Foi realizada entre os dias 19 e 21 de fevereiro, na
câmara municipal de Barra do Garças, Mato Grosso, a primeira
assembléia geral Xavante para debater a criação da
Coordenação Geral Indígena Xavante (CIX). Participaram
25 caciques, 39 organizações Xavante, Coordenação
das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira
(COIAB), Funai e a ONG americana The Nature Conservancy (TNC).
A criação da CIX partiu de uma iniciativa das associações
Xavante distribuídas nas oito reservas indígenas do MT.
A exemplo da COIAB, coordenação criada pelos índios
da Amazônia, a CIX tem como um dos objetivos a organização
socio-cultural, econômica e política das comunidades e organizações
indígenas das Terras Indígenas Xavante e o fortalecimento
destas.
Para reforçar o compromisso da CIX com os propósitos estabelecidos
por ela, foi elaborado um estatuto em parceria com os índios e
a ONG americana, que atua desde 2000 no Brasil visando o fortalecimento
institucional de entidades indígenas na área de gestão
ambiental. O cacique Raimundo Urebete Aírero, da aldeia São
Marcos, berço da reserva indígena de mesmo nome, acredita
que, com a criação da CIX e a utilização de
sua autonomia em projetos nas aldeias, elementos como cultura, religião
e atividades produtivas podem garantir a propagação da tradição
por meio dos jovens. Entre os planos dos índios estão o
cultivo de frutas nativas e o desenvolvimento da piscicultura. Segundo
o cacique Urebete, para que uma lavoura atenda o consumo das comunidades
é necessário uso de maquinário suficiente. “Precisamos
garantir alimentação de qualidade para nossos netos”,
afirma Urebete.
A força Xavante no MT
O líder indígena Agnelo Temrité, escolhido por meio
de votação para exercer o cargo de vice-coordenador da CIX,
afirma que há muito tempo os Xavante desejam uma participação
mais expressiva nas diversas esferas que permeiam o universo indígena.
“Nossa principal dificuldade é entender as idéias
e propostas apresentadas pelo branco. Para isso, precisamos participar
mais de assuntos do meio ambiente, preservação da cultura,
educação, saúde, entre outros”, afirma Agnelo.
O único representante Xavante de expressão na política
brasileira foi o cacique Mário Juruna. Sempre defensor das causas
do seu povo, Juruna foi o primeiro e único índio a chagar
ao Congresso Nacional, elegendo-se deputado federal no período
de 1983 a 1986 pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT). Tornou-se
famoso e popular ao andar pelos corredores tentando gravar as promessas
das autoridades responsáveis pela política indigenista brasileira.
Vítima de uma diabetes crônica, Juruna morreu ano passado
em um hospital de Brasília.
Etnia conhecida por sua força e tradição guerreira,
esta comunidade começou a conviver com os não-índios
a partir do século XVIII. Em fins de XIX, migraram para a Serra
do Roncador, refúgio seguro e distante das então regiões
colonizadas de Goiás. Conhecidos também como A’uwe,
eles hoje são cerca de 11.550 no estado do Mato Grosso, de acordo
com dados do ano de 2000 da Funai.
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