| Cândido Mariano da Silva era descendente de índios Terena,
Borôro e Guaná. Ele nasceu em 5 de maio de 1865, numa cidadezinha
de Mato Grosso chamada Mimoso, mas que hoje é Santo Antônio
do Leverger. Perdeu os pais ainda menino e foi criado por um tio, cujo
sobrenome - Rondon - Cândido Mariano adotou anos mais tarde, com
autorização do Ministério da Guerra.
O jovem Cândido Mariano
licenciou-se como professor primário pelo Liceu Cuiabano, de
Cuiabá, antes de continuar seus estudos no Rio de Janeiro. Em
1881, entrou para o Exército e dois anos depois para a Escola
Militar da Praia Vermelha. Em 1886 ele foi encaminhado à Escola
Superior de Guerra e assumiu um papel ativo no movimento pela proclamação
da República. Por meio de exames prestados em 1890, graduou-se
como bacharel em Matemática e em Ciências Físicas
e Naturais. Foi aluno de Benjamim Constant, e a ideologia positivista
o guiou por toda a sua vida.
Em 1889, Cândido Mariano foi nomeado ajudante da Comissão
de Construção das Linhas Telegráficas de Cuiabá
a Registro do Araguaia, que era chefiada pelo coronel Gomes Carneiro.
Por sua indicação, Rondon veio a assumir a chefia do distrito
telegráfico de Mato Grosso, em 1892. Desde então, chefiou
várias comissões para instalar linhas telegráficas
no interior do Brasil, identificadas, genericamente, pelo nome de Comissão
de Construção de Linhas Telegráficas e Estratégicas
de Mato Grosso ao Amazonas, mais conhecida como Comissão Rondon.
Ele se destacou pela instalação de milhares de quilômetros
de linhas telegráficas interligando as linhas já existentes
no Rio de Janeiro, São Paulo e Triângulo Mineiro com os
pontos mais distantes do País. Um esforço de grandes proporções
para a integração nacional através das comunicações.
Ao mesmo tempo em que realizava o trabalho, Rondon fez levantamentos
cartográficos, topográficos, zoológicos, botânicos,
etnográficos e lingüísticos da região percorrida
nos trabalhos de construção das linhas telegráficas.
Registrou novos rios, corrigiu o traçado de outros no mapa brasileiro
e ainda entrou em contato com numerosas sociedades indígenas,
sempre de forma pacífica. Pela sua vasta contribuição
ao conhecimento científico, foi alvo de homenagens e recebeu
muitas condecorações de instituições científicas
do Brasil e do exterior.
A repercussão da obra indigenista de Rondon valeu-lhe o convite feito pelo governo
brasileiro para ser o primeiro diretor do Serviço de Proteção
aos Índios e Localização dos Trabalhadores Nacionais
(SPI), criado em 1910. Nesta função, comandou e traçou
o roteiro da expedição que o ex-presidente dos Estados
Unidos, Theodore Roosevelt, Prêmio Nobel da Paz em 1906, realizou
pelo interior brasileiro entre 1913 e 1914, a Expedição
Roosevelt-Rondon.
Também publicou o livro Índios do Brasil, em três
volumes, editado pelo Ministério da Agricultura. Incansável
defensor dos povos indígenas do Brasil, ficou famosa a sua frase:
"Morrer, se preciso for; matar, nunca."
Entre 1919 e 1925, foi diretor de Engenharia do Exército e, após
sucessivas promoções por merecimento, chegou a general-de-brigada
em 1919 e a general-de-divisão em 1923.
A
Inspeção de Fronteiras foi criada em 1927 para realizar
o estudo das condições de povoamento e segurança
das fronteiras brasileiras. Rondon ficou responsável por sua
organização e chefia. Assim, ele percorreu milhares de
quilômetros, do extremo norte do País ao Rio Grande do
Sul, a fim de inspecionar pessoalmente as fronteiras.
Em 1930, solicitou sua passagem para a reserva de primeira classe do
Exército e, em 1940, foi nomeado presidente do Conselho Nacional
de Proteção aos Índios (CNPI), criado para prestar
orientação e fiscalizar a ação assistencial
do SPI, cargo em que permaneceu por vários anos. Encaminhou ao
presidente da República, em 1952, o Projeto de Lei de criação
do Parque Indígena do Xingu.
Em 1955, o Congresso Nacional conferiu-lhe a patente de marechal. Já
cego, faleceu no Rio de Janeiro, em 19 de janeiro de 1958, com quase
93 anos.
Ao longo de sua vida e postumamente, pelo conjunto de sua obra, Rondon
recebeu as maiores condecorações civis e militares, brasileiras
e estrangeiras, entre elas o Prêmio Livingstone, da Sociedade
Geográfica de Nova York/EUA; a inscrição de seu
nome em letras de ouro, na mesma Sociedade, por ter sido considerado
o explorador que mais se destacou em terras tropicais; a indicação
de 15 países para concorrer ao Prêmio Nobel da Paz, em
1957; a Grã-Cruz da Ordem do Mérito Militar; os títulos
de "Civilizador dos Sertões" e "Patrono das Comunicações
no Brasil".
Para homenagear Rondon, foi escolhido o dia 5 de maio, sua data natalícia,
para a comemoração do Dia Nacional das Comunicações.
O antigo Território Federal de Guaporé recebeu o nome
de Rondônia também em sua homenagem.
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