07 de fevereiro
 

Após comemorar demarcação de Balaio, presidente visita aldeias na região - 15h16

Foi uma festa aguardada por mais de 20 anos. Teve cururi – a uva da Amazônia–, beiju, peixe e paca moqueados, suco de bacaba e açaí e muita conversa na aldeia Balaio, junto de lideranças Tukano, Desána e Kuripáko para comemorar a declaração da Terra Indígena Balaio e o prosseguimento do processo de demarcação da área. Localizada dentro do Parque Nacional do Pico da Neblina, próximo à fronteira da Venezuela, a T.I. Balaio foi declarada de posse permanente dos povos indígenas da região por portaria de 15 de dezembro de 2006, assinada pelo ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. Ela está contígua à T.I. Yanomami, e vem proteger ainda mais a bacia do Alto Rio Negro.

“Diversos obstáculos tiveram que ser superados dentro do Estado brasileiro para o Brasil entender que a terra é de vocês”, disse em discurso o presidente da Funai, Mércio Pereira Gomes. Além de ser sobreposta a um parque nacional, Balaio também fica na área de fronteira, que recebe proteção especial do Exército brasileiro. “O Parque Nacional antes era um problema para vocês, mas agora é só uma questão de trabalhar junto, Ibama e Funai, meio ambiente e povos indígenas”, afirmou o chefe do Parque Nacional do Pico da Neblina, Fábio de Mello Osolins.

Para o líder Álvaro Tukano, passadas as festividades e os trabalhos para a demarcação física, será preciso fazer melhorias estruturais dentro da área. “Tem que consertar a estrada, melhorar e refazer as pontes que estão quase caindo, para a gente poder ir para São Gabriel da Cachoeira quando precisar”, afirmou. Segundo ele, o acesso a São Gabriel é essencial, ao menos, até que seja feita uma escola dentro da aldeia. “Se os filhos de vocês usam computador e aprendem direito na escola, os nossos também precisam aprender a usar o computador e a estudar”.

De São Gabriel da Cachoeira até a aldeia Balaio, o caminho de três pela estrada de terra corta a mata alta como um túnel. O verde é forte, com um brilho especial nessa época seca do ano. A floresta é intacta. No trajeto, avistam-se pequenos proprietários de terra, que não chegam a dez, até a entrada do Parque Nacional e da terra indígena. De lá, são quatro pequenas comunidades indígenas até chegar-se ao Balaio: Poranga, Paritins, Iá Mirim e Rodrigo Cibele. Paritins é habitada majoritariamente pelo povo Kuripáko, e as outras por Tukáno e Desána, mas vivem ali também gente Yepamashã, Kobéwa, Pirá-Tapúya, Tuyúka, Baníwa, Baré e Tariáno. Com 255.823 hectares, sendo contígua à T.I. Yanomami, e ao lado da T.I. Cué Cué Marabitanas, em fase de estudo pela Funai, a região pode se tornar o maior bloco de terras indígenas contíguas do Brasil.

O Alto Rio Negro

No extremo noroeste do Brasil, que forma a tríplice fronteira com a Colômbia e a Venezuela, região também conhecida como “Cabeça do Cachorro”, corre o rio Negro, um dos principais formadores do rio Amazonas. O conjunto de terras indígenas localizadas na bacia do Negro totalizam 10,7 milhões de hectares, isso sem contar Balaio. Lá vivem 17 etnias diferentes, além dos Yanomami, falantes das línguas das famílias aruak, tukano oriental, maku, a língua geral chamada de nheengatu, em uma população de aproximadamente 25 mil pessoas.

Após a recepção na aldeia Balaio e reuniões em São Gabriel da Cachoeira na sede da Funai e da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), Mércio Gomes visitou as comunidades de Pari Cachoeira e Iauaretê, habitadas em sua maioria pelo povo Tukano. Essa foi a primeira visita oficial por um presidente da Funai nessas comunidades. Os indígenas celebraram a visita, reuniram-se com o presidente, apresentaram reivindicações para serem mais atendidos pela Funai, e saudaram a demarcação de Balaio, onde vivem parentes da população dessas duas aldeias. Elas servem também de abrigo a dois pelotões do Exército, uma relação intermeada pela Funai e pela Foirn, que são responsáveis pela fiscalização da fronteira com a Colômbia na Cabeça do Cachorro.

 
Mais notícias