É
preciso fortalecer a Funai. Essa foi a tônica da reunião
entre o presidente da Funai, Mércio Pereira Gomes, com Raoni
Metyktire e outros líderes Kayapó em Colíder (MT).
A reunião foi realizada na sede da administração
regional da Funai no município, chefiada por Megaron Txucarramãe,
no último sábado (27).
O objetivo do encontro foi discutir com os índios o futuro e
os desafios da Funai nos próximos quatro anos, bem como tratar
dos meios efetivos para fortalecer o órgão indigenista.
Além dos chefes benhadjourores (como os Kayapó chamam
os "caciques") das aldeias Metyktire, Bau, Kapot, Mekrangotire,
Pukany, Kubenkroke e Piaraçu, estavam presentes líderes
das etnias Panará, Apiaká, Munduruku eTerena. 
"Para melhor servir aos povos indígenas, é preciso
que sejam feitas algumas reformulações na Funai",
disse Gomes. "Temos de conseguir criar uma plano de carreira indigenista
e abrir concurso público para a contratação de
funcionários. Além disso, é necessário um
aumento do orçamento. Sem esses pilares e sem o apoio dos índios
para as mudanças, a próxima presidência da Funai
terá muitas dificuldades administrativas".
O cacique Raoni foi enfático na defesa da Funai e expressou temor
pelo futuro do órgão. "Nós, Kayapó,
estamos preocupados com a Funai. Tem que dizer para os outros índios
para todo mundo ficar junto, não pode ficar dividido. Temos que
lutar juntos para fortalecer a Funai."
Outro tema da reunião foi gestão financeira dos recursos.
Aperfeiçoar as contas administrativas foi o compromisso assumido
por Megaron Txucarramãe. "Aos poucos, estamos ajeitando
a casa, com muita dificuldade. Mas precisamos de mais funcionários
capacitados que nos auxiliem. Somos muito poucos", afirmou Megaron.
Administrador regional indígena, Megaron busca meios alternativos
para que as comunidades em sua jurisdição alcancem autonomia
econômica. Alguns dos projetos conduzidos pelos Kayapó
são produção de óleos de copaíba,
de castanha do Brasil e da perfumada árvore Breu, além
de borracha de seringueira, processamento de pequi e mel. "Já
estamos dando os primeiros passos, mas precisamos de apoio estratégico",
disse.
Os benhadjourores Yabuti Metyktire, Iodi Metyktire, Wankokre Kayapó
e Bekwyiti Kayapó enfatizaram o problema de vigilância
e proteção de seu território, que se estende também
pelo Pará. "É preciso estrutura para proteger nossa
terra", disse Yabuti.
O mesmo problema foi levantado pelo jovem Tekokian Panará. "Nossa
área está cada vez mais ameaçada pela pressão
dos fazendeiros. Precisamos de força para fazer frente a eles
e proteger a nossa natureza."
Fotos: Kiabeti Metyktire.