21 de fevereiro

 

Resposta enviada à revista Isto É em 14/02/2008 que não foi publicada na íntegra

Prezado jornalista,

A mídia vem, constantemente, abordando práticas culturais indígenas de forma equivocada e mal interpretada. Não é verdade que entre os povos indígenas há mais violência e mais crueldade com seus infantes do que na população em geral: que justificaria uma vigilância especial, novas leis e intervenções do Estado. Esse tipo de abordagem reforça inaceitáveis preconceitos que há muito atormentam os povos indígenas, como o de serem “ignorantes” e “cruéis”. É importante que se reconheça que o homicídio (de crianças e adultos), o suicídio e a violência em geral existem em todas as sociedade humanas, não sendo exclusivos ou mais crônicos entre os povos indígenas. A Constituição Federal garante, em seu artigo 5°, a inviolabilidade do direito a vida a todos os brasileiros e aos estrangeiros residentes no País. Assim, a busca pela melhoria da saúde e da qualidade de vida dos povos indígenas não deve ser segmentada ou baseada em uma única questão polêmica. O Estado deve garantir a vida e o bem estar das crianças e dos adultos indígenas, assim como de todos os seus cidadãos, a partir da aplicação de uma ampla e atuante política de saúde e bem estar, a qual ofereça, entre outras coisas, saneamento básico e segurança alimentar.
O tema, tratado de uma forma superficial transparece preconceito em relação aos costumes dos povos indígenas.

Aloysio Guapindaia
Presidente Substituto da Fundação Nacional do Índio

 
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