunidade.
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Prova:
Esse esporte foi introduzido desde os I Jogos em Goiânia em 1996.
Haveria duas modalidades: A realizada na piscina para testar a velocidade
dos atletas indígenas, e uma mais longa, de resistência,
realizada em águas abertas. No entanto a prova em piscina não
obedecia aos objetivos do evento, sendo realizada mais uma vez nos II
Jogos na cidade Guairá; PR em 1999. Atualmente a prova de meia
distancia e resistência, realizada em águas abertas, que
está dentro do contexto indígena, é praticada por
atletas femininos e masculinos.
Histórico: A relação
de vida dos povos indígenas estará sempre associada a
água. A primeira hora da vida de um bebê indígena
começa com o seu primeiro mergulho; em um rio ou lago por sua
mãe.
Grande parte da recreação das crianças é
realizada dentro d`água, atravessando de uma margem a outra ou
mesmo mergulhando, se preparando para serem grandes caçadores
de peixes. Um dos rituais realizado pelos Xavante de Mato Grosso dentro
de um rio, é quando da preparação dos adolescentes
para a furação da orelha, que é oxoxoxo, em que
um grupo permanece mergulhado até a altura do peito e nesse período,
batem simultaneamente os braços, realizando uma coreografia aquática.
Eles acreditam que assim haverá o amolecimento da lóbulo
auricular, facilitando a furação. |
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Zarabatana

Prova: É uma demonstração individual realizada
pelas etnias Matis e Kokama. Na apresentação se posiciona,
a 20 ou 30 m do alvo adaptado, uma melancia pendurada em um tripé.
A prova consiste em atingir o alvo o maior número de vezes possível.
Histórico: É uma arma artesanal, semelhante a um cano
longo, com aproximadamente 2,5 m de comprimento, feito de madeira, com
um orifício onde se introduz uma pequena seta, de aproximadamente
15 cm. É uma arma muito utilizada pelos índios amazônicos
para caçar animais e aves, por ser silenciosa e precisa. Os Povos
Matís, Zuruaha e Kokama a utilizam. Os Matis e Zuruaha têm
pouco contato com o não índios, sendo que os primeiros,
menos de vinte anos.
Habitam a região do Vale do Javari, fronteira com Peru e Colômbia,
no Amazonas, e também são conhecidos como os "Cara
de onça", por usarem adereços faciais inspirados
nesse animal.
Os Matís tiveram a primeira participação nos II
Jogos, contando com cinco atletas, devido ao alto custo de passagens
aéreas e da operacionalização de seu deslocamento,
pois levam média 4 dias para chegar à cidade mais próxima,
que é Tabatinga, AM.
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Rõkrã
Jogo
coletivo tradicional praticado pelo Povo Kayapó do estado do
Pará. Jogado em um campo de tamanho semelhante ao do futebol.
Se desenvolve entre duas equipes de 10 ou mais atletas de cada lado,
onde todos usam uma espécie de borduna (bastão), cujo
objetivo é rebater uma pequena bola (coco) que ao ultrapassar
a linha de fundo de seu oponente, marca um ponto. De acordo com informações
dos kayapó, esse esporte já não estava mais sendo
praticado devido a sua violência que causava graves contusões
nos competidores. Essa modalidade tem muita semelhança com um
dos esportes mais populares do Canadá, o Lacrosse, coincidentemente
considerado de origem indígena daquele país.
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