O
Plano Nacional de Educação (PNE) de 2001, traz como uma
das metas “a produção e publicação
de materiais didáticos e pedagógicos específicos,
elaborados por professores indígenas e seus assessores”.
Nesse sentido, foi realizada entre 30 de abril e 07 de maio, no Sítio
Alegria em Brazlândia/DF, a oficina para revisão de conteúdo
do atlas geográfico e cultural produzido pelos professores indígenas
dos povos Mêbêngokre, Tapajúna e Panará, com
o apoio e assessoria da Coordenação Geral de Educação(CGE)
da Funai e patrocínio da Petrobrás.
A idéia de construção do atlas surgiu durante as
aulas do Curso de Formação de Professores Mêbêngokre,
na disciplina de geografia e meio ambiente. A construção
do projeto contou com a participação ativa dos indígenas,
não só dos professores, como das lideranças, dos
idosos e da juventude das aldeias.
Para a socióloga Maria Eliza Leite, a elaboração
do estudo favoreceu os professores indígenas para o exercício
da técnica de tradução dos textos e depoimentos
para o português e para o idioma próprio dos povos. Segundo
ela, também aumentou os conhecimentos dos povos sobre a história
da luta pelas demarcações junto aos mais antigos das aldeias.
O professor Kremoro Metuktire, da etnia Metuktire, destacou que esse
atlas servirá para o futuro, para os jovens não esquecerem
os lugares onde os avós e bisavós moravam, as roças
e os antigos caminhos. “Nós estamos fazendo este material
para o futuro por que os brancos estão desmatando e vamos mostrar
os nossos limites. Tudo isso a gente pensou para fazer este atlas para
todos os brasileiros“, afirma.

O lançamento do material didático está marcado
para o próximo mês de julho. A tiragem será financiada
pela Petrobrás em convênio com a Associação
IPRÊRE, associação indígena que levou o projeto
do atlas para o Ministério da Cultura. Será impresso nas
línguas dos três povos e em português. O gestor de
projetos culturais da Petrobrás Luis Carlos Nascimento, que também
visitou a oficina, salientou a intenção do programa cultural
da empresa em dar visibilidade às culturas indígena, inclusive,
as que estão em vias de desaparecimento.