Apesar de nenhum índio ter sido eleito deputado
ou senador, o Congresso Nacional dá um importante passo no sentido
de trazer para discussão as questões de interesse das comunidades
indígenas
Marina Simon - Fotos: Eduardo Borges
A causa indígena pode contar finalmente com uma representação
efetiva no Congresso Nacional. É a Frente Parlamentar em Defesa
dos Povos Indígenas, lançada, no dia 24 de abril de 2003,
após sessão solene no Salão Negro da Câmara
dos Deputados em homenagem ao Dia do Índio. A criação
da Frente foi considerada pelos parlamentares o início do resgate
de uma enorme dívida do Estado brasileiro com as populações
tradicionais.
Ela
foi idealizada pela Coordenação Geral de Defesa dos Direitos
Indígenas (CGDDI/Funai) juntamente com os deputados Eduardo Valverde
(PT-RO), Janete Capiberibe (PSB-AP) e Perpétua Almeida (PC do B-AC).
Algumas organizações não governamentais indígenas
também participaram desse processo. È o caso da Associação
dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste e
Minas Gerais e Espirito Santo (Apoime) e a Coordenação das
Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira
(Coiab).
Agora, a Frente só vem crescendo. Com adesão inicial de
56 deputados, ela já conta com mais de 80 parlamentares, incluindo
alguns senadores como Sibá Machado (PT-AC), Fátima Cleide
(PT-RO), João Capiberibe (PSB-AP), Tião Viana (PT-AC), Geraldo
Mesquita (PSB –AC) e Ana Júlia (PT-PA).
Segundo o Coordenador do SGDDI, Vilmar Guarani, um dos motivos que levaram
à criação desse time de parlamentares dispostos a
defender a causa indígena no Congresso Nacional é o fato
de não haver deputados ou senadores índios no Legislativo.
Para completar esse quadro, tramitam no Congresso mais de 50 projetos
que envolvem a questão indígena. E o pior: a maioria deles
é prejudicial aos índios.
Entre os seus principais objetivos do grupo estão o de garantir
a manutenção do artigo 231 da Constituição,
que trata dos direitos indígenas; incentivar a aprovação
do Estatuto dos Povos Indígenas; e a criação de um
programa especial e emergencial visando demarcar, homologar e registrar
todo o atual passivo de terras indígenas não demarcadas;
e propor a estruturação de um Conselho de Política
Indigenista.
A Frente já está atuando na Subcomissão para Assuntos
Indígenas. A sua atual prioridade é a não aprovação
da Proposta de Emenda Constitucional n.º 38, de autoria do senador
Mozarildo Cavalcante (PPS-RR), que, entre outras coisas, transfere ao
Senado a competência para aprovar os processos de demarcação
das terras indígenas, função hoje exercida pelo Executivo.
Além do mais, se esta PEC for aprovada, as áreas a serem
reconhecidas como terras indígenas ou unidades de conservação
ambiental de cada estado serão limitadas em 50% da superfície
dos estados.
As
expectativas são muitas. Para a deputada Janete Capiberibe, a Frente
tem uma grande força política, por estar no centro de decisão
do poder. “Tenho certeza de que vamos poder apoiar a Funai e toda
sua equipe”, declarou a deputada durante uma visita da Frente à
Funai, em junho. Segundo ela, a Frente será pautada pelo que os
índios decidirem. Ou seja, tudo aquilo que for considerado prioridade
para eles. Para a Senadora Fátima Cleide, a Frente se esforçará
em lutar e implementar, de fato, políticas públicas que
venham a concretizar a valorização do povo indígena.
E essa é a grande esperança dos índios.

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