| Especialista americano fala sobre
a lingüística Chaco Por Isabel Heringer (CGAE/Funai) |
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| Durante o workshop sobre línguas indígenas promovido pela Universidade de Brasília (UnB) entre os dias 12 e 14 de outubro, o lingüista norte-americano Lyle Richard Campbell, professor da Universidade de Utah, ministrou a palestra Language contact among languages of the Gran Chaco: Is there a Chaco Linguistic Área?. O evento foi uma homenagem aos 80 anos do professor Aryon Dall’Igna Rodrigues, coordenador do Departamento de Línguas Indígenas da UnB. O Chaco fica ao sul da Bolívia, a oeste do Paraguai, ao norte da Argentina e a uma pequena parte do oeste do Brasil. Os índios da região, por terem contato com uma diversidade cultural muito grande, falam 20 línguas de seis famílias diferentes. Mas como classificá-las dentro de uma área lingüística Chaco? Confira a entrevista com Lyle Richard Campbell. Afinal, existe ou não uma área lingüística Chaco? Tudo depende dos métodos usados para avaliar essa questão. Não podemos provar que de fato ela existe porque as línguas da área lingüística Chaco mostram ligação com línguas de fora. As tribos da região passaram por influências culturais vindas de várias direções. O objetivo deve ser entender as instâncias dessa difusão e não impor determinações geográficas. É possível conversar a respeito das características das línguas Chaco sem se preocupar em delinear uma área lingüística. A cultura Chaco, segundo os antropólogos, encontra-se em vários lugares. Se não se pode definir uma área cultural, tão pouco se pode definir uma área lingüística. Você já fez algum estudo com indígenas brasileiros? Eu fui a algumas regiões do Brasil, sempre fazendo visitas a lingüistas. Mas não fiz nenhum trabalho lingüístico, embora eu tenha muitos projetos. Quando terminar o estudo do Chaco, adoraria trabalhar no Brasil. O problema é a dificuldade para conseguir apoio. O que você diria das descobertas lingüísticas hoje? A parte boa é ver novas línguas surgindo. É importante saber que conhecer novas línguas trás novas informações. Medicamentos, por exemplo, estão sendo descobertos. Isso pode ajudar ao mundo todo. Mas, por outro lado, muitas línguas estão sendo extintas. E nós precisamos de mais gente especializada para pesquisa. No Brasil, são mais ou menos 180 línguas indígenas e muitas delas ainda não foram estudadas. Existe a idéia de que os estudos lingüísticos indígenas do Brasil são realizados por lingüistas estrangeiros. Isso é verdade? De 20 anos pra cá, o número de estudiosos brasileiros das línguas indígenas do Brasil cresceu muito. No geral, a lingüística nunca foi tão valorizada como tem sido nos últimos anos. No Brasil, existem lingüistas muito bons. São cada vez menos estrangeiros e cada vez mais brasileiros. O que é complicado é ter dinheiro para viajar, pesquisar e estudar as línguas. Não existe muito investimento nessa área. Quais são as suas impressões do workshop? Eu gostei bastante. É muito bom ver tanta gente interessada em lingüística. Os índios precisam de ajuda para manter a sua língua, precisam passar sua cultura adiante e, para isso, precisam de escolaridade.
Por todos os trabalhos e a classificação das línguas indígenas feitas por ele, sem dúvida nenhuma, é a pessoa mais importante da lingüística brasileira e provavelmente da lingüística da Amazônia. |
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