14 de setembro

 

20h35min - Jogos podem ajudar a diminuir preconceito ao índio – diz Presidente da FUNAI
20h30min - Presidente da FUNAI quer “Comitê Olímpico”
18h50min - Ministro da Justiça declara aberto os V Jogos Indígenas
18h30min - Público ganha “relíquia” dos índios
17h40min - Lars Grael reitera aspecto não competitivo dos Jogos
17h00min - Começa abertura oficial dos V Jogos dos Povos Indígenas
16h55min - Índios canadenses conhecem os parentes da Amazônia
16h40min - Pajé Terena reza para índios canadenses
16h30min - Índios canadenses chegam à Vila Olímpica
10h40min - Embaixador do Canadá visita grupos indígenas
10h30min - Menina Karajá acenderá a pira olímpica
09h40min - Índios Enawenê Nawê nunca tinham visto o mar
09h30min - Enawenê Nawê se dividem quanto a assoalho da oca
09h00min - Daliloseaserõ é a única mulher Enawenê Nawê presente nos Jogos Indígenas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Daliloseaserõ é a única mulher Enawenê Nawê presente nos Jogos Indígenas – 09h00min

Das seis mulheres Enawenê Nawê previstas para chegarem aos Jogos Indígenas de Marapin, apenas Daliloseaserõ chegou à Vila Olímpica. Ela conta que sempre teve vontade de vir. “As outras mulheres também queriam estar aqui, mas como tinha muitos homens querendo participar dos Jogos, eles pediram o lugar.” O marido, Daliloseatokwê, afirma que foi o único que bateu duro: “Ela quer ir também. Você põe o nome dela.”

Daliloseaserõ havia saído da aldeia apenas uma vez para acompanhar o filho, Tiholossê, de 5 anos, que passou por uma cirurgia em Cuiabá. O casal conversou muito antes da viagem. “Nós vamos para uma terra longe, lá vai ter índios de outros lugares, você vai conhecer, e nós, os Enawenê nunca fomos para uma terra tão longe”, disse o marido. Daliloseaaserõ respondeu: “Eu quero ir, quero ver, quero conhecer.” E veio.

 
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Enawenê Nawê se dividem quanto a assoalho da oca – 09h30min

Os Enawenê se dividiram e metade dos 42 atletas presentes aos Jogos quer assoalho de madeira na maloca que ocupam. A informação é do Técnico Indigenista da Ong OPAN (Operação Amazônia Nativa), Fabrício Moura, que há quatro anos trabalha com o grupo.

O Indigenista acredita que a divisão de opinião se deu em função da visita do grupo a outras ocas que têm o assoalho de madeira. “Eles queriam até ocupar a outra oca ao lado que ainda está vazia”, conta. O forte calor que faz em Marapanin (PA) é outro aspecto que pode está pesando no desejo do grupo em não se sentir diferenciado dos demais, já que a alta temperatura dispensa a necessidade de fogueiras dentro da oca à noite.

 
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Índios Enawenê Nawê nunca tinham visto o mar – 09h40min

Apenas 3 dos 42 índios Enawenê Nawê conheciam a água salgada do mar. Logo depois que se instalaram, os índios foram até à praia que fica ao lado da Vila Olímpica. “Eles ficaram perguntando onde encontravam a terra, se tinha peixe, aonde que ia sair do outro lado”, conta o Indigenista Fabrício Moura.

Depois de questionar se existia ou não perigo entrar no mar, os índios mergulharam na água e, na saída, reclamaram que ficaram com o corpo salgado. E, como observou o índio Lalokwali Atokê, “é ruim ficar salgado”.

 
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Menina Karajá acenderá a pira olímpica – 10h30min

Mandiuaha, uma linda adolescente Karajá de 13 anos, é quem acenderá a pira olímpica na abertura dos V Jogos dos Povos Indígenas. Neste momento ela está dentro da oca dos Karajá sendo pintada e levará pouco mais de uma hora para ficar pronta.

O ex-cacique Idiarrina, e tio de Mandiuaha, estava feliz. “Tanto para mim como para ela, como para nós, foi uma honra os Karajá terem sido escolhidos entre as 63 etnias que estão presentes. Ficamos bem agradecidos.”

