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presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai),
Mércio Pereira Gomes, ao empossar, os sete novos membros titulares
e suplentes do Conselho Indigenista da Fundação, considerou
ser uma honra contar com um conselho que é resultado de todo o
pensamento brasileiro sobre os índios que integram a nação.
“Nesse momento penso nas grandes figuras que viveram a questão
indígena, sem serem índios, mas reconhecendo a importância
que eles têm”, ressaltou. No discurso, o antropólogo
lembrou personalidades que defenderam os índios em momentos históricos,
como Antônio Vieira, José Bonifácio e Gonçalves
Dias.
Segundo o presidente da Funai, o processo de revisão demográfica
é uma das grandes surpresas da história e deve ser comemorado.
“Povos que estavam condenados ao fim começaram a recuperar
sua população”, observou. Mércio Gomes também
destacou que o país avança nas questões indígenas,
destacando que perto de 70% das terras já foram demarcadas e que
existem aproximadamente 200 a serem identificadas.
Ele acredita que a argumentação do conselho auxilie não
apenas a Funai, mas todo o estado brasileiro no que diz respeito ao encaminhamento
de propostas sobre as questões indígenas.
Para o conselheiro Carlos Moreira Neto, o órgão repete hoje
uma tradição desde a década de 30, com o Serviço
de Proteção ao Índio. “É a tradição
de sempre manter viva a luz do entendimento e a consciência de que
os direitos indígenas devem ser preservados, bem como o empenho
permanente de estar a serviço da causa”, enfatizou.
Participação
Herdeiro do Conselho Nacional do Índio, em 1938,
o atual órgão reúne antropólogos, indigenistas
e advogados com uma história de dedicação à
causa indígena. A participação dos conselheiros tem
sido fundamental para orientar a Funai na discussão de questões
atuais, como tutela, Estatuto do Índio, demarcação
das terras indígenas e uso de recursos florestais, agrícolas
e minerais.
Esses foram alguns dos assuntos em debate, na sede da instituição,
na primeira reunião de trabalho, em Brasília. A pauta prevê
ainda itens como demarcação de terras indígenas e
atuação das missões religiosas.
Indicados pela presidência da Funai e nomeados pelo ministro da
Justiça, Márcio Thomaz Bastos, os novos conselheiros ligados
à entidades que tratam das questões indígenas, como
a Associação Brasileira de Antropologia e universidades,
terão mandato de dois anos, sendo permitida a recondução.
O Conselho Indigenista integra a estrutura básica da Funai e foi
criado pelo decreto 564 de 8 de julho de 1992, como órgão
de apoio técnico, científico e cultural à presidência.
Entre outras finalidades destacam-se o cumprimento da legislação
relativa à proteção e assistência ao índio
e as comunidades indígenas e avaliação das ações
indigenistas implementadas pela Fundação.
Conselho discute propostas para as questões
indígenas
Demarcação de terras indígenas,
Estatuto do Índio e recursos naturais foram alguns dos temas discutidos
pelos novos integrantes do conselho indigenista na sede da Funai, em Brasília.
Para o conselheiro José Augusto Sampaio, um dos pontos fundamentais
é a necessidade de que a Funai implemente um cronograma planejado
de demarcação de terras indígenas.
O professor de Antropologia da Bahia lembra que a meta é zerar
o passivo de demarcação, “não só no
ritmo, como também de forma qualitativa para evitar conflito”.
Ele destaca que o Brasil tem atualmente 74 % de terras indígenas
homologadas. Com relação ao Estatuto do Índio que
tramita há mais de 10 anos no Congresso Nacional, os conselheiros
defendem a votação ainda este ano. Antes, porém,
querem discutir temas pontos polêmicos, como a questão da
tutela. Sampaio destacou a importância da normalização
sobre a exploração de recursos naturais em terras indígenas,
recursos minerais e florestais.
O conselheiro enfatizou que o órgão não pretende
se reunir apenas para formular e aconselhar, mas também avaliar
a execução do que será proposto.
Perfil
Carlos Moreira Neto
Bacharel em direito pela Faculdade de Direito de Curitiba; doutor em antropologia
pela Universidade Estadual Paulista (Unesp); bacharel e licenciado em
Ciências Sociais pela Universidade Federal do Paraná. Foi
assistente de Darcy Ribeiro na Faculdade de Filosofia do Rio de Janeiro.
Autor de livros como: História do Indigenismo do Brasil no século
XIX e Os índios da Amazônia - da maioria à minoria.
