O CGII medita sobre as condições
dramáticas dos últimos grupos indígenas isolados
que, submetidos a toda sorte de perseguições e dificuldades,
ainda sobrevivem nas regiões mais distantes e inóspitas
da Amazônia Brasileira. Pequenos grupos humanos que, face às
perseguições e massacres sofridos, mantiveram-se afastados
de todas as transformações ocorridas no país e continuam
como seus antepassados, sobrevivendo da caça, pesca, coleta e incipiente
agricultura.
Dependendo de um meio ambiente cada vez mais restrito e corrompido, suas
chances de sobrevivência diminuem a cada dia. Ao longo de sua trajetória
sobre a terra, acumularam conhecimentos, desenvolveram técnicas
e construíram um riquíssimo universo mitológico.
Sobrepujaram e venceram os rigores da adversidade e na medida em que,
não raro, essas sociedades desaparecem, levam todo o saber que
detêm sem que tenhamos tempo de conhecê-los ou pelo menos
registrar sua passagem sobre a terra e, o desaparecimento dessas sociedades
empobrece a humanidade que não incorpora os elementos físicos,
técnicas e expressões culturais que nos enriqueceriam, propiciando
uma coexistência pluriétnica mais harmoniosa. Estamos meditando
sobre ÍNDIOS ISOLADOS, pequenos grupos humanos que necessitam de
ações urgentes capazes de protegê-los antes que seja
tarde demais.
O DEPARTAMENTO
Em 1987 a FUNAI cria o Departamento de Índios Isolados/DEII, que
repensa a prática do sertanismo, e com base nos princípios
Constitucionais, nos Direitos Humanos e no Estatuto do Índio, institui
o Sistema de Proteção ao Índio Isolado - SPII.
Dentro dessa nova política para índios isolados, a proteção
ao meio ambiente e a demarcação de suas terras passam a
ser prioridades da instituição, visando garantir o exercício
de suas atividades tradicionais. A efetivação do contato
poderia ocorrer somente no caso em que, implementadas essas ações,
não se alcançasse os resultados esperados.
Assim, o conhecimento e dimensionamento das regiões por eles habitadas
é componente fundamental no processo de ocupação
dos espaços amazônicos, objetivando evitar o confronto com
essas sociedades isoladas.
Para o desenvolvimento dos trabalhos de campo, o CGII conta com 06 unidades
denominadas FRENTES DE PROTEÇÃO ETNO-AMBIENTAL, nos estados
do Amazonas, Pará, Acre, Mato Grosso e Rondônia, com suas
atividades específicas de proteção.
Atualmente, o CGII dispõe de 46 informações sobre
a possível existência de índios isolados no território
nacional, sendo que a grande maioria localiza-se na Amazônia Legal. |