Ai´Utedzapari´Wa Nõri Parteiras A´Uwê
Xavante é a terminologia Xavante (povo localizado no estado
do Mato Grosso) que significa "aquela que recebe a criança"
– ou seja, a mulher indígena responsável por todos
os procedimentos medicinais e ritualísticos envolvidos no nascimento
de um novo Xavante. Esse será o foco do Primeiro Encontro Parteiras
Xavante, que acontecerá em Brasília (DF), entre os dias
21 e 24 de maio. A meta é estabelecer um diálogo das parteiras,
mediado por uma associação Xavante, com órgãos
governamentais, para que as suas práticas sejam reconhecidas
pelo sistema nacional de saúde. O evento será realizado
pela Associação Xavante Warã em parceria com a
Coordenação Geral de Educação da Fundação
Nacional do Índio (CGE-Funai), Área de Medicina Tradicional
Indígena – Projeto Vigisus II- Funasa e Instituto Sociedade
População e Natureza (ISPN).
Como parte das atividades, será apresentado o livro Ai´Utedzapari´Wa
Nõri Parteiras A´Uwê Xavante que reúne
o conhecimento tradicional do povo Xavante e o registro cuidadoso de
suas técnicas medicinais, alimentícias e ritualísticas.
O encontro encerra uma série de atividades desenvolvidas nos
últimos dois anos pelo projeto Valorização das
Práticas de Parto Tradicional: Dieta Alimental e Medicinal na
Gestação e Parto financiado pelo PPP – GEF –
PNUD e co-financiado pelo Projeto Vigisus e CGE - Funai.
O trabalho identificou um alto índice de mulheres Xavante fazendo
parto cesariano nas cidades vizinhas às aldeias, além
de muitos casos de desnutrição em recém-nascidos
que poderiam ser evitados pelas mulheres anciãs. “O encontro
servirá para propor ao governo que as práticas medicinais
das mulheres indígenas sejam apoiadas, e sirvam de base para
a elaboração da política pública da saúde
indígena”, diz o representante da Associação
Xavante Warã, Hiparidi Top'Tiro. No primeiro dia do encontro,
45 mulheres apresentam uma dança tradicional Xavante seguida
de uma amostra da sua culinária tradicional, baseada em milho,
peixe e beju, abóbora e mandioca.
De acordo com a gerente da área de Medicina Tradicional Indígena
do Projeto Vigisus II (Funasa), Luciane Ferreira, “a importância
dos partos tradicionais Xavantes motivou apoiar este projeto e, assim,
contribuir para a construção de estratégias de
articulação entre os sistemas médicos indígenas
e o sistema oficial de saúde, para a efetivação
do direito à atenção diferenciada a saúde
indígena e para a solução de certos agravos à
saúde, como os casos de desnutrição infantil enfrentados
atualmente", observa. O objetivo do livro é informar jovens
mulheres Xavantes sobre as práticas de parto indígena.
Futuramente, será colocado à venda ao público em
geral.
Para a coordenadora-geral de Educação da Funai, Maria
Helena Fialho, a iniciativa de organização das mulheres
Xavante, no contexto atual, é muito importante para manutenção
e valorização da cultura, dos costumes, da organização
do trabalho e da pedagogia Xavante. “Hoje com as mudanças
socioeconômicas e culturais que temos sofrido, o papel das mulheres
que tem a função de cuidar das crianças, registrar
os conhecimentos tradicionais para utilização nas comunidades
ajudará a garantir o futuro da cidadania Xavante”.
O encontro, que será realizado no Hotel Fazenda Retiro das Pedras
(DF 495 Km 8 – Brasília-DF, a 30 km do plano piloto) conta
com apoio e parceria do Ministério da Justiça (Funai-CGE),
Ministério da Saúde (Funasa-Vigisus), Banco Mundial, Organização
das Nações Unidas para a Educação, a Ciência
e a Cultura (Unesco) e ISPN.
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