Povos indígenas discutem acesso à comunicação
Eleonora de Paula


Vinte e seis povos representando os indígenas das Américas do Sul e Central e, Canadá estão reunidos em Brasília no Encontro Indígena Interamericano Preparatório sobre a Sociedade da Informação. Ontem na solenidade de abertura no Palácio do Itamarati, a ministra Marília Sardenberg do Ministério das Relações Exteriores, ressaltou a importância dessa reunião para a Cúpula da Sociedade da Informação, a ser realizada no próximo mês de dezembro, em Genebra, onde será discutido o acesso dos povos indígenas às novas tecnologias e democratização da informação, entre outras.

Líderes espirituais Guarani e Tukano deram as boas vindas aos presentes, enquanto as lideranças firmaram posição, como Leonzo Barreno, representante da Universidade das Primeiras Nações do Canadá: “não queremos mais ser vistos como pobrezinhos, mas sim como pessoas capazes de propor e criar novos meios de comunicação”. Tereza Canaviri da Bolívia, diz que os índios estão cansados de ser folclore e, o que desejam é participação com qualidade em todos os setores da sociedade.

O encontro também reúne responsáveis pela criação do movimento indígena no país como Marcos Terena, Ailton Krenak, Manoel Moura, Álvaro Tukano, Daniel Munduruku, Eliana Potiguara e Jorge Terena. Para eles, as vaidades e inexperiência fizeram com que se afastassem, mas hoje a responsabilidade os une para o debate da informação e do uso de novas tecnologias: ferramentas de libertação para os povos indígenas. Isto ficou evidente nos relatos das experiências, sobretudo, com as vinculadas às novas tecnologias. Sempre se destacando a preocupação com a proteção dos conhecimentos tradicionais, interferência na cultura e fortalecimento da identidade indigena.

O encontro prossegue até sexta-feira no Instituto Rio Branco, buscando propor e responder questões que dizem respeito às formas tradicionais de comunicação indígenas; indígenas na Internet; proteção dos conhecimentos tradicionais e das denominações; impactos da globalização e discriminação aos povos indígenas; experiências de jornalismo indígenas, literatura, uso da Internet, rádios comunitárias e comunicação oral; compatibilidade do uso de tecnologias avançadas com o fortalecimento da identidade indígena e os conceitos de pobreza e inclusão digital da sociedade não-indígenas em contraposição à discriminação e autodeterminação.

O encontro tem a coordenação do Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual – INBRAPI, e conta com apoio dos Ministérios das Comunicações e Relações Exteriores, Ministério da Justiça através da Fundação Nacional do Índio, Embaixada do Canadá e Agência Canadense de Desenvolvimento, Comitê Intertribal e Agência Canadense de Desenvolvimento Internacional.

 
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