18 de setembro

 

18h27min - Final masculina do Cabo de Guerra dá vitória aos Xikrin
16h45min - Índios pediram carne de cobra e macaco à nutricionista
16h30min - Índios consumiram 8 mil kg de carne, peixe e frango em 6 dias de Jogos
16h00min - Divulgados resultados da terceira rodada do futebol
15h30min - Wiraru Karajá e índios canadenses vão a jogo do Campeonato Brasileiro
14h53min - Projetos vão beneficiar índios Metuktire
13h25min - Apalaí serão beneficiados com avião da Funai
12h15min - Presidente da Funai inaugura escola dos Tirió
07h30min - Wai-Wai cantam na despedida dos índios canadenses
07h00min - Índio Wai-Wai conversa em inglês com parentes canadenses
06h30min - Índios canadenses dormiram na maloca dos Wai-Wai

 

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Índios canadenses dormiram na maloca dos Wai-Wai – 06h30min

Dois dos três índios canadenses que estão participando dos V jogos dos Povos Indígenas como observadores dormiram esta noite na maloca dos índios Wai-Wai. Alex Nelson, membro da Nação Musgamagw e Presidente dos Jogos Indígenas da América do Norte, e Jake Chaplin, integrante da nação Métis, foram recebidos na porta da oca por um grupo de homens e mulheres Wai-Wai que cantavam músicas da tribo. Assim que entraram, o cacique Iranildo Manasá e João Ichotó, índio Wai-Wai que fala inglês fluentemente e é coordenador do grupo nos Jogos, deram as boas-vindas. Todos concordaram que tinham muito a conversar.

Para Alex a experiência o faz lembrar seus antepassados, que moravam e dormiam assim como os Wai-Wai. “Estou ansioso para voltar a me encher com os espírito dos meus antepassados que viviam exatamente assim.” A expectativa de Jake não era diferente. “Dormir com meus irmãos nessa parte do mundo é para mim uma emoção única.” Era a primeira vez que os índios canadenses dormiriam em rede. A equipe da FUNAI foi a única que documentou o encontro. (Maria Luiza Silveira)

 
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Índio Wai-Wai conversa em inglês com parentes canadenses – 07h00min

O intérprete que acompanha os índios canadenses foi dispensado. João Ichotó, um Wai-Wai que fala inglês fluentemente, foi quem traduziu para os Wai-Wai a longa conversa que eles estabeleceram com os canadenses na noite de ontem. João, que é Chefe de Posto e ex-Coordenador educacional da Aldeia Mapuera, aprendeu o idioma nas relações de proximidade que os Wai-Wai estabelecem com seus parentes índios da Guiana Inglesa, uma vez que as Terra Indígena Nahmundá-Mapuera (PA), onde vivem os Wai-Wai, fica próxima a essa fronteira.

Havia um interesse mútuo em saberem como vivem os dois povos – do Canadá e do Brasil. Alex contou que a tribo dele foi civilizada há 500 anos e isso faz com que eles tenham dificuldades de lembrar de suas origens. “Hoje nossa comunidade indígena tenta resgatar esse espírito, que se assemelha em tudo ao que estamos vivendo aqui.” João Ichotó resumiu o espírito do encontro. “Estamos felizes pois sabemos que vocês são índios igual a nós, vocês pertencem a nossa família e todo índio, em todo o mundo, é um só.” (Maria Luiza Silveira)

 
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Wai-Wai cantam na despedida dos índios canadenses – 07h30min

Antes dos índios canadenses deixarem a maloca dos Wai-Wai, onde passaram a noite, eles ouviram Amnehara – uma música que fala de despedida e pede que a pessoa vá, mas volte logo. Os índios presentearem seus irmãos canadenses com cocares, colares e maracás.

Alex Nelson agradeceu ao povo Wai-Wai e disse aos índios que se sentia verdadeiramente honrado pelos Wai-Wai terem tomado conta deles. Tocando o maracá que ganhou de presente ele cantou uma canção da sua tribo. Com os olhos cheios de lágrimas, Jake Chaplin não escondeu a emoção. E disse aos índios: “Vocês são minha identidade também. Antes de vir aqui para a Amazônia nunca pensei em encontrar tanta generosidade e tantos povos tão genuínos”. (Maria Luiza Silveira)

 
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Presidente da Funai inaugura escola dos Tirió - 12h15min

Trezentos alunos serão atendidos com a nova escola inaugurada ontem (17), pelo presidente da Funai, Artur Nobre Mendes, na Missão Tirió. O estabelecimento, Escola Estadual São Francisco, tem cinco salas de aula, quatro banheiros, biblioteca, e será responsável pela educação bilíngüe dos estudantes de ensino fundamental. A obra é resultado de compensação efetuada pelo Sistema de Vigilância da Amazônia, Sivam, devido ao uso de recursos da Terra Indígena para implantação breve do sistema de proteção e fiscalização da região.

Pelo menos um terço (300) da população estimada dos Tirió (920) será beneficiada com a inauguração da escola. Anteriormente, o ensino era ministrado em apenas duas salas de aula, o que torna possível, agora, dobrar o potencial para educação formal, com a colaboração de sete professores, dos quais dois não índios.

Na cerimônia de entrega do patrimônio pela Funai ao Povo Tirió, o presidente da Fundação, Artur Mendes, lembrou ter sido importante a obtenção da compensação (a construção da escola) junto ao Sivam, uma vez que os recursos naturais dos indígenas é que permitiram o início de instalação do sistema na área. Salientou, ainda, que o Sistema, futuramente, permitirá a fiscalização e a vigilância das Terras Índias contra a invasão de garimpeiros e outros interessados nas riquezas vegetais e mineiras das áreas. Manifestou, ainda, o apoio ao trabalho do administrador regional de Macapá (AP), Mouzar Borges dos Santos, afirmando que tem sido unióssono com a política da Funai, de amizade e atendimentos aos povos indígenas.

Entre os presentes à festividade, que terminou em um almoço, estavam os caciques Shimeto, Nassao (ambos Tirió), Onório Kaxiuana e José Viana, que se mostraram agradecidos pelo apoio da Funai para a construção da escola, lembrando ser isto resultado do sacrifício da comunidade. Manifestaram-se também contentes por verem atendida a demanda por educação das crianças das aldeias. A Terra Indígena Tirió se localiza no norte do Pará, junto à fronteira com o Suriname, a duas horas de avião de Macapá (AP).

 
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Apalaí serão beneficiados com avião da Funai - 13h25

Até novembro a Funai estará disponibilizando um avião Islander aos estados do Pará e Amapá, para transporte de passageiros e carga dos povos indígenas dos dois estados. Este foi um dos anúncios feitos ontem (17) à tarde, pelo presidente da Funai, Artur Nobre Mendes, aos índios Apalaí, em visita à Terra Indígena desse povo da Serra do Tumucumaque, norte dos estados do Pará e Amapá. Segundo Artur Mendes, a possibilidade de uso de avião da própria Fundação Nacional do Índio reduzirá os custos com locação e atenderá com sensível melhora aos indígenas da região. No caso dos Apalaí, permitirá a compra e transporte de material para artesanato e produção de mel, bem como o envio da produção das tribos para comercialização em Macapá.

Duas outras reivindicações foram feitas pelos indígenas ao presidente da Funai: a implantação de um novo posto na área, a fim de evitar a invasão de garimpeiros; e a presença da Polícia Federal, para expulsar os já em atuação na Terra Indígena. Mendes informou que, para instalar um novo posto, seria necessário fechar outro em alguma região do país, o que é inviável. Já a presença da Polícia Federal só seria possível caso a Funai disponha de recursos para bancar a operação. Lembrou aos líderes indígenas que a Associação dos Povos Indígenas do Parque do Tumucumaque (Apitu), sediada em Macapá, tem convênio com o Programa Integrado de Proteção às Populações e Terras Indígenas da Amazônia Legal (PPTAL) e apoio do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) para fiscalização da área, e que deveriam acessar à associação. Quanto ao pedido de licença para a compra de munição de caça, Artur Nobre Mendes sugeriu que procurem o administrador regional de Macapá em busca de solução à questão, uma vez que a legislação em vigor é rigorosa.

Na primeira visita de um presidente da Funai à Terra Indígena Apalaí, o sentimento final manifestado pelo Cacique Tuarinké foi de que a presença do presidente da Fundação traz alento e esperança ao povo indígena, que se sente fortalecido e apoiado para continuar na luta pela sobrevivência e subsistência.

 
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Projetos vão beneficiar índios Metuktire - 14h53min

Projetos de criação de abelhas nativas sem ferrão e implantação de viveiro de mudas para formar quintais multiuso vão beneficiar cerca de 400 índios da Aldeia Metuktire, da Terra Indígena Kapoto - Jarina, no Mato Grosso. Nos quintais serão plantadas fruteiras regionais como cupuaçu, açaí, ingá, pequi, graviola, bacaba, pupunha, e outras exóticas - não originárias da região - como laranja, abacate e manga. As mudas serão formadas a partir de material encontrado nas matas da terra indígena.

Com a conclusão dos projetos, que estão sendo elaborados pelo Departamento de Desenvolvimento Comunitário – Dedc, da Funai, será firmado um convênio entre o órgão indigenista, o Instituto Raoni e Ministério da Agricultura (MA), que vai liberar R$ 50 mil para sua implantação. A Funai arcará com as despesas referentes aos cursos destinados a capacitar os índios para criar abelhas e produzir mudas de plantas alimentares, medicinais e aquelas utilizadas na confecção de artesanato.

A Funai espera estimular o uso dos recursos naturais disponíveis na Terra indígena Kapoto – Jarina, com atividades de baixo impacto ambiental e étnico. Além de reforçar a dieta alimentar dos índios, a produção de mel vai gerar renda para a comunidade indígena, decorrente da comercialização do produto e de seus derivados. (Léia Metre)

 
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Wiraru Karajá e índios canadenses vão a jogo do Campeonato Brasileiro – 15h30min

Os índios canadenses Alex Nelson, Jake Chaplin e e Ed Ducharme estão nesse momento em Belém (PA) em companhia do índio Wiraru, da etnia Karajá. Eles aceitaram convite da direção dos V Jogos dos Povos Indígenas para assistir ao jogo Paysandú e Curitiba, no Estádio Olímpico Mangueirão, pelo Campeonato Brasileiro, na noite de hoje. Antes de irem ao Mangueirão o grupo foi levado para conhecer a capital paraense. Almoçaram nas Estação das Docas e conheceram o famoso Mercado Ver-o-Peso.

Wiraru foi um grande lutador de ijesu da sua etnia. Várias vezes campeão, Wiraru costuma dizer que os jovens de hoje já não se submetem mais aos mesmos sacrifícios do passado, comuns em sua época, como o jejum, a escarificação e o uso de pimentas – tudo pára ficar forte para a luta. (Maria Luiza Silveira)

 
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Divulgados resultados da terceira rodada do futebol – 16h00min

Acabam de ser divulgados os resultados da terceira roda eliminatória dos jogos de futebol, masculino e feminino, realizados ontem (dia 17) nos três campos destinados aos atletas dos V Jogos dos Povos Indígenas.

Eliminatória / futebol masculino
Tapirapé 0 X 2 Xavante
Terena 1 X 0 Pataxó
Guarani 0 X 4 Wai Wai
Surui-RO 0 X 3 Cinta Larga
Karajá 3 X 3 Kadweu
Xikrin 1 X 0 Bororo
Kanaela 4 X 0 Tembé
Xerente 3 X 2 Bakairi
Rikbatsa 0 X 3 Krahô
Xingu/Kuikuro 0 X 2 Xingu/Yawalapití
Ashaninka 0 X 6 Gavião


Eliminatória / futebol feminino
Gavião 2 X 1Pareci
Bororo 5 X o Tapirapé
Xavante 6 X 1 Terena
Tembé X X 0 Dadiwéu
Rikbatsa 0 X 0 Kayapó
Karajá 1 X 1 Xeerente
Krahô 3 X 2 bakairi
Akewara 0 X W kaiwá

 
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Índios consumiram 8 mil kg de carne, peixe e frango em 6 dias de Jogos – 16h30min

Um cardápio à base de proteínas e carboidratos que inclui carne vermelha e branca, queijos, leite ovos, arroz,macarrão, batata e verduras cozidas tem sido a base da alimentação dos índios nos V Jogos Indígenas. A nutricionista Marinalva Pantoja da Silva, supervisora do restaurante da Vila Olímpica, conta que até ontem (17) sexto dia dos V Jogos Indígenas, já foram consumidos 4 mil kg de carne, 2 mil kg de peixe, 2 mil kg de frango, 2 mil kg de arroz, 600 kg de feijão, 600 kg de farinha, 100 litros de leite em pó e 18 mil pães.

São servidas, em média, 6000 refeições/dia, incluindo café da manhã, almoço, lanche e jantar. “Estamos evitando os alimentos crus como cenoura e folhagens porque não temos água em abundância e precisamos cuidar para fazermos uma boa higienização das verduras”, observa a nutricionista. O restaurante atende os 1.100 índios das 63 etnias presentes nos Jogos, além das equipes de apoio, como Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, médicos e enfermeiros. Marinalva Pantoja coordena uma equipe de 30 pessoas que trabalham 24 horas em sistema de revezamento. (Maria Luiza Silveira)

 
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Índios pediram carne de cobra e macaco à nutricionista – 16h45min

Entre os pedidos inusitados feitos pelo índios à nutricionista responsável pelo restaurante dos V Jogos dos Povos Indígenas, Marinalva Pantoja da Silva, está carne de muçum (cobra), muçura (macaco), paca e veado. “Digo para eles que não trabalhamos com esse tipo de alimento.”

Outra curiosidade diz respeito às etnias Ashaninka e Enawenê Nawê, que tomam apenas água de côco. No caso dos Enawenê Nawê, eles costumam adicionar mel – que trazem da aldeia – à água de côco. “Todos os dias levamos um garrafão de 20 litros de água de côco para eles”, conta a nutricionista. “Nunca tinha visto isso, nem em literatura, mas a mistura de sais minerais (da água de côco) e carbohidrato (do mel) resulta em maior energia para os índios.” Diante de tantas novas experiências, ela resume: “Está sendo um aprendizado”. (Maria Luiza Silveira)

 
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Final masculina do Cabo de Guerra dá vitória aos Xikrin – 18h27min

Foi uma disputa acirrada. A final masculina do Cabo de Guerra, realizada entre Bakairi e Xikrin, levantou o público, mas este ano os guerreiros Xikrin se mostraram imbatíveis no quesito força e ganharam a competição. Os Enawenê Nawê ficaram com o terceiro lugar.

Pouco antes as índias Bakairi fizeram uma disputa amigável com mulheres não-índias que ocupavam as arquibancadas da arena olímpica. Mais experientes, as índias levaram a melhor.

Para fechar, o público foi brindado com os raios do pôr-do-sol enquanto Ashaninka e Krahô entraram na arena para encerrar as apresentações culturais do dia. (Maria Luiza Silveira)

 
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