Índios Xavante criam coordenação para defesa dos direitos das comunidades
Coordenação ajudará no desenvolvimento socio-cultural, econômico e político das comunidades e organizações indígenas das Terras Indígenas Xavante
 
Danielle Santos

 

Foi realizada entre os dias 19 e 21 de fevereiro, na câmara municipal de Barra do Garças, Mato Grosso, a primeira assembléia geral Xavante para debater a criação da Coordenação Geral Indígena Xavante (CIX). Participaram 25 caciques, 39 organizações Xavante, Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), Funai e a ONG americana The Nature Conservancy (TNC).

A criação da CIX partiu de uma iniciativa das associações Xavante distribuídas nas oito reservas indígenas do MT. A exemplo da COIAB, coordenação criada pelos índios da Amazônia, a CIX tem como um dos objetivos a organização socio-cultural, econômica e política das comunidades e organizações indígenas das Terras Indígenas Xavante e o fortalecimento destas.

Para reforçar o compromisso da CIX com os propósitos estabelecidos por ela, foi elaborado um estatuto em parceria com os índios e a ONG americana, que atua desde 2000 no Brasil visando o fortalecimento institucional de entidades indígenas na área de gestão ambiental. O cacique Raimundo Urebete Aírero, da aldeia São Marcos, berço da reserva indígena de mesmo nome, acredita que, com a criação da CIX e a utilização de sua autonomia em projetos nas aldeias, elementos como cultura, religião e atividades produtivas podem garantir a propagação da tradição por meio dos jovens. Entre os planos dos índios estão o cultivo de frutas nativas e o desenvolvimento da piscicultura. Segundo o cacique Urebete, para que uma lavoura atenda o consumo das comunidades é necessário uso de maquinário suficiente. “Precisamos garantir alimentação de qualidade para nossos netos”, afirma Urebete.

A força Xavante no MT

O líder indígena Agnelo Temrité, escolhido por meio de votação para exercer o cargo de vice-coordenador da CIX, afirma que há muito tempo os Xavante desejam uma participação mais expressiva nas diversas esferas que permeiam o universo indígena. “Nossa principal dificuldade é entender as idéias e propostas apresentadas pelo branco. Para isso, precisamos participar mais de assuntos do meio ambiente, preservação da cultura, educação, saúde, entre outros”, afirma Agnelo.

O único representante Xavante de expressão na política brasileira foi o cacique Mário Juruna. Sempre defensor das causas do seu povo, Juruna foi o primeiro e único índio a chagar ao Congresso Nacional, elegendo-se deputado federal no período de 1983 a 1986 pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT). Tornou-se famoso e popular ao andar pelos corredores tentando gravar as promessas das autoridades responsáveis pela política indigenista brasileira. Vítima de uma diabetes crônica, Juruna morreu ano passado em um hospital de Brasília.

Etnia conhecida por sua força e tradição guerreira, esta comunidade começou a conviver com os não-índios a partir do século XVIII. Em fins de XIX, migraram para a Serra do Roncador, refúgio seguro e distante das então regiões colonizadas de Goiás. Conhecidos também como A’uwe, eles hoje são cerca de 11.550 no estado do Mato Grosso, de acordo com dados do ano de 2000 da Funai.

 
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