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O Projeto de Etnodesenvolvimento Sustentado para
a Sociedade Krahô, mais conhecido como Projeto Krahô, teve
início em 1995 e, em 1998, recebeu o Prêmio de Gestão
Pública e Cidadania, concedido pela Fundação Getúlio
Vargas. Criado para proteger uma das últimas áreas contínuas
do bioma do Cerrado, onde habita a população Krahô,
cerca de 2000 índios, o Projeto tem como grande desafio conciliar
práticas agrícolas de baixo impacto ambiental, capazes
de garantir a segurança alimentar das 16 aldeias, com os costumes
culturais desse povo indígena.
A FUNAI é a parceira preferencial do projeto, que é administrado
pela União das Aldeias Krahô-Kapèy, integrada pelas
lideranças de todas as aldeias localizadas na área indígena
da etnia Krahô. Desde o início, o Projeto Krahô conta
com a colaboração técnica da EMBRAPA e a participação
direta dos próprios índios.
O Projeto Krahô foi iniciado em 1995, está dividido em
sub-programas específicos para atender às necessidades
da comunidade e estima-se que leve duas décadas para ser inteiramente
implantado. Entre as etapas desenvolvidas, destacam-se a realização
de diagnóstico participativo para o resgate de informações
sobre as técnicas tradicionais de produção; o acompanhamento
de duas famílias para sistematização das informações
sobre situação alimentar durante um ano; definição
de sistemas agrícolas capazes de serem compatíveis com
a cultura Krahô e permitirem a produção de alimentos
e perenização das roças; vialibização
do uso de espécies vegetais condicionadoras do solo e capazes
de aumentar a fertilidade natural; diversificar o sistema de produção
nas aldeias; introduzir práticas agrícolas inovadoras,
que aumentem a sustentabilidade das lavouras e, por fim, documentar
as atividades desenvolvidas para a posterior criação de
material didático.
A União das Aldeias
Krahô-Kàpey e seu povo
Foi criada em 1993, para zelar e defender os interesses sociais, econômicos,
jurídicos e culturais da tribo e desenvolve vários projetos,
administrando-os diretamente. Desde a sua criação, a organização
indígena Krahô recebeu recursos da FUNAI e de outras instituições
brasileiras e internacionais. Além do projeto Krahô, a
União das Aldeias Krahô-Kàpey mantém, em
convênio com a FUNAI, a Escola Agroambiental Catxê kwyj.
O povo Krahô amargurou forte pressão de colonizadores,
desde os primeiros contatos em finais do século XVIII, quando
habitavam o cerrado do estado do Maranhão. Pressionados, deslocaram-se
para o sul, subindo o Rio Tocantins, até se localizarem na região
atual onde sofreram um massacre organizado por criadores de gado. Com
a repercussão internacional do massacre, o governo brasileiro
demarcou o território indígena numa área de 320.000
hectares, nos municípios de Goiatins e Itacajá. Na FUNAI,
a comunidade é assistida pela Administração Executiva
Regional de Araguaína. Apesar de deter um milenar e rico conhecimento
da flora e fauna do cerrado, o povo Krahô sofreu um verdadeiro
processo de genocídio cultural em seu contato com o não-índio.
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