Palácio
do Planalto, 19 de abril de 2007
Não estava nem previsto eu falar, mas eu queria dizer o seguinte
aos companheiros representantes da Comissão e aos nossos companheiros
representantes das nações indígenas aqui presentes:
vocês estão acompanhando que neste novo mandato nós
temos que aproveitar para fazer as coisas que não fizemos no
primeiro mandato.
Eu queria dizer para vocês que, por mais que tenhamos feito, eu
acho que nós ainda não fizemos grande parte das coisas
que precisamos fazer para tornar a qualidade de vida de vocês
uma qualidade de vida que respeite a cultura de vocês e, ao mesmo
tempo, dê condições de vocês poderem viver
com dignidade.
Nós sabemos de problemas de terras com ocupação
de fazendeiros, nós sabemos de problemas de comunidades indígenas
que vivem num território infinitamente pequeno, que não
permite sequer que se tenha uma agricultura que permita sobreviver.
O nosso novo Ministro da Saúde e o nosso Presidente da Funai
têm o compromisso de, a partir de tudo o que não aconteceu
de 2003 a 2006, a gente fazer acontecer de 2007 a 2010.
A criação da Comissão é uma coisa necessária.
Eu fiz o decreto no ano passado e ela agora está instalada. Eu
espero que a Comissão possa ajudar o governo a dar aos índios
brasileiros o respeito e a dignidade que eles deveriam ter merecido
a vida inteira. E eu penso que hoje é extremamente importante,
não apenas por ser o Dia Nacional do Índio, mas é
o dia da consagração dessa Comissão. Ou seja, com
a criação da Comissão, eu queria que vocês
soubessem que vai aumentar a responsabilidade de cada um de vocês,
porque agora os erros que nós cometermos e os acertos que nós
fizermos serão compartilhados entre nós.
Quero dizer para vocês que não tem tema que seja proibido
discutir. Nós estamos abertos a discutir qualquer tema, a discutir
qualquer problema levantado, porque essa experiência que vamos
ter, com a Comissão Nacional criada por nós a pedido de
vocês já há muito tempo, é a possibilidade
que nós temos de tornar a relação Estado brasileiro
e índios brasileiros a mais democrática e mais civilizada
possível.
Os brasileiros vão ter que entender que, quando eles estiverem
andando na rua e virem um índio ou uma índia aqui, próximo
do Palácio do Planalto, ou próximo de um Ministério,
ou em qualquer outro lugar, eles não têm que ficar imaginando
que aquele índio está vindo aqui para fazer um manifesto,
para fazer qualquer coisa. Eles têm que perceber, compreender,
que é um cidadão brasileiro que, como todos os outros,
tem o direito de andar pelas ruas deste País, de entrar no palácio
do governo e de ser atendido da forma que nós temos que atender
todo e qualquer ser humano brasileiro que passe pelo palácio
do governo.
Posso dizer para vocês o seguinte: vocês terão, neste
segundo mandato, muito mais atenção do governo. E aproveitem,
por favor, vocês não foram escolhidos para a Comissão
para bater palmas para o governo, vocês foram escolhidos para
trabalhar junto com o governo e cobrar do governo as coisas que precisam
ser feitas neste País para as nações indígenas
aqui representadas e as que não estão aqui representadas.
Nós sabemos de parte dos problemas que vocês vivem, nós
sabemos que precisamos e temos condições de tomar as decisões
para resolver esses problemas, para que, ao terminar este mandato em
2010, a gente possa orgulhosamente dizer que finalmente os índios
conquistaram a sua soberania e a sua cidadania definitiva nesse País,
não transformando vocês num branco, mas transformando a
sociedade brasileira numa sociedade que tenha consciência e uma
alma capaz de compreender o significado que vocês têm para
o nosso País. Afinal de contas, não são os índios
que são intrusos, nós é que somos os intrusos e,
portanto, nós temos que construir essa parceria trabalhando muito.
Quero agradecer, Márcio Meira, a você, e te desejar toda
sorte do mundo. O nosso querido Temporão está aqui, o
nosso ministro da Saúde, ele já sabe de vários
dos problemas que nós temos que atacar para melhorar o tratamento
de saúde de vocês. Não para vocês terem que
ir para a cidade, mas para a gente levar à aldeia os benefícios
que nós levamos para as cidades. Eu penso que nós estamos
vivendo um novo tempo, estamos vivendo uma nova era, e eu quero contar
com o testemunho de vocês para que a gente possa, nestes próximos
quatro anos, fazer muito mais e fazer melhor do que já foi feito.
Muito obrigado e parabéns para vocês!