 
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Embaixador do Canadá visita grupos indígenas – 10h40min

Jean-Pierre Juneau, Embaixador do Canadá conheceu de perto vários líderes e grupos indígenas brasileiros. Acompanhado da diplomata canadense Jennifer Loten, o Embaixador encontrou o cacique Matapi, dos Waiapi (Amapá), o grupo de índios Matis, Hikbatsa e Marubu, também da Amazônia; conheceu os Assurini e conversou em inglês com o índio Wai-Wai João Ichotó, cuja terra indígena Nhamundá-Mapuera fica próxima à Guiana Inglesa. “É um outro mundo”, comentou o Embaixador, visivelmente emocionado.

O Embaixador mostrou interesse que os três índios canadenses, que chegam dentro de algumas horas à Vila Olímpica para participar dos Jogos como observadores, conheçam mais de perto os Wai-Wai. Há inclusive a possibilidade de que os índios canadenses possam dormir uma noite na oca dos Wai-Wai. A troca de conhecimento e experiências é, para ele, fundamental. “Há povos aqui que não sabem da existência de outros indígenas em toda a América.”

 
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Índios canadenses chegam à Vila Olímpica – 16h30min

Os índios canadenses Alex Nelson, Ed Ducharme e Jake Chaplin acabam de chegar à Vila Olímpica. Eles vieram ao Brasil para participar como observadores dos V Jogos dos Povos Indígenas. Alex Nelson, líder da delegação canadense, é membro da nação Musgamagw e Presidente dos Jogos Indígenas da América do Norte.

“O convite para observar e testemunhar os Jogos Indígenas Brasileiros confirma o que nossos ancestrais nos deixaram – a existência de uma linha forte e comum entre as nações indígenas. Esta é uma oportunidade para promover intercâmbio cultural e participativo entre os Jogos Indígenas da América do Norte e os Jogos Indígenas Brasileiros”, disse Silvia Reis, Assessora para Assuntos Educacionais e de Diplomacia Pública da Embaixada do Canadá.

 
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Pajé Terena reza para índios canadenses – 16h40min

Ao visitar a maloca dos índios Terena, os índios canadenses – convidados como observadores do evento – tiveram uma grata surpresa. Kaxipiri, o pajé dos Terena, agradeceu a visita dos “parentes” que vieram de tão longe conhecê-los com uma reza.

Durante cerca de cinco minutos Kaxipiri fez soar seu maracá em torno dos canadenses, que abaixaram a cabeça em sinal de reverência ao chefe espiritual e receberam as boas energias enviadas por um líder espiritual dos índios brasileiros.

 
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Índios canadenses conhecem os parentes da Amazônia – 16h55min

Matis, Kaxinawá e Marubo acabam de dar as boas vindas aos índios canadenses que chegaram ontem ao Brasil especialmente para participar, como observadores, dos V Jogos dos Povos Indígenas. “Eu, Amazônia”, apresenta-se o marubo. “Canadá”, devolvia o estrangeiro. “Canadá. Longe né! Do outro lado”, imaginou o marubo.

Os canadenses disseram que estavam felizes por estar ali conhecendo aqueles que são também seus parentes.
 
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Começa abertura oficial dos V Jogos dos Povos Indígenas – 17h00min

Com a presença do Ministro da Justiça, Paulo de Tarso Ribeiro; do Presidente da FUNAI, Artur Nobre; do Secretário Nacional de Esportes, Lars Grael; do Embaixador do Canadá, Jean-Pierre Juneau e dos três índios canadenses – Alex Nelson, Ed Ducharme e Jake Chaplin – convidados especialmente como observadores do evento; do representante do governo do Pará, Paulo Setie Câmara; do prefeito Municipal de Marapanim, Raimundo Luiz de Moraes, tem início nesse momento a abertura dos V Jogos dos Povos Indígenas.

Mais de três mil pessoas lotam as arquibancadas da arena construída especialmente para o evento. A V edição dos Jogos Indígenas ocorre no município de Marapanim (PA), de 14 a 21 de setembro, e reúne 1.100 índios de 63 etnias. A Praia do Crispim, onde foi erguida a “aldeia olímpica” fica localizada na costa atlântica paraense, também considerada como Parque Nacional das Dunas.

