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Rogério Eustáquio de Oliveira é técnico indigenista.
No Departamento de Patrimônio Indígena e Meio Ambiente da
Funai - Depima é chefe substituto e está à frente
da Coordenação do Meio Ambiente. Oliveira acompanhou a parceria
entre a Funai, a Associação Indígena Mavutsinin (Deus
criador do Universos e avô de todos os Kamaiurá) e a organização
não-governamental The Amazon Conservation - ACT para a realização
do Mapa Cultural Kamaiurá e Yawalapiti.
Qual
a importância do mapa cultural para as comunidades indígenas
Kamaiurá e Yawalapiti?
Para a comunidade é importante como instrumento de resgate e manutenção
da cultura oral, já que permite aos velhos repassar importantes
informações para os mais novos sobre a utilização
e ocupação o território indígena, além
das informações sobre os meio ambiente e recursos naturais.
Para a funai pode ser um importante instrumento de planejamento para a
proteção e gestão ambiental. Permite por exemplo,
identificar o local mais adequado para a implantação de
um projeto de manejo dos recursos naturais (fauna e flora) respeitando
os locais sagrados identificados no mapa cultural.
Como foi feito o trabalho de pesquisa? Quanto tempo
levou a pesquisa?
Foi realizado em campo com membros da própria comunidade, assessorados
por especialistas em cartografia. Aproximadamente seis meses
O trabalho despertou o interesse da comunidade?
Assim que os mais velhos perceberam que seu conhecimento tradicional,
só disponível em suas memórias, seria a matéria-prima
para a confecção o mapa, houve uma intensa troca de informações
com os mais jovens, responsáveis pelas coletas das informações
em campo.
Durante
o processo de levantamento dos pontos a serem considerados no Mapa, como
foi a participação da comunidade ?
Primeiramente, listando as principais informações que eles
gostariam de ver contempladas no mapa. Neste momento, informações
sobre recursos minerais, bem como as relacionadas a recursos genéticos,
ligadas ao uso de plantas medicinais, por recomendação da
funai, foram eliminados.
Partindo da sua informação de que
todo trabalho desenvolvido numa comunidade é passível de
impactos. No caso do mapa, o Depima observou algum?
O conhecimento tradicional de uma comunidade indígena, ao contrário
do que muitos imaginam, não é partilhado igualmente por
todos os membros da aldeia. Existem os conhecimentos específicos
(espirituais, de guerra, de caça, de agricultura etc) que obedecem
a questões de gênero (homem/mulher) clãs, lideres
religiosos (pajés) etc. Dito de outra forma, muitas informações
dentro de uma aldeia tem seus "donos", e há regras para
disponibilizá-las, geralmente com mecanismos de troca e favores.
Assim, ao se confeccionar um mapa, onde muitos dos conhecimentos serão
expostos e fixados para o conhecimento geral (dentro e fora da aldeia),
ainda que a comunidade desenvolva mecanismos de seleção
das informações, percebe-se uma certa tensão.
No caso específico do mapa Kamaiurá, como foi um projeto
piloto, estas constatações poderão orientar, após
melhor investigação, estratégicas e procedimentos
futuros para outras comunidades.
Qual o valor investido no Mapa? Qual a tiragem?
Como será a sua distribuição?
Considerando todas as despesas, inclusive honorários dos consultores,
despesas de viagens, hospedagens para a realização de 03
reuniões em Canarana, etc, foi de aproximadamente 75.000 dólares.
Os custos de levantamento dentro da aldeia e os trabalhos de campo foram
os menores. A distribuição será de responsabilidade
da Associação Indígena Kamaiurá. Todos os
mapas trazem um numero de série no verso, sendo que a Funai terá
uma cota para uso interno. Nos custos, não estão incluídas
as despesas da Funai)
O Depima pretende apoiar outras iniciativas semelhantes?
Sim. O próximo projeto será no parque indígena do
Tumucumaque, no estado do Amapá.
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