20 de abril

 

Discurso do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, no encontro com a Comissão Nacional de Política Indigenista - 15h35

Ricardo Stuckert/PRPalácio do Planalto, 19 de abril de 2007


Não estava nem previsto eu falar, mas eu queria dizer o seguinte aos companheiros representantes da Comissão e aos nossos companheiros representantes das nações indígenas aqui presentes: vocês estão acompanhando que neste novo mandato nós temos que aproveitar para fazer as coisas que não fizemos no primeiro mandato.

Eu queria dizer para vocês que, por mais que tenhamos feito, eu acho que nós ainda não fizemos grande parte das coisas que precisamos fazer para tornar a qualidade de vida de vocês uma qualidade de vida que respeite a cultura de vocês e, ao mesmo tempo, dê condições de vocês poderem viver com dignidade.

Nós sabemos de problemas de terras com ocupação de fazendeiros, nós sabemos de problemas de comunidades indígenas que vivem num território infinitamente pequeno, que não permite sequer que se tenha uma agricultura que permita sobreviver. O nosso novo Ministro da Saúde e o nosso Presidente da Funai têm o compromisso de, a partir de tudo o que não aconteceu de 2003 a 2006, a gente fazer acontecer de 2007 a 2010.

A criação da Comissão é uma coisa necessária. Eu fiz o decreto no ano passado e ela agora está instalada. Eu espero que a Comissão possa ajudar o governo a dar aos índios brasileiros o respeito e a dignidade que eles deveriam ter merecido a vida inteira. E eu penso que hoje é extremamente importante, não apenas por ser o Dia Nacional do Índio, mas é o dia da consagração dessa Comissão. Ou seja, com a criação da Comissão, eu queria que vocês soubessem que vai aumentar a responsabilidade de cada um de vocês, porque agora os erros que nós cometermos e os acertos que nós fizermos serão compartilhados entre nós.

Quero dizer para vocês que não tem tema que seja proibido discutir. Nós estamos abertos a discutir qualquer tema, a discutir qualquer problema levantado, porque essa experiência que vamos ter, com a Comissão Nacional criada por nós a pedido de vocês já há muito tempo, é a possibilidade que nós temos de tornar a relação Estado brasileiro e índios brasileiros a mais democrática e mais civilizada possível.

Os brasileiros vão ter que entender que, quando eles estiverem andando na rua e virem um índio ou uma índia aqui, próximo do Palácio do Planalto, ou próximo de um Ministério, ou em qualquer outro lugar, eles não têm que ficar imaginando que aquele índio está vindo aqui para fazer um manifesto, para fazer qualquer coisa. Eles têm que perceber, compreender, que é um cidadão brasileiro que, como todos os outros, tem o direito de andar pelas ruas deste País, de entrar no palácio do governo e de ser atendido da forma que nós temos que atender todo e qualquer ser humano brasileiro que passe pelo palácio do governo.

Posso dizer para vocês o seguinte: vocês terão, neste segundo mandato, muito mais atenção do governo. E aproveitem, por favor, vocês não foram escolhidos para a Comissão para bater palmas para o governo, vocês foram escolhidos para trabalhar junto com o governo e cobrar do governo as coisas que precisam ser feitas neste País para as nações indígenas aqui representadas e as que não estão aqui representadas. Nós sabemos de parte dos problemas que vocês vivem, nós sabemos que precisamos e temos condições de tomar as decisões para resolver esses problemas, para que, ao terminar este mandato em 2010, a gente possa orgulhosamente dizer que finalmente os índios conquistaram a sua soberania e a sua cidadania definitiva nesse País, não transformando vocês num branco, mas transformando a sociedade brasileira numa sociedade que tenha consciência e uma alma capaz de compreender o significado que vocês têm para o nosso País. Afinal de contas, não são os índios que são intrusos, nós é que somos os intrusos e, portanto, nós temos que construir essa parceria trabalhando muito.

Quero agradecer, Márcio Meira, a você, e te desejar toda sorte do mundo. O nosso querido Temporão está aqui, o nosso ministro da Saúde, ele já sabe de vários dos problemas que nós temos que atacar para melhorar o tratamento de saúde de vocês. Não para vocês terem que ir para a cidade, mas para a gente levar à aldeia os benefícios que nós levamos para as cidades. Eu penso que nós estamos vivendo um novo tempo, estamos vivendo uma nova era, e eu quero contar com o testemunho de vocês para que a gente possa, nestes próximos quatro anos, fazer muito mais e fazer melhor do que já foi feito.

Muito obrigado e parabéns para vocês!

 
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