 
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Lars Grael reitera aspecto não competitivo dos Jogos – 17h40min

O Secretário Nacional de Esportes, Lars Grael, ressaltou a consolidação dos Jogos Indígenas no cenário nacional. “A cada ano se mostra mais a identidade cultural e menos o aspecto competitivo. Os Jogos já são um direito adquirido das etnias.”

Lars recebeu placa da V edição dos Jogos Indígenas diretamente das mãos de um Waiapi e já é um velho conhecido dos índios. Esta é a quarta edição dos Jogos Indígenas da qual ele participa, sendo três delas como organizador. Entre as surpresas que Lars viveu nesta V edição, estava o convite do casal de índios Bororo Marcio e Renilde para que ele fosse o padrinho do pequeno Elias Lopes Marudo Eukuredo, de 2 anos. O batizado ficou de ser realizado na aldeia General Carneiro, em Mato Grosso.

 
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Público ganha “relíquia” dos índios – 18h30min

O público delirou. Durante a execução do Hino Nacional, Marikeruseni, um índio Enawenê Nawê deixou o seu grupo e se aproximou das arquibancadas, arrancando aplausos das mais de 3 mil pessoas presente à arena. Acompanhando a batida forte de um tambor que ressoava durante o Hino Nacional, o índio fez movimentos ritmados com dois pedaços de madeira que carregava nas mãos e, ao final, jogou vários de seus adornos corporais para o público presente. “Fiquei muito feliz. Deu vontade de sair pulando. Se tivesse um saco cheio de presentes eu ia sair jogando”, justificou.

Humberto Lisboa, 46 anos, militar reformado da cidade de Marapin, foi um dos premiados. “Isso é uma relíquia”, disse guardando cuidadosamente o “lolasse”, um adorno de pescoço arremessado pelo índio. A atitude do Enawenê Namê foi seguida pelo Kuikuro Ugá, que também arremessou ao público sua pulseira e cinto. Depois, outros índios fizeram o mesmo.

 
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Ministro da Justiça declara aberto os V Jogos Indígenas – 18h50min

O Ministro da Justiça, Paulo de Tarso Ribeiro, acaba de declarar aberto os V Jogos dos Povos Indígenas.

Depois de assistir ao desfile das 63 delegações ao lado do presidente da FUNAI, Artur Nobre, o Ministro disse que ficou emocionado. E declarou: “Essa festa resgata um pouco da dignidade a que os índios têm direito e do respeito que o branco deve ao índio nesse país.”
 
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Presidente da FUNAI quer “Comitê Olímpico” – 20h30min

A FUNAI deve estabelecer uma espécie de Comitê Olímpico para que os Jogos não se tornem algo folclórico nem espaço de promoções individuais. “É importante que a marca Jogos Indígenas seja preservada”, disse o presidente da FUNAI, Artur Nobre, presente a abertura oficial dos V Jogos Indígenas. Em reunião com o Secretário Nacional de Esportes, Lars Grael, logo depois da abertura oficial dos Jogos, ficou decidido a criação de um Grupo de Trabalho Especial (GTE) que vai incluir membros do Ministério do Esporte e Turismo e FUNAI.

“Para os índios isto aqui é uma oportunidade única. A não ser na FUNAI, em Brasília, aonde o índio do Mato Grosso se encontra com o índio do Amazonas? O do Acre com o da Bahia?”, disse Nobre. “Os Jogos Indígenas possibilitam que eles se conheçam como pessoas de diferentes culturas, estabelecendo uma troca informal. Esse espírito de celebração é que tem que ser preservado.”

 
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Jogos podem ajudar a diminuir preconceito ao índio – diz Presidente da FUNAI – 20h35min

O Presidente da FUNAI, Artur Nobre enfatizou a importância dos Jogos Indígenas percorrerem todo o território nacional. “Se cada edição for feita em um estado brasileiro podemos acabar com metade do preconceito ao índio no país.”

Nobre acredita não haver dificuldades quanto à realização dos Jogos em diferentes partes do Brasil. “Os Jogos já não são uma proposta, são uma realidade”, disse o presidente da FUNAI, lembrando da grande disputa que se estabelece hoje entre as cidades que querem sediar o evento.

 
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