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É muito importante, porque contribui no fortalecimento das políticas para a educação escolar, abrindo novos caminhos de entendimento da realidade indígena no campo educacional. Recebo esta representação com muita humildade e com a certeza de estar sempre disposta a aprender e conhecer a realidade dos povos indígenas e suas lideranças, criando novas estratégias de luta para a melhoria da qualidade do ensino nas aldeias. Aproveito a oportunidade para agradecer as organizações de professores indígenas do país pela confiança e credibilidade que depositaram em mim e no meu trabalho. Seremos sempre aliados nesta caminhada de conquistas e militância para a concretização dos nossos projetos societários. Como a senhora imagina sua atuação no Conselho, levando em consideração a reunião de diferentes vertentes da educação brasileira?Tenho clareza do que representa essa situação, até porque atuo no Conselho Estadual de Educação de Mato Grosso, conquista importante que tivemos. Sei da responsabilidade e comprometimento que tenho com a educação escolar e com as comunidades indígenas. Vejo o que será educação escolar, e aproveitando a oportunidade para desmistificar a imagem negativa do índio aos educadores, que sempre tiveram presentes nos livros didáticos adotados na educação básica. O que a senhora pretende propor como conselheira do CNE?Estamos num momento importante da Educação Escolar Indígena, num período de transição entre a escola para índios imposta desde a colonização, e a nova escola indígena construída pelos índios. E para se construir essa nova escola, requer todo um investimento na implementação de políticas através de ações que assegurem estes direitos. A proposta virá dos próprios índios professores por meio de seus representantes em diversas instâncias, dentro do que seja necessário para a consolidação dos reais interesses de cada povo e suas escolas. O contato com as organizações de professores indígenas será de extrema importância para contribuir nas propostas a serem apresentadas. Tenho visitado muitas aldeias conhecido várias realidades, e principalmente, conversado com lideranças e professores para entender melhor a situação das escolas. Qual a importância da Funai para a melhoria da educação escolar indígena? A Funai é importante porque representa uma instância oficial de política indigenista governamental que será parceira na consolidação dos direitos com outras instituições de competência, principalmente as Seducs e Secretarias dos municípios. Mas necessita de se reestruturar para atender novas situações e demandas dos povos. Como foi sua infância e juventude?Após o término das Linhas Telegráficas, meu pai foi desaldeado igual aos outros índios do seu tempo. Minha infância foi na cidade de Cuiabá, numa época em que índio era chamado de "bugre", para se diferenciar dos outros. Era uma forma discriminatória do tradicional cuiabano, descendente do povo Bororo ser tratado. E na juventude fui para a aldeia, sendo batizada conforme nossos costumes recebendo o nome indígena Nezokemaero. Iniciei a minha militância no movimento indígena, a convite do nosso líder Paresí Daniel Cabixi, em defesa da demarcação das nossas terras. Esta experiência foi marcante para definir a minha trajetória de vida, em favor da nossa luta. Como você escolheu cursar história?Sempre fui interessada em saber da verdade dos fatos, da história oficial e da memória oral. Desde pequena ouvia história dos parentes indígenas que freqüentavam a minha casa. Isso contribuiu para o meu interesse em lutar pelo movimento indígena, pela demarcação do território do meu povo Paresí, como também reivindicar melhorias nas condições de vida dos povos indígenas. Graças a história pude entender melhor o processo histórico que meu povo passou e outros povos passaram, e ter uma visão dos vários contextos da realidade até para compreender a minha própria. Pude a partir daí, atuar mais nesse campo, colocando a minha experiência na educação pública a serviço das nossas conquistas e direcionar as reivindicações para as políticas públicas. Nisso, a sabedoria e estratégias de luta das nossas lideranças foram determinantes para o meu aprendizado. |
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