Suplente: Maria Hilda Baqueiro Paraíso
Mestra em Ciências Sociais com concentração em Etnologia
Indígena. Doutora em História Social pela USP, com tese
sobre a conquista dos territórios indígenas do sul da Bahia,
norte do Espírito Santo e Nordeste de Minas Gerais. Responsável
pela elaboração dos laudos periciais dos povos Pataxó,
Hãhãhãi, Maxakali, Krenak, Xakriabá. Coordenadora
do Programa de Pós-Graduação em História da
Universidade Federal da Bahia, integrante do Fórum Unesco e do
Comitê Pró-Cotas da Universidade Federal da Bahia.
José Porfírio Fontenele
de Carvalho
Membro mais antigo do Conselho Indigenista. Encontra-se no quarto mandato.
Começou a trabalhar na Funai em 1967. Atualmente coordena os programas
Waimiri, Atroari e Pakaranã, dos quais é autor.
Suplente: Rubem Ferreira Thomaz de Almeida
Formado pela USP, fez mestrado no Museu Nacional da UFRJ. É fundador
do projeto Kaiwá-Ñandeva. Participa de trabalhos com os
Guarani. É professor visitante da Universidade Estadual do Mato
Grosso Sul.
Isa Maria Pacheco Rogedo
Formada em Ciências Sociais, com especialização em
Antropologia e Sociologia pela Universidade de Brasília (UnB).
Trabalhou na Funai durante 25 anos. Atualmente é assessora técnica
do Ministério do Meio Ambiente e coordena um programa de gestão
ambiental em terras indígenas.
Suplente: Ana Maria Carvalho Ribeiro Lange
Graduada em Antropologia no Paraná. Trabalhou na Funai por vários
anos. No Ministério do Meio Ambiente é secretária
substituta da Secretaria da Amazônia.
Noel Villas Bôas
Formado em Filosofia pela PUC de São Paulo. Bacharel em Direito
pela Universidade Paulista (Unip).
Suplente:Gilberto Azanha
Mestre em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo, com
a dissertação “A Forma Timbira: Estrutura e Resistência”,
sob a orientação da Dra.Lux Vidal. Curso de pós-graduação
em Antropologia Social, no Departamento de Ciências Sociais da USP.
Bacharel em Ciências Sociais pela Faculdade de Filosofia, Letras
e Ciências Humanas. Realizou estudos e pesquisas entre os grupos
indígenas Canela (Ranrôkamekra e Apanjêkra), Gavião-Paracatejê,
Terena, Apinayé, Avá-Canoeiro, Krikati, Kaiowá, Guató,
Ofayé-Xavante, Xerente, Marubo e Matis.
Carmem Junqueira
Professora titular do departamento de antropologia da PUC/SP. Fez pesquisas
antropológicas na Terra Indígena Parque do Xingu e na Terra
indígena Parque do Aripuanã com os Cinta Larga. Livros publicados:
os índios de Ipavu e Introdução à antropologia
indígena.
Suplente: Betty Mindlin
Antropóloga, com doutorado pela Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo, vem trabalhando há anos em
projetos de pesquisa e apoio a numerosos povos indígenas da Amazônia,
entre outros. Tem pesquisas na área de direitos reprodutivos, direitos
dos povos, diversidade cultural, educação diferenciada,
saúde e demarcação de terras indígenas. Escreveu
em co-autoria com narradores indígenas seis livros de mitos. É
uma dos fundadores do IAMÁ - Instituto de Antropologia e Meio Ambiente,
uma organização não-governamental sem fins lucrativos,
criada em 1987, onde trabalhou até 2001.
Joênia Batista de Carvalho
Índia Wapixana e advogada do Conselho Indígena de Roraima
Suplente: Daniel Monteiro Costa (Munduruku)
Formado em Filosofia, com licenciatura em História e Psicologia.
Um dos coordenadores do Curso de Magistério Indígena do
estado de São Paulo.
Autor de livros infanto juvenis, alguns premiados no exterior. Diretor
Presidente do INBRAPI - Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade
Intelectual. Coordena a coleção Memórias Ancestrais,
cujo objetivo é a publicação de livros de autores
e ilustradores indígenas.
Bruna Franchetto
Doutora em Antropologia e professora dos cursos de pós-graduação
em Antropologia Social e em Lingüística da Universidade Federal
do Rio de Janeiro(UFRJ). Pesquisadora nível I do CNPq (Conselho
Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, MCT).
Membro da Comissão de Assuntos Indígenas da Associação
Brasileira de Antropologia. Docente do terceiro grau indígena,
da Universidade Estadual de Mato Grosso.
Suplente:José Augusto Laranjeiras Sampaio
Antropólogo, professor de Antropologia da Universidade do Estado
da Bahia (Uneb). Subcoordenador do Grupo de Trabalho sobre Laudos Antropológicos
da Associação Brasileira de Antropologia (ABA). Coordenador
Executivo da Associação Nacional de Ação Indigenista
(Anaí). Pesquisador Adjunto do Programa de pesquisas sobre Povos
Indígenas no Nordeste Brasileiro (Pineb/Ufba).
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