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Pensando na educação escolar indígena como
um processo de construção do conhecimento e práticas
que tenham sua base na realidade indígena é que a FUNAI,
UNIJUÍ, Universidade de Passo Fundo-UPF, professores e lideranças
indígenas elaboraram o projeto Vãfy, para atender melhor
a comunidade, garantindo ensino de melhor qualidade e a valorização
da língua e costumes tradicionais.
Nos próximos quatro anos, o projeto deverá formar 100
professores habilitados para o magistério em educação
nos anos iniciais do ensino fundamental. Esta nova equipe irá
atender a crescente demanda educacional das comunidades indígenas
na região.
A população Kaingang soma um total de 22 mil pessoas e
vem mantendo um crescimento constante, o que impõe a necessidade
de qualificar melhor os professores indígenas. No Rio Grande
do Sul existem hoje 37 escolas indígenas de Ensino Fundamental
para atender 3.200 crianças com turmas de 1ª a 6ª séries.
No entanto, apenas uma oferece o ensino fundamental completo. Além
disso, cerca de uma centena de professores indígenas que estão
atuando nas escolas das aldeias não têm formação
adequada.
A educação escolar indígena faz parte de um processo
permanente de construção do aprendizado, habilitando os
professores para atuarem com uma visão crítica e autocrítica
que, entre outros aspectos, proporcione a valorização
e o fortalecimento da identidade cultural dos povos indígenas.
Para garantir estes últimos aspectos, o curso tem um caráter
diferenciado, seguindo três eixos fundamentais: RELAÇÃO
DIFERENCIADA COM A TERRA, VALORIZAÇÃO E DEFESA DA LÍNGUA
e FORTALECIMENTO DA CULTURA E IDENTIDADE INDÍGENA.
A educação diferenciada, além de ser garantida
por lei, é investimento justo e necessário para garantir
a manutenção de importantes aspectos das raízes
culturais dos povos indígenas, e mais importante ainda, garantir
às futuras gerações Kaingang e Guarani, a sua própria
identidade cultural aliada à capacidade de compreender as relações
entre suas comunidades e a sociedade envolvente.
O que é Vãfy?
Vãfy (Palavra da língua Kaingang) significa, em português,
artesanato. Segundo professores indígenas que participaram da
elaboração do projeto, o curso de formação
é comparado com a construção de artesanato, produzindo
novos conhecimentos e formas alternativas para uma educação
de qualidade para as escolas indígenas